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sábado, 21 de outubro de 2017

PRENÚNCIO - E se for agora?

Cláudio Messias*

Dia desses, na solidão que me tem sido peculiar desde que optei por empregar-me a 2.800km de meu lar, fiquei a refletir sobre (a) o que fiz nesses passados 47 anos e meio de vida e (b) se compensou ter feito o que fiz.

Meu primeiro sonho, na infância, conforme está registrado em meu memorial circunstanciado, que faz parte de meu projeto trienal na Universidade Federal de Campina Grande, era desmaterializar-me na condição de um dos agentes que, na  minha infância, faziam o meu imaginário de ouvinte infantil de rádio. Por mais de duas décadas fui radialista, jornalista, comentarista de TV, enfim, exerci o mercado da comunicação.

A mulher que mudou minha vida e deu-me apoio em tudo o que fiz também foi o norte para que eu chegasse onde estou hoje. Minha esposa, com quem convivo desde os 19 anos, sempre foi meu parâmetro para superar as adversidades. Também nasceu na pobreza da zona rural, cresceu sob a dificuldade de não ter tudo o que comer, roupas a vestir e, muitas vezes, condições mínimas para estudar e seguir em busca dos objetivos principais.

De jornalista a professor, transitei por esses caminhos profissionais segurando as mãos de Rozana. Uma negra que formou-se no ensino superior, lecionou na rede pública do Estado de São Paulo, fez mestrado e doutorado, tudo em instituições públicas e sem precisar ser beneficiada por cotização. Agora, nesse momento, encontra-se na Georgetown University, em Washington DC, em pós-doutoramento com bolsa Fapesp. Não é qualquer pessoal, não é qualquer educadora, não é qualquer pesquisadora e, digo com propriedade, não é qualquer esposa ou qualquer mãe de familia.

Iniciei a saída do jornalismo aos 33 anos, quando fui demitido em derrota na afronta a um editor de jornal na cidade de Marília. De marido desempregado, que para alguns parentes era folgado e vagabundo, sustentado pela esposa, formei-me em História na mesma Unesp-Assis que a esposa. Seis anos como professor na rede pública do Estado de São Paulo, uma especialização (ainda não concluída) em Comunicação Popular e Comunitária na UEL-Londrina, docência no ensino superior privado, mestrado e doutorado na USP e, nesse ínterim, aprovação em concurso público na Universidade Federal de Campina Grande.

Um casal com história de vida correlata. Uma vida a dois que está completando 28 anos em 2017. Dois filhos maravilhosos. E, claro, uma vida familiar como todas as demais, com seus conflitos, suas incoerências, suas baixarias. Coisa de gente normal.

Mas, o que me fez parar para pensar se compensou chegar até aqui da forma como estou chegando está relacionado a saúde. À minha saúde. Como registrei cá, nesse blog, já cheguei aos meus 104 quilos, resultado de uma vida sem controle alimentar adequado. Somado a isso, um histórico familiar de cardiopatia que só descobri em 2010, quando meu pai, José, foi submetido a cirurgia na Santa Casa de Presidente Prudente. E, sim, por ser congênita, a doença denominada isquemia miocárdica grave escolhe a esse filho de José, que aqui escreve, para iniciar uma fase interminável de sofrimentos.

O cardiologista Lisandro, que fez a cirurgia em meu pai, alertou-nos, em família, em 2010, sobre o fato de aquela cardiopatia ser congênita. E que os 4 filhos de José deveriam precaver-se. Desde então, iniciei monitoramento com cardiologista em Assis e iniciei controle alimentar que tirou-me 10% do peso. Nada, contudo, que alterasse o quadro de portador da isquemia miocárdica grave.

Já relatei, cá no blog, a cirurgia cardíaca a que fui submetido em 2015, na Santa Casa de Marília. O que não relatei e não tenho relatado são as sequelas desse procedimento.

Recebi quatro pontes de safena e uma ligação de mamária em 13 de fevereiro de 2015, depois de dois enfartos. Naquela data eu encontrava-me ocupando o cargo de docente na Universidade Federal de Campina Grande e com doutoramento em andamento na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Somado a isso, fazia o acompanhamento da saúde de meu pai, que desenvolvera a doença miastenia gravis pseudo paralítica como decorrência da cirurgia cardíaca.

Resumindo, cuidei de meu pai, mantive como pude as atividades na Universidade e concluí meu doutorado, na USP, com um ano e dois meses de antecedência ao prazo regular. Defendi minha tese em 20 de fevereiro de 2017. E, então, tudo caminhava para uma tranquila condução de minha vida profissional, conciliada à minha vida pessoal, familiar.

Meu diploma de doutorado ficou pronto, na USP, na última semana de julho passado. Pedi, pois, afastamento na Universidade e cá vim buscar o documento que almejei em 2003, quando saí de Marília e decidi trocar o jornalismo pela sala de aula. As datas de retirada do diploma coincidiram com (a) a ida da esposa aos EUA, para período de seis meses de pós-doutorado, e (b)o Dia dos Pais.

Acompanhei a esposa até Guarulhos, para embarque rumo a Washington, na mesma data em que retirei meu diploma de doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Na segunda-feira seguinte eu retornaria a Campina Grande, mas, antes, no domingo, passaria o Dia dos Pais com meu pai, José, e, claro, meus irmãos e meus dois filhos.

Só que às4h50 do segundo domingo de agosto fui acordado por uma dor aguda, igual ou mais forte do que dores que havia sentido em duas ocasiões anteriores e que levaram-me, na ocasião, à mesa de cirurgia. Antes das 7h00 meu filho Vitor, acompanhado de minha maravilhosa nora Júlia, estava comigo no Hospital e Maternidade de Assis. Sim, era o terceiro enfarto. O primeiro após a cirurgia de 2015.

Alguns sinais foram dados, pelo meu organismo, de que as coisas não estavam bem. De fevereiro até agosto por diversas vezes passei mal na universidade, algumas delas dentro de sala de aula. E na solidão de quem vive e convive sozinho, perturbações que nos fazem fugir do controle da razão, chegando a especular o pior de todos os fins.

Com esse terceiro enfarto o coração, que já nao estava bom, ficou ainda pior. Enfraqueceu. Descobri, pelos cardiologistas, o que é a bradicardia. O bichão não bombeia sangue como deveria, a todos os órgão vitais, e em algumas circunstâncias isso provoca panes. Em síntese, quando estou em prática de atividades físicas o coração corresponde, sem problemas. Mas, quando em repouso, vem a angina, que é a dor provocada justamente pelo fato de o bombeamento de sangue não ser suficiente.

O que vejo, hoje, é um Cláudio Messias que aos 47 anos de vida ouve dos médicos que não compensa abrir novamente o peito e mexer no coração, passados apenas dois anos e meio após a cirurgia. O que resta é administrar o quadro com medicamentos e, dia após dia, vivenciar eventos diversos, como madrugadas de sono interrompidas sempre às 4h00, com o coração dando o recado de que, sim, tem muita coisa errada acontecendo.

