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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Assisense vira o placar, classifica-se e elimina o Taboão

Cláudio Messias*

Tinha tudo para dar errado, mas acabou dando certo. É dessa maneira que analiso a aventura que diretoria e comissão técnica do Clube Atlético Assisense promoveram, hoje, no jogo frente ao Taboão da Serra pela quinta rodada da segunda fase da Segundona do Campeonato Paulista. Em pleno estádio Tonicão, valendo classificação antecipada ou eliminação igualmente antes da hora, tira-se o goleiro Carlão, o melhor jogador do time até aqui no campeonato, e coloca-se um substituto recém-contratado, para driblar o regulamento e conseguir contar com o número máximo de jogadores que, da linha, são maiores de 23 anos. Por conta dessa atitude quase perdemos o jogo.

O Taboão da Serra é mais um time que vem a Assis e me surpreende. Já tinha gostado de ver o bom Fernandópolis e o ótimo Diadema. Mas, o Taboão teve um "q" a mais. Não é melhor que o Diadema, mas certamente está à frente, em qualidades técnica e tática, do que o Fernandópolis. Saiu de Assis eliminado, porém deixou sua marca. Teve a posse de bola nos pés durante todo o jogo, foi melhor durante todo o primeiro tempo, porém pecou pelo nervosismo. Certamente, a responsabilidade do risco de eliminação já na penúltima rodada do returno pesou nas costas desse bom time.

Nos 90 minutos o que vimos foi um Assisense com a novidade de Wandinho no gol. Estranhei quando não vi Carlão, que sequer pôde ser listado na reserva por questão de idade (tem mais de 23 anos). Já havia, aqui, feito a suposição de que a comissão técnica poderia optar por essa arriscada tática. Que o susto tenha valido como lição e que Carlão só saia do gol, a partir de agora, por motivo de contusão ou força maior. Wandinho é inseguro, tem baixa estatura, é fraco fisicamente, não sabe sair do gol e foi o principal responsável pelo gol marcado pelo Taboão aos 32 minutos iniciais. Creio que até o goleiro reserva, imediato de Carlão, tivesse jogado melhor, hoje, como titular.

O Taboão fazia o jogo da vida. Já o Assisense precisava protagonizar a segunda virada mais importante do ano. Depois de enfiar 3 a 1 no Diadema, sonhar com a vitória, nessa quarta-feira, foi plano normal na cabeça da imensa torcida que fez sua parte e superou, em números, o público do domingo passado. Mais de 800 pagantes e somando crianças e aposentados, perto de mil pessoas no estádio, esperando que o 1 a 0 para os visitantes fosse invertido. E foi.

Imagino que a dificuldade do Assisense tenha sido, nos 30 minutos iniciais, entender o giro tático protagonizado pelo Taboão. Foi o primeiro visitante que vi, aqui em Assis, executar com competência o 4-3-3. Uma linha de zaga muito bem plantada e todas as jogadas de criação centradas pelo meio. Com os laterais adversários recuados, as características jogadas de contra-ataque explorando as pontas não renderam para o lado do Assisense. Pelo contrário, os laterais visitantes fechavam com os volantes e acionavam rapidamente os dois meias de criação. Para segurá-los, só com faltas. E o número de faltas foi recorde, não tenho dúvidas.

De bola parada saiu o gol do Taboão. Cruzamento na área e a conclusão rasteira, no canto esquerdo de Wandinho. Mal posicionado, o substituto de Carlão poderia (a) ter saído na bola com as mãos, antes do atacante do Taboão, ou (b) feito a defesa de mão trocada. Demorou uma eternidade para se decidir e foi assistido pela zaga pegando a bola no fundo da rede. Foi o quarto ataque de perigo do Taboão no primeiro tempo, contra apenas 2 do Assisense: 0x1 no placar.

No retorno para o segundo tempo o técnico Venâncio manteve sua característica de não fazer alterações. A bola rolou e aos 11 segundos Kairo, o melhor jogador do Falcão do Vale em campo, driblou para o meio e acertou um chute certeiro no canto esquerdo do goleiro Hugo, do Taboão. O empate pesou nas costas do time adversário, que perdeu o equilíbrio emocional. Nesse aspecto o papel do atacante Jaílton foi fundamental. Percebendo a pressa do adversário, ele passou a cavar faltas. Numa dessas simulações, aos 22 minutos finais, ele foi chutado, no chão, pelo jogador Anderson. O auxiliar 2 Márcio Dias dos Santos viu a agressão sem bola, comunicou ao árbitro Marlon Spínola, que mostrou o cartão vermelho ao defensor.

Mesmo com um jogador a menos o Taboão não desistiu. Mantinha a posse de bola na metade do segundo tempo e avançava para o ataque. Ao Assisense sobravam os contra-ataques, sempre protagonizados por Jaílton e Kairo. Aos 32 minutos, em cruzamento a partir de falta cobrada por Kairo, Jaílton dominou no costado da zaga pelo lado direito e deu uma bicicleta; bola subiu, encobriu toda a zaga do Taboão e caiu dentro do gol: 2 a 1.

Nos minutos finais a pressão do Taboão não deu em nada. O desespero impedia que as jogadas fossem construídas com êxito, favorecendo a forte zaga do Falcão do Vale. O desequilíbrio dos adversários foi tamanho que aos 38 minutos a comissão técnica e os reservas visitantes se desentenderam com os gandulas, que demoravam a repor a bola para o jogo. Esse desentendimento gerou atritos até mesmo com a torcida, mas com a intervenção da Polícia Militar os ânimos foram controlados.

Conversa não decide jogo e aos 47 minutos o jogo foi encerrado. O Taboão volta para casa eliminado, enquanto o Assisense, beneficiado com a derrota do Fernandópolis para o Diadema, fora de casa, avançou para a segunda colocação do grupo 9. Dependendo do desfecho da rodada, à noite, o Falcão do Vale já vai para Fernandópolis, domingo que vem, classificado para a terceira fase, pois soma 8 pontos e já teria uma das 4 melhores terceiras colocações de grupo garantida.

Faltam apenas 4 jogos para encerrar a penúltima rodada do returno. No momento, os terceiros colocados que avançariam para a terceira fase somam, no máximo, 6 pontos. Os demais têm 5 pontos, ou seja, caso o Assisense perca para o Fernandópolis no domingo, ainda assim garante vaga como um dos 4 melhores terceiros colocados, desde que não sofra mais do que 3 gols de diferença.


Executado o hino nacional, o jogo demorou 4 minutos 
para ser iniciado; atraso do médico Luiz Zanini

A fórmula de um Assisense "mais experiente" não deu certo hoje

Wandinho, recém-contratado, é muito inferior a Carlão, titular absoluto

Depois de consultar o auxiliar o árbitro expulsou o zagueiro do Taboão

Kairo, o melhor em campo, comemora o primeiro gol, a 11 segundos do segundo tempo

O torcedor fez a parte dele e compareceu em peso ao Tonicão,
em plena tarde de quarta-feira.

Jaílton, ao final do jogo, foi agradecer o apoio recebido das arquibancadas.

Mais de 800 pagantes prestigiaram a vitória do Falcão do Vale.





*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

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