De todas as lições que tiro disso tudo, a melhor é aquela que ouvi de Francisco Faro, psiquiatra que desde o ano passado ajuda-me, em tratamento, a administrar minha vida emocional. Aprendi a dizer "não". Se não estou bem, não faço. E não estou bem.

Depois da cirurgia de 2015 perdi a confiança no futuro vindouro. Mas, com o pai em situação de saúde que exigia a minha presença contínua, um doutorado que exigia-me madrugadas de produção textual e leituras de livros e um emprego que revelou-me com quem poder e não poder contar, não tive outra alternativa a não ser colocar essa incerteza de vida vindoura em segundo plano.

Agora, do dia dos pais para cá, com o susto do terceiro enfarto, voltei à estava zero da incerteza sobre o que vem pela frente. Continuo e não arredo pé de minha disposição por dizer "não" quando não puder fazer. Mas, não sei planejar o amanhã.

Agora mesmo o relógio marca 1h10 de uma madrugada de domingo. Venho de uma noite anterior interrompida às 4h30, pela dor aguda no peito. Tomo meus remédios, aguardo o efeito e confio que não será necessário, de novo, meu filho correr comigo para o hospital.

Nessas madrugadas de sono interrompido pela cardiopatia fico a pensar. Um doutor, docente em universidade pública, talvez prestes a enfartar pela última vez, perambulando pela casa, enquanto aqueles que o criticavam e criticam, sem ter feito metade do que fez, repousam na tranquilidade.

Ver o sol raiar, como fiz hoje, soa como alívio, pois a alvorada coincide com o efeito do medicamento que controla o bichão dentro do peito. Reforço minhas orações a Nossa Senhora de Fátima e ao deus como defino como Força Criadora, e confirmo que não, não foi dessa vez que parti.


Poucas vezes arrependo de algo que tenha feito. Talvez saiba contar nos dedos eventos dessa natureza. Não, não ser agora que irei relatar um arrependimento. Contudo, a sensação de prenúncio de fim me faz querer pedir mais tempo. Tempo de concluir o que comecei. Tempo de ver o que ainda não vi. Tempo de não dar a meus pais aquela que talvez seja a pior das amarguras, que é inverter a ordem e despedir-se de um filho.


* Professor universitário e jornalista, é doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

terça-feira, 20 de junho de 2017

INTROSPEÇÃO - A boa conversa como remédio, nem que seja com desconhecidos

Como definiu um dos cardiologistas que em 13 de fevereiro de 2015 implantaram-me quatro safenas e uma mamária, nosso organismo funciona tal qual um veículo automotor: depois da primeira retífica, haja manutenção periódica!

Por esses dias de São João no Nordeste cá estou, novamente, reparando a carcaça, em manutenção. Algumas alterações daqui, dores dali, mas a vontade continuar vendo nascente e poente do astro maior, de preferência com os pés no chão, sobressai.

Entre um agendamento e outro, nas clínicas da vida, fui, ontem, levar Júlio, o caçula, a Cornélio Procópio, para a derradeira semana de aulas antes do recesso julino. Faço o caminho por Palmital>Andirá>Bandeirante>Santa Mariana>Cornélio. Não só por recusar-me a pagar 40 reais em um único pedágio, em Sertanópolis, no caminho por Sertaneja. Sim, por sentir-me mais em casa no trajeto que passa pelo distrito de Nossa Senhora Aparecida.

Essa localidade é mais um vilarejo do que necessariamente o que as políticas públicas denominam como distrito. Passo, ali, desde os anos 1990, logo após a construção da ponte que, parte das obras de compensação ambiental do complexo hidrelétrico de Canoas, liga os estados de São Paulo e Paraná. Caminho, nosso, para as viagens rumo às praias do litoral Sul.

'Aparecida', como resumidamente é chamada a localidade, é cortada pela rodovia. Um obstáculo faz com que os expressos visitantes a percebam. Não fosse esse redutor de velocidade e as aproximadamente cinco quadras com residências e comércio se resumiriam a uma visualização feita em menos de 10 segundos.

Júlio, o caçula, estuda em Cornélio Procópio desde 2015. Há dois anos, portanto, sempre que posso, o levo por esse trajeto. Sem, contudo, jamais ter parado em Aparecida, apesar de esse desejo sempre ser manifestado a meus acompanhantes de viagem. 

Apreciador que sou, com moderação, de uma cerveja (a única bebida alcoólica que consumo, ainda assim misturada, quando possível, com cerveja sem álcool, preferência que explico em outra postagem), sempre imaginei parar em um dos botecos de Aparecida. Não exatamente para beber, pois o compromisso ao volante exige o contrário. Mas, para prosear.

Nas incontáveis vezes por que passei em Aparecida sempre tive a sensação de que os frequentadores de boteco, ali, são diferentes. Ninguém com aspecto de "beber, cair, levantar". O oposto: pessoas que encontram-se mais para comunicar-se do que para beber. Aquelas circunstâncias em que se tiver algo para comer e para beber, ótimo, pois, se não tiver, falta não fará.

Ontem, Júlio estava com tosse e dores no corpo, prenunciando gripe. Em vez de colocá-lo no ônibus, resolvi levá-lo a Cornélio. Saímos de Assis por volta de 17h15, a tempo de ele pegar o início da aula às 19h30. Passamos por Aparecida 35 minutos depois, com a noite já predominando. Avistei, então, os botecos com seus frequentadores, e logo imaginei que, no retorno, se o movimento continuasse aquele, eu enfim pararia em um dos bares.

Viagem tranquila até Cornélio, as malas do filho deixadas no apartamento em que mora, o próprio ficando na universidade e... estrada de volta. Passei por Aparecida por volta de 20h10. Os botecos estavam esvaziados. Com a velocidade bem reduzida fui desistindo da parada, convencido de que ficaria para uma próxima ocasião. Até que o último bar à direita tinha dois senhores ao balcão, sendo atendidos pelo casal proprietário do ponto comercial.

Estacionei o carro, desci e, quando entrei, pairou aquele silêncio que faz lembrar os filmes de faroeste. A conversa cessou e logo um dos clientes já anunciou que tinha esgotado a cota do dia e precisava ir embora. Foi quando pedi um refrigerante e logo anunciei que estava, ali, realizando uma vontade, de parar em Aparecida e dialogar com pessoas daquela localidade. Pedindo, claro, desculpas por interromper a conversa em andamento.

Sentado em uma banqueta, ao balcão, peguei o celular e atualizei a visualização de conversas no whatsapp, tentando garantir a privacidade de quem ali já estava. Olhos no aparelho celular mas ouvido nas conversas, que continuaram. Soube, por exemplo, que ali um frango caipira sai por 20 reais, o quilo da linguiça de porco, "das boas', sai por 12 reais e que é possível encomendar de milho verde a mandioca e banana, desde que passando para pegar um dia depois.

Intrometi na conversa e perguntei se ali havia, também, o hábito que se tem no Nordeste de distinguir galinhas de granja, caipira e de capoeira. Logo meus (novos) colegas de bar já disseram que galinha de capoeira era um costume que se tinha, vindo de Minas Gerais, de definir galinha caipira criada solta. Foi, então, que pontuei que em Campina Grande a galinha de capoeira é aquela que, selvagem, é criada sem qualquer intervenção humana ou urbana. E tive de explicar melhor.

Àquela altura, o colega que dizia estar na hora de ir embora pediu mais uma lata de cerveja. Seu interlocutor, também colega, pediu mais uma dose de Contini. Até o proprietário do bar abriu uma latinha de Skol. Estava, pois, consolidada uma roda de conversa.

Ficar sentado naquela banqueta fazia com que a compressão do meu canal da ureter, que tantas dores tem me provocado nas últimas semanas, tornasse o quadro agudo. Mas, eu insistia naquela tarefa de suportar a dor, mas curtir a conversa. Que meus interlocutores são trabalhadores do campo eu não tinha dúvidas. Mas, eles não sabiam que eu era, o que faço da vida. Não que, claro, eu não visse nos olhos de cada um a curiosidade para perguntar: "o que você faz da vida?".

Esclareci sobre minha profissão, de professor paulista que dá aulas na Paraíba, sob olhares atentos cujos donos repetiram uma pergunta frequente a meus ouvidos há mais de quatro anos: e como faz pra ficar tanto tempo fora de casa sem, sem... você entende, né?! Expliquei, claro, que minha família ora vai a Campina Grande, oras me recebe aqui, como agora, e que levamos muito bem essa vida de cada parte estar num canto desse país continental.

Aquela prosa toda avançou pela noite. Já passava das 21h30 quando a senhora, esposa do proprietário do bar, aproximou-se dele, transparecendo o código de linguagem não-verbal que 'diz' mais ou menos assim: "chega". Minutos antes, um dos colegas que estavam na conversa havia se despedido, dizendo ter um compromisso na casa de um parente. Foi e voltou em questão de 10 minutos, reclamando que haviam combinado algo com ele e 'furado'.

Tomei a iniciativa de ser o primeiro a encerrar aquela deliciosa conversa, constrangido com o fato de a esposa do dono do bar querer o fechamento do ponto. Foi quando esse colega de boteco, que havia ido embora e retornado, assim definiu aquele primeiro encontro com o colega paulista-paraibano: "quando eu vi que meu compromisso em família havia furado, peguei a bicicleta e corri de volta pra cá, pra gente continuar a conversa".

São presentes assim, em forma de amizade, que fazem os botecos ambientes de socialização que remetem ao que a minha prática de professor pesquisador contextualiza como ecossistema comunicativo. O que prevalece, ali, é a comunicação popular, circunstância em que as relações inter-pessoais são baseadas no pertencimento, ou seja, aqueles colegas que lá se encontravam bebendo e conversando tinham e têm a sua própria rotina e seus códigos de vivência, e não abrem isso a qualquer intruso ou estranho. Foi necessário uma ação de intervenção, de gestão da comunicação, para que eu me aproximasse, me apresentasse, tornasse parte do diálogo, comprovasse meus interesses em nada conflituosos com o que aspirava o grupo e, assim, fosse incluído como parte comum daquele coletivo.

As sequelas de episódios anteriores à minha cirurgia cardíaca me impedem, hoje, de guardar alguns dados na memória. É dessa forma que os nomes dos colegas que conheci ontem não foram arquivados na minha cabeça. Importância subjetiva, pois na minha próxima vinda por essas terras lá estarei, novamente, para uma passagem em prosa.

Agora, em vez de forasteiro, chego a Aparecida como convidado desses colegas. Um ofereceu-me almoço com carne de porco, enquanto o outro afirmou que frango caipira igual ao de sua esposa não se encontra nos arredores. Longe, óbvio, essa intenção em meus planos, pois passei em Aparecida, mesmo, para dialogar com pessoas que, sabia, são humildes e encontram-se fora de meu universo de trabalho.

Às vezes (para não dizer 'sempre'), precisamos sair do ninho, romper a cerca ou deixar a zona de conforto para conhecer o novo. O mundo lá fora não é diferente do nosso, é igual. As pessoas têm problemas, choram, lamentam perdas, decepcionam-se com a política, têm desejos diferentes e buscam compensar as frustrações de alguma forma. Nós é que nos auto isolamos do mundo, muitas vezes sob uma arrogância que nos torna desumanos, enquanto entendemos ser o suprassumo da humanidade.

No reino da hipocrisia. boteco é lugar de perdição, por conter bebida e pessoas que as consomem. Mas, não. Boteco é uma empresa como outra qualquer, recolhedora de impostos, empregadora formal. Quem por ali passa faz parte da engrenagem que movimenta o mundo, ou seja, é parte de um sistema a que denominamos capitalismo. Basta olhar para os arredores e, visualizando de cima, entender que há, na sua cidade, mais botecos do que igrejas, supermercados, escolas e restaurantes de luxo. Com o diferencial de que o público, ali, frequenta escolas, igrejas, supermercados e restaurantes de luxo, sem, contudo, a convenção social de que frequentadores de igrejas, escolas, supermercados e restaurantes de luxo admitirem ou conceberem-se enquanto frequentadores de botecos.

E é exatamente isso que faz do boteco um ambiente ímpar. Por mais que você ali adentre e beba um refrigerante, a maior parte da sociedade hipócrita o olhará de esgueio, como se tu fosses um imperfeito. E imperfeitos todos somos, desde que nascemos. O que nos diferencia é que alguns lidam com a imperfeição sob a harmonia da conversa, das relações inter-pessoais, enquanto outros, sob a égide da pseudo busca pela perfeição, isolam-se na amargura que é dialogar com o próprio ego.


terça-feira, 28 de março de 2017

CIDADE DO ROMBO - Quando no país da carne fraca a cultura e o esporte são cutículas

Cláudio Messias*

Nos anos 1990 o município de Paraguaçu Paulista deu algumas lições, políticas, sobre como fazer a gestão pública que contemple as necessidades básicas da população, previstas utopicamente na Constituição Federal e, concomitante, necessidades que a maioria absoluta dos prefeitos e vereadores concebe como não tão básicas assim. Não citarei nomes para não evidenciar que esses próximos parágrafos tenham qualquer encomenda partidária, como pré-definem, nas últimas semanas, cabeças porosas que a partir de 2017 assumiram o pseudo poder na Sucupira do Vale.

Mas o assunto inicial aqui é Paraguaçu Paulista, que apesar de figurativamente ser sobrenome de Odorico, serve apenas de parâmetro para o que o blogueiro quer expor em se tratando de conflito de interesses. Pois foi Paraguaçu, com pouco mais de 30 mil habitantes à época, que duas décadas atrás, apesar do perfil socioeconômico essencialmente agrícola e pecuário, protagonizou uma verdadeira revolução social entre os municípios vinculados ao então Cierga, hoje Civap (nomes diferentes para um consórcio que reúne prefeitos e vereadores do denominado Médio Vale do Paranapanema).

Fazendo um recorte histórico, temporal, temos nos anos 1990 um planeta que via-se ante ao fim da Guerra Fria, um Brasil com índices de inflação que faziam, em dinheiro de hoje, 1 real valer 10 centavos depois de trinta dias e um caos na educação que mostrava 3 a cada 10 brasileiros sem saber sequer assinar o próprio nome. No esporte, nosso único orgulho era um  personagem da elite, Ayrton Senna, que estourava motores, brigava literalmente no braço por seus objetivos e subia ao pódio da Fórmula 1 com certa regularidade.

Nesse cenário desfavorável Paraguaçu Paulista não aquietou-se. Fora da zona de conforto, estruturou a rede municipal de ensino, investiu pesado em cultura e criou condições público-privadas para que o estádio municipal Carlos Affini recebesse jogos profissionais no gramado, e público (pessoas) nas arquibancadas. A tríade educação-cultura-esporte funcionaria, pois, a pleno vapor.

Naqueles anos 1990 o blogueiro que cá escreve transitou, profissionalmente, do meio rádio para o meio impresso. E foram dez anos de uma rotina permanente deslocando-se de Assis a Paraguaçu Paulista. Por exemplo, em 1990, mesmo Assis dispondo do recém-reformado teatro municipal Padre Enzo Ticcinelli, era o teatro Lucila Nascimento, em Paraguaçu, que recebia os mais importantes espetáculos. E foi lá, no camarim daquele espaço, que o blogueiro entrevistou, por exemplo, Fernanda Montenegro, antes do monólogo 'Dona Doida". Diálogo, por sinal, inesquecível, por fatores já aqui expostos, nessas páginas do Blog.

Nos mesmos anos 1990 o Esporte Clube Paraguaçuense, o Azulão da Sorocabana, fez uma trajetória que na época era comum entre clubes como Novorizontino, São Caetano e Matonense. Saiu da Série B-2, em que estava o Vocem, e chegou à Série A-2, conquistando o acesso ano a ano, sucessivamente. O estádio Carlos Affini não tinha a capacidade do recém-inaugurado Tonicão de Assis, mas dispunha do básico, ou seja, setor de arquibancadas coberto, gramado excelente e sistema de iluminação para jogos noturnos.

Domingo de jogo no Carlos Affini tinha uma cena peculiar na rodovia Assis-Paraguaçu. Principalmente por volta das 17h30 (sim, os jogos naquela época começavam 15h30, quando não às 15h00), formavam-se filas de automóveis no sentido Assis. Assisenses que não tinham futebol profissional para ver na cidade se deslocavam para ver o Paraguaçuense na A-2. E eram jogos que valiam o esforço, considerando a rivalidade existente entre o Azulão e clubes como Noroeste, Francana e Sãocarlense.

Na educação, a estruturação do plano de carreiras dos professores municipais, anterior à desastrosa municipalização do ensino implantada na mesma década, fez movimento semelhante de migração. Se para assistir espetáculo teatral ou musical de qualidade e ver jogo de futebol da qualidade da Série A-2 o assisense ia a Paraguaçu, para trabalhar na educação o mesmo ocorria. E foram muitos os professores da educação básica que preteriram o Estado e preferiram o vínculo com a Prefeitura de Paraguaçu.

Nessas últimas duas décadas a população de Paraguaçu aumentou em torno de 50%. Parte das políticas de investimento em cultura, esporte e educação foi mantida, não necessariamente na proporção do que foi visto nos anos 1990. Hoje estância turística, a localidade é, indiscutivelmente, um referencial. Cidade simpática, limpa, com estrutura urbana elogiável, respeitando-se os limites de investimento público para uma localidade de pequeno porte. Sim, claro, problemas com violência urbana também atípicas para um município do porte prevalecem.

O circuito gastronômico de Paraguaçu coloca qualquer cidade de maior porte do Civap para trás. Logo, quem hoje investe e tem retorno em restaurantes e bares cujos preços, acima da média, são compatíveis à qualidade do cardápio, do menu, é sabedor que o público, ali, não é qualquer um. Seguindo o cerne do raciocínio aqui colocado nesse texto, o público adulto que justifica a manutenção de pizzarias, barzinhos, sorveterias e restaurantes era, em Paraguaçu, jovem, adolescente ou mesmo criança nos anos 1990. Acesso a educação, cultura e esporte de qualidade, pois, dá resultado a longo e médio prazos.

Ser gestor público, outrossim, não é olhar para o próprio umbigo, mensurando a pseudo popularidade que o cargo hipoteticamente representa. Alguns dos gestores que passaram pelo gabinete da Prefeitura de Paraguaçu Paulista não estão vivos, hoje, para ver esse igualmente hipotético exemplo que o blogueiro elenca. Aliás, a própria política pública de educação daquele município já não é mais a mesma, submetendo o professorado a uma vexamitosa desvalorização. Mas, os resultados são mensurados, sim, com elementos de vínculo entre a cultura do presente e os investimentos do passado.

Blogueiro assiste, à distância, o debate em torno da possível fusão entre a Autarquia Municipal de Esportes de Assis e a Fundação Assisense de Cultura. Duas autarquias cujos custos, pelo argumento de quem está na gestão do município, oneram os cofres públicos em meio a um momento em que há buraco para tudo na cidade: buraco aberto pela chuva na avenida Otto Ribeiro, buraco de 60 milhões nos cofres da Prefeitura, buraco por quase todas as ruas 'transitáveis' e buraco na base desse discurso todo.

Necessário voltar aos anos 1990 e recordar em que circunstâncias as duas autarquias foram criadas e, nessa linha do tempo, mensurar parte do que cada pasta trouxe de conquistas. Antes da Autarquia havia a Comissão Central de Esportes, à qual era vinculada a Liga Assisense de Esportes. A cidade tinha torneios que lotavam o Gema e, depois, o Jairão. A Copa Assis de Futsal parava a cidade em suas decisões. O Tonicão, eternamente inacabado, assim como o Marcelino de Souza, recebiam a Taça Prefeitura e o Torneio Ademir Marcelo. A lenda, à época, era que jogos do varzeano e do futebol amador levavam mais público do que o Vocem em sua fase de crise extrema.

Na cultura o antigo Cine Pedutti, que depois chamou-se Cine Regina, foi assumido pela FAC, que por sua vez representou, em sua criação, a junção de serviços de cultura popular como o Semear e o Semearte. Um espaço (o cinema) não muito aproveitado e que, não prioritário nos investimentos, sucateou-se. Igual destino o teatro Enzo Ticcinelli só não teve porque passou a ser a sede da própria FAC. Um espaço, contudo, mais ocioso do que aproveitado, considerando a baixa frequência com que espetáculos do circuito nacional passam por Assis. Teatro com a fama de uma das melhores acústicas do circuito teatral brasileiro, com gestão não tão compatível a essa condição.

Juntas, FAC e Autarquia de Esportes já proporcionaram, sim, emoções coletivas que ficam na memória da população hoje jovem ou adulta precoce. Jogos memoráveis do Conti Assis, no Jairão, como na final do Torneio Novo Milênio, e os festivais Cristal in Concert, no teatro. Dois exemplos muito significativos, pois o que mais deu certo, em sucesso de público, no esporte e na cultura de Assis nesses últimos 20 anos, advém de parceria com a iniciativa privada. Trata-se, nesse ínterim, da tal parceria público privada, a PPP, que muitos criticam ou criticaram no passado.

Desnecessário, mas necessário, referir ao incalculável número de pessoas formadas nas escolinhas mantidas pelas duas autarquias, quais sejam, AMEA e FAC. Muitos profissionais liberais hoje consagrados pela micro-economia do município aprenderam ou desenvolveram suas habilidades culinárias ou artesanais em cursos mantidos pela FAC, realidade igual à de inúmeros jovens e adultos que um dia ocuparam vagas nas escolinhas de esportes da AMEA.

Blogueiro confessa não saber, ao certo, o que há de ruim ou o que pode haver de bom na junção de FAC e Autarquia de Esportes em um departamento da Secretaria Municipal da Educação. Misturar verbas de educação e cultura não dá certo, todos sabemos. No orçamento, acaba sendo como o vale-alimentação que é pago em dinheiro no holerite: em questão de meses é incorporado na receita e, quando usado em despesa, desaparece. E comprovação pragmática disso foi o que obrigou Temer, o ilegítimo, a juntar e logo depois separar os ministérios da Cultura e da Educação, no ano passado.

Educação, esporte e cultura são tão básicos quanto necessários nas políticas públicas que contemplem acesso da população aos direitos que lhe são garantidos pela Constituição desde 1988. Trata-se de uma tríade indissociável enquanto ações de governo que busquem a formação de cidadãos autônomos e conscientes, com acesso ao belo em seu estado de arte. Juntá-las sob uma única cabeça que decide, porém, significará uma decisão cruel ao gestor que está à frente da Prefeitura: trocar, menos de 100 dias após a posse, quem está no comando da secretaria municipal da Educação. Afinal, quando da escolha desse nome, a fusão não era factível.

Sou contra mudanças radicais como a que mexe na cultura e nos esportes usando como discurso crise financeira ou situação de momento do país e do mundo. Foi investindo em educação e cultura que nações como Japão e Alemanha ressurgiram no pós-guerra e hoje figuram como as economias mais sólidas dos continentes asiático e europeu, respectivamente. Não sabemos, aqui nesse país, o que seja uma revolução. Não experimentamos a guerra. Mas, em contrapartida, nos especializamos em adotar discursos pobres que, em sua essência, sepultam cada vez mais a nossa maior riqueza, que é a cultura popular.

Os olhos que hoje enxergam a realidade de Assis norteiam as bocas que falam meias verdades sobre a cidade. Assis não está um caos político-administrativo porque o ex-prefeito foi péssimo. Está assim porque houve uma série sucessiva de maus gestores nesses últimos 20 anos, cada qual com seus defeitos e virtudes. Alguns com mais defeitos do que virtudes, outros com mais virtudes do que defeitos. Fico, cá sentado, esperando a chegada do gestor que não assuma o complexo de vira-lata e diga que está fazendo o que dá. Se for para assim discursar, que o próximo gestor que se proponha a administrar nem se candidate. Aliás, que a cidade tenha 2 candidatos, que seja; com propostas efetivas em forma de plano de governo, e não sete candidatos com palavras bonitas que em nada são relacionadas à realidade da relação receitas/despesas.

Estamos no sexto mandato de prefeito em que no primeiro trimestre de gestão a imprensa é chamada para mediar o choro político do caos financeiro e a aspiração da população que colocou tais figuras no poder. O atual e o ex-prefeito trocam acusações, mas são os que menos podem reclamar. Precisam saber o momento de fechar a boca. Afinal, eram vereadores quando dos dois mandatos do ex-prefeito Ezio Spera, período em que começaram a estourar os saldos negativos da gestão do município. Tiveram a oportunidade de ser oposição e articular para que o caos não fosse estabelecido. Uma parte consentiu, a outra até mesmo aderiu ao governo daquele prefeito em sua reta final. Blogueiro não vê, pois, leite nem lágrimas para derramar.

Fica a sensação de que nesses vinte anos Assis desaprendeu a fazer política. Uma Câmara Municipal apática, com poucas vozes que não falam amém para quem está no poder. O descrédito da parte representada é tamanho que falta pouco para metade da população habilitada para o voto simplesmente não ir votar, ou quando for votar, abrir mão de escolher alguém. Cidade com mais de 100 mil habitantes, para alegria dos quantitativistas, que elege um prefeito com pouco mais de 15 mil votos, para desespero de quem espera uma cidade melhor.

Aparentemente, nesse cenário todo, a tal fusão cultura e esportes vai mesmo ser vinculada à educação. Quem sabe, depois de 100 dias, seja iniciativa única que vá dar realmente certo e sair só do discurso choroso relacionado ao passado recente. Nessa utopia, quem sabe as políticas educacionais locais, enriquecidas por um esporte e uma cultura pujantes, ajudem a formar cidadãos que daqui a 20 anos cheguem aos cargos políticos e, com um pouco mais de discernimento da vida real, assumam suas candidaturas com plano de governo que considere, primeiro, a real situação do município, e, depois, ações efetivas que sejam legitimamente próprias, corajosas, e não embasadas em faz de contas.

* Professor universitário e jornalista, é mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

ASSIS TÊNIS CLUBE - Primeiro jantar da turma da hidro em 2017

Cláudio Messias*

Na noite dessa quinta-feira, 26, foi realizado o primeiro jantar de confraternização entre os frequentares das aulas de hidroginástica - também denominadas hidro-musculação -, no Assis Tênis Clube. Sob o comando do professor Paulo, 26 marmanjos repuseram todas as calorias que perderam nas últimas semanas, em "esforços" imensuráveis nas quentes águas da piscina coberta.

No piloto da churrasqueira encontrava-se Cardoso, a lenda. Seu auxiliar de cozinha era o incansável Alfeu Volpini, cuja mandioca, como ele próprio diz, é eternamente mole. Brincadeiras à parte, seo Alfeu prepara tudo com muita dedicação, fatiando pães, temperando salada e fazendo um vinagrete que é inigualável. Além, claro, de ser um excelente companheiro de prosa.

No cardápio "saudável" havia linguiça de porco, contra-filé e panceta. Os dois primeiros assados na churrasqueira por Cardoso e o último, frito na cozinha, por Amarildo. Para beber, uma remessa de cerveja bujãozinho Skol e latinhas de Brahma Zero Álcool, terminando com uma caixa extra de garrafas de 600 ml de Skol. Sobraram latinhas de Brahma Zero.

Segundo professor Paulo havia 26 pessoas no total, consumindo 28 quilos de carne, entre bovino e suino. Isso, além de vinagrete, pães, mandioca, salada de rúcula, farofa e pimenta, como acompanhamentos. Isso dá 1,07 kg de comida para cada membro do grupo, ou seja, bem acima dos 350 gramas que universalmente se calcula para almoços ou jantares à base de churrasco como cardápio principal.

Garrido, ao saber da média, disse a professor Paulo que precisa levar essa turma para comer em um de seus restaurantes. Afinal, com cada um comendo mais de um quilo o lucro é mais que certo!

A festança registrou presença da maioria do grupo que tradicionalmente comparece aos jantares da hidro. Ausências percebidas e sentidas de seo Boquembuzo, que recupera-se de probleminha de saúde, de Carlão, o falador sincero, e Rubinho, cuja esposa enfrenta estado de saúde instável. E presenças percebidas e comemoradas de Delacasa, que recupera-se de cirurgia no braço, e de Robertinho, o homem do carneiro, cuja conversa é das mais agradáveis.

Fevereiro vem aí e, segundo projeção de professor Paulo, o reencontro de confraternização pode ocorrer na semana anterior ao Carnaval. Blogueiro comemora, pois faz aniversário em 9 de fevereiro e, coincidindo com a semana de defesa de seu doutorado, emendando com exames de saúde pós-dois anos de cirurgia cardíaca, poderá estar em Assis para participar.

Em uma semana em que o Blog destaca o sentido das amizades sólidas, verdadeiras, essa é uma excelente oportunidade para ratificar o quão unido é esse grupo da hidro. Pouca ou nenhuma desavença e festanças regadas a músicas das boas, sertanejas de preferência. Melhor que isso, só a certeza de que mês que vem haverá outro reencontro, e depois outro, e depois outro...






















SEGUNDONA BRAVA - Federação dá prazo curto para clubes regularizarem situação

Cláudio Messias*

Os clubes que pretendem disputar o Campeonato Paulista de 2017 na Segunda Divisão têm até o dia 2 de fevereiro para apresentar uma lista de documentos à Federação Paulista de Futebol. Encontro realizado com os dirigentes na tarde dessa quinta-feira, 26, serviu como pré-conselho técnico, ou seja, ocasião para que as agremiações saibam e tenham-se por avisadas quanto aos critérios, cada vez mais rígidos, para ingressar na disputa do maior campeonato regional de futebol do país.

É fato que as agremiações com qualquer tipo de pendência, seja ela financeira ou administrativa, junto à Federação não serão habilitados a disputar o certame de 2017. E, nesse ínterim, entram as situações irregulares de estádios, bem como sanções financeiras aplicadas pelo Tribunal de Justiça Desportiva em torneios de anos anteriores (antes a FPF tolerava que houvesse renegociação de tais pendências, com até mesmo parcelamentos, o que não ocorrerá em 2017).

A situação de vínculo profissional dos jogadores registrados em disputas de temporadas anteriores também precisará estar em dia. Isso significa dizer que pendências trabalhistas resultantes de homologações ou rescisões contratuais passadas tendem a impedir que determinada agremiação, com irregularidades, consiga habilitar-se para a disputa da Segundona. Faz-se, pois, vigorar um dos pontos mais ressaltados por Reinaldo Bastos, quando esse assumiu a presidência da Federação em substituição ao suspeito Marco Pólo Del Nero: a prevalência de relação limpa, profissional, entre atletas e clubes, cobrança histórica do sindicato dos jogadores profissionais.

Há muita dúvida sobre a situação de Assis na disputa do certame de 2017. Diferente de anos anteriores, o Clube Atlético Assisense largou na frente e tem anunciado, nas redes sociais e em alguns sites de notícias, formação de comissão técnica e equipe para a disputa da Segundona. Já o Vocem iniciou o ano com nova configuração de conselho e ainda busca um presidente que substitua a diretoria anterior, que renunciou coletivamente, sem especular, ainda, como fará para estruturar os trabalhos. Ambas as agremiações devem atender às aspirações burocráticas da Federação no dia 2, mas ainda dependerão de regularização da situação do estádio Tonicão, interditado desde o ano passado, como tradicional e infelizmente ocorre há vários anos numa cidade cujas administrações públicas jamais privilegiaram o futebol profissional como esporte de massa.

Reunião da diretoria da FPF com dirigentes de clubes que
sonham em disputar a Segundona em 2017: quem não se enquadrar daqui a
uma semana, está fora.


* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando pela e na ECA/USP.




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

HARMONIA - Tempo não apaga amizades, fortalece

Cláudio Messias*

Por esses quase 47 giros de calendário a cada 9 de fevereiro o blogueiro rodou por chãos desse planeta, principalmente a trabalho (considerando que vida de pesquisa científica também, e principalmente, é trabalho). E em cada local frequentado, novas amizades. É certo que no caminho há, inevitavelmente, o avesso do amigo, mas isso faz parte da vivência social, seja qual for a cultura envolvida.

Interessante é analisar que as amizades mais sólidas não são pré-concebidas. Não escolhemos aqueles que são, hoje, nossos melhores amigos. A amizade sólida, pois, é maturada pelo tempo, pela vivência e, em muitos casos, pela sinceridade com que o amigo nos trata. Amigo que é amigo fala a verdade, por mais que essa seja sinônimo de dor aos ouvidos. 

Acontece que verdade vinda de amigo sincero é lição de vida, é aprendizagem. Entendê-la como ofensa será indício de que a relação sólida de amizade pode não ter a fundação imaginada.

Ainda trago algumas amizades advindas da infância. Desnecessário citar nomes, mas quando reencontro, nem que seja virtualmente, pelas redes sociais, um amigo do jornalismo que há alguns anos encontra-se atuando no Vale do Rio Branco, próximo a São Paulo, é como se tivéssemos passado apenas algumas horas sem nos falarmos. Exemplo, também, de amigos que se encontram em Rondônia, fora do país, cujas existências nos fazem refletir a partir de suas ausências...

E há aquele amigo que mora na mesma cidade que você, mas a rotina diária nos afasta. E quando o reencontramos, apertamos as mãos e damos o abraço fraterno, igualmente transparece que não ficamos tanto tempo assim distantes. Há, nesse reencontro, uma energia positiva que dá razão à condição de amizade legítima.

Em muitos dos reencontros que temos com amigos do peito a confidencialidade é tamanha que basta uma simples sensação de que o parceiro ou a parceira não está bem, emocional ou profissionalmente, por exemplo, para que igualmente fiquemos mal. Ou, ao contrário, quando vemos que o amigo do peito está bem, emocional ou profissionalmente, nos sentimos igualmente felizes.

De tão próximos e confidentes, alguns amigos evoluem as relações inter-pessoais para relações conjugais. Blogueiro e esposa, por exemplo, primeiro experimentaram, lá pelos idos de 1989, uma amizade profissional, no mesmo ambiente de trabalho, para depois solidificar a amizade ao ponto de surgir um namoro, que dois anos e meio depois tornou-se noivado e, outros dois anos e meio depois, casório. E já se passaram 23 anos de casamento, e 28 de amizade.

Aquele ano de 1989 foi emblemático para as amizades do blogueiro. Se temos, na memória, amigos advindos da primeira infância, depois da escola e da universidade, também somamos, os homens, as amizades de experiências como a passagem pelo Exército. E cumprir com o serviço obrigatório do Tiro de Guerra 02-046, em Assis, é uma dessas partes da memória que nos faz recordar o quão amargo era estar lá, à época, e o quão saudoso é, hoje, resgatar os registros de um tempo que obviamente não volta.

Formávamos a Primeira Turma em 1989, sob o comando do então sub-tenente Barcarolo. Algumas dezenas de jovens com idade entre 19 e 20 anos e, hoje, centenas de histórias adultas, quase idosas, para contar. 

Compromisso com a pátria concluído naquele 19 de novembro, dia de formatura, e, depois, cada um seguindo uma trajetória, sendo uns para a eternidade (três infelizmente faleceram), outros para a privação de liberdade e uma ampla maioria para a constituição de vida social, digamos, normal.

Alguns reencontros, ocasionais, sempre ocorreram. Esporadicamente,  um ou outro ex-atirador especulava sobre um churrasco que registrasse 5, dez, 15 ou vinte anos desde a formatura do serviço militar obrigatório. Meras especulações, até o ano passado. Sim, em 2016 uma rede social fez reunir parte dos integrantes da Primeira Turma de 1989. Grupo criado no Whatsapp e, enfim, a iniciativa de viabilizar o tal churrasco.

Blogueiro estava em Campina Grande quando, em maio, ocorreu o primeiro churrasco oficial. Foi o maior de todos, e talvez um dos mais importantes. Quase todos estavam lá, à exceção daqueles que, pela distância, estavam impossibilitados. E, depois disso, outros reencontros, digamos, gastronômicos, foram feitos, coincidindo com períodos em que o blogueiro encontrava-se em Assis.

Como ocorre em todos os grupos sociais formais, também os grupos de Whatsapp têm desencontros - para não dizer desavenças. Situações de vida social, ou seja, de ambientes em que vivem e convivem cabeças que - o que é normal - pensam de modo díspar. Contudo, mesmo nessas circunstâncias sobressaem as amizades sólidas. O que não significa dizer que ocorram ou nasçam inimizades. Os grupos é que vão sendo moldados por peças cujos encaixes coincidem. E, novamente infelizmente, tem sempre uma peça ou que não se encaixa ou que simplesmente resiste a encaixar.

Reencontros dos atiradores daquela Primeira Turma revelaram, nesses últimos meses, bons cozinheiros. O próprio blogueiro ofereceu aos amigos um prato que aprendeu a produzir em Campina Grande, ou seja, o arrumadinho de carne-de-sol. Depois, o xará Cláudio comandou uma pizzada no fogão a lenha da mesma casa do blogueiro, mostrando toda a habilidade que desenvolvera no período em que foi proprietário de uma padaria na vila Xavier. Na sequência, Agnaldo Cicciliato, o Paul Catella, serviu uma peixada em seu rancho, em Porto Almeida, seguido por Carvalho, um hoje paulistano que veio à Sucupira do Vale recepcionar os amigos na casa de seu pai, Sérgio, na Vila Xavier, com um churrasco (convenhamos que o folgado só ofereceu o local, ficando o controle sob os cuidados dos amigos). O mesmo Ciciliato Paul Catella viria à casa do blogueiro e, no fogão a lenha, prepararia uma rabada (ui!) inigualável. Completando o ciclo da comilança, uma costelada foi conjuntamente organizada na chácara de Fernando, apelidado irônica e carinhosamente (????) de Maconha pelo grupo.

Todas essas experiências de comilança fizeram expandir as amizades. Os tradicionais Clubes do Bolinha deram espaço ao ingresso das esposas, noivas, namoradas e amásias. Famílias reunidas, histórias e mais histórias para contar e relembrar. E, claro, novas histórias para registar, algumas delas impublicáveis.

E nem vem ao caso entrar nos detalhes dessas histórias, fator que os causos cá registrados no blog darão conta de relatar futuramente. O que merece registro, mesmo, é o espírito de união desse grupo. Basta um membro dar dica de um tipo de reencontro, com cardápio específico, e lá estão, em maioria, os ex-atiradores reunidos. Via de regra, cada um leva um fardo de latinha de cerveja e ajuda, em vaquinha, a rachar a despesa do cardápio escolhido.

O mais interessante nessa união de amizades é que muitos de nós ficamos "colegas", e não amigos, no Tiro de Guerra, ou seja, até nos encontrávamos ou nos conhecíamos de vista pela cidade, sem as profundas paradas para atualizar conversa. Mas, nos tornamos amigos do peito agora, passadas duas décadas e meia desde o cumprimento ao serviço militar obrigatório, em com ideias como a que programa para 2019 uma grande festa de comemoração coletiva aos 50 anos dos membros da turma, à exceção de Ciciliato, o velho, que já terá 51.

Blogueiro não tem dúvidas de que a harmonia que une esse grupo advém não só da relação de cada um dos ex-atiradores, mas, principalmente, da vivência entre as famílias. Aqueles que têm filhos pequenos os trazem ou levam às confraternizações, e essas crianças ou jovens já identificam e cumprimentam nominalmente aos amigos do pai. Um tipo de liberdade de convivência que se vê em uma família. Aliás, compomos a Família Atiradores da Primeira Turma de 1989, e isso é fato.

Blogueiro ouve dos filhos, hoje com 20 e 21 anos de idade, que ao final de cada festança feita cá em casa a única conclusão a que chegam é que o Grupo TG 1989 consegue "ser mais tonto do que o grupo de jovens amigos deles". E como é bom ser tonto nessa vida! Falar besteiras, contar causos, recordar histórias com aumento pela mentira boa, sempre com muita, mas muita risadaria. Risadas deliciosas como a que Fábio Carvalho, o Negrete, dá, fazendo-nos rir por seu jeito de rir.

E se há histórias de 1989 até 2016, também há os causos que surgiram exatamente em 2016. Charlão - que virou Charlote, marca de pinga - e seu tombo, em apagão, da banqueta no dia da pizzada, mico pago em frente à filha e à esposa Sheila, mesma ocasião em que apavorou o coração de cindy, a gata (felina mesmo) da casa do blogueiro que encontrava-se no cio. Somado a isso, a garrafa de vinho trazida por Penachini e que até hoje continua praticamente intacta, dada a "qualidade" da bebida. Ainda, a cachaça vinda de Recife e que segundo Fernando é água com açúcar, e não pinga. E, mais recente, a pizza de amendoim, que deveria ser confete.

E já que o assunto é mais recente, nesse último sábado o blogueiro deu a ideia para um reencontro entre amigos, para acender o fogão a lenha e marcar o derradeiro evento dessas férias de janeiro, antes de retornar para Campina Grande. Cardápio sugerido: pizza. E lá veio Cláudio e suas abençoadas mãos de pizzaiolo, servindo-nos com seu jeito humilde e carismático, na companhia da esposa Selma.

O resultado desse reencontro o blogueiro registra em 'dropes', ou seja, pequenos excertos em forma de, digamos, notícias curtas, abaixo. Comprovando que o tempo não apaga as amizades sólidas; ele as torna ainda mais fortes.

Ficando o registro de quem, pela distância, não pode estar conosco. Volpini e família, em Rondônia; Mansano e namorada, em Ribeirão; Deco e família, em Sampa; Negrete e família, também em Sampa. Além de outros ex-atiradores, como Moreno, cujos contatos perderam-se nos últimos meses. Todos guardados em nossas lembranças e nossas considerações, e no espírito de uma Família TG 1989 que as desavenças não irão separar.

PIZZADA DO CLÁUDIO-40
Local: Casa do Messias
Data: 21 de Janeiro de 2017, 21h00
Presentes: Messias, esposa e filhos; Cláudio e esposa; Silveira e esposa; Fernando e esposa; Ciciliato, esposa e filha; Vandão, esposa e filhos; Ferraz e Igors/esposa; 


ATUALIZAÇÃO
Alguns tópicos dos dropes, abaixo, foram atualizados pelo blogueiro. Correções feitas, as informações estão mais, digamos, precisas. Com o acrescentar do causo do reencontro "A ida dos que não foram", referente a um churrasco marcado e desmarcado, mas que acabou acontecendo.

LISTA DE COMPRAS
A ideia de fazer um reencontro na casa do blogueiro foi sugerida na terça-feira da semana passada. O cardápio - pizza - foi aprovado coletivamente e começaram os contatos. Cláudio, o pizzaiolo oficial do grupo, elaborou a lista de compras e pediu ao blogueiro para pegá-la em sua empresa, a CertifID, que fica na rua André Perine.

LISTA DE COMPRAS II
Cláudio é um pizzaiolo que faz pizzas deliciosas, mas tem preconceito com a própria grafia. Pediu, pois, para uma das filhas, a linda Maria Eduarda, que trabalha consigo na empresa, para que passasse a limpo a lista dos ingredientes que deveriam ser comprados no supermercado. Aparentemente, contudo, o garrancho estava feio de ver. A mocinha não entendeu direito a letra do pai!!!

LISTA DE COMPRAS III
A letra da mocinha é redondinha, legível. Letra de boa aluna, com grafia perfeita. Mas, na hora de o blogueiro comprar os itens, problemas. E lá vai diálogo Messias>Cláudio via Whatsapp. Em vez de 50 e 60 gramas, respectivamente, de peito de peru e presunto, 500 e 600 gramas. Sim, nem a filha entendeu direito a letra do pai, que como escritor é um excelente pizzaiolo!

MICO
Blogueiro tinha, entre os itens para as pizzas doces, a indicação de comprar "confetes". Não esses artigos de carnaval, mas, aquele tipo de doce que, à base de chocolate, é colorido e encontrado em supermercados que não fazem restrição a determinadas marcas. Como o supermercado escolhido foi o Max, claro que lá não há a opção dos "Confetes" originais, mas o 'genérico' "Disquetes", da Dori.

MICO II
Um pacote com 400 gramas de Disquetes era praticamente o dobro do que Cláudio havia listado como necessário. E o blogueiro, então, avistou pequenos pacotinhos, menores, de "disquetes". Pegou três e, assim, atendeu à quantia listada pelo pizzaiolo.

MICO III
Quando todos já estavam com as respectivas panças cheias das pizzas sabores calabresa, carne-seca e califórnia, já então servidas, vieram as pizzas doces. A primeira, de morango (e bota morango nisso), a segunda de brigadeiro e a terceira... de confete, ou seja, disquete.

MICO IV
Eis que Cláudio, o pizzaiolo, pergunta ao blogueiro: "Messias, tens certeza de que 'isso' aqui é disquete?". E não, não era. Os tais pacotes pequenos eram de disquetes, mas tinham na embalagem, entre parênteses, a descrição "amendoim". Amendoins com cobertura doce, coloridos, bem diferentes dos, digamos, disquinhos de chocolate. Sarro total, clima maravilhoso entre amigos, mas ninguém comeu um pedaço sequer da pizza doce de... amendoim.

AMNÉSIA
O combinado nos jantares feitos pelo Grupo TG (Tudo Gordo, menos o Cláudio) é que cada um leve o que bebe e, ao final, juntamos as notas fiscais com tudo o que foi gasto dividimos pelo número de ex-atiradores presentes. No caso da pizzada, dinheiro de pinga, pois para cada família o custo saiu por R$ 33, ou seja, valor menor que o de uma pizza dessas de supermercado, que vêm em bandeja de isopor e algumas vezes derretem no esquecimento junto ao forno.

AMNÉSIA II
Mas essa história de cada um levar o que bebe rende porres históricos. Afinal, os mais controlados até que levam um fardo de latinha de 350 ml, mas sempre há os que acrescentam mais algumas latinhas avulsas, "para completar". E é nesse tipo de vibe que saem episódios como o protagonizado por Fernando.

AMNÉSIA III
Nosso popular Maconha, que é uma figura queridíssima por todos, bebeu a própria cota de latinhas, entrou nas "para completar" alheias e ao final estava tão ou mais louco que o Batman e a Liga da Justiça inteira. Ao ponto de, no dia seguinte, acionar amigos como Cláudio e Evandro e perguntar se havia pago a própria parte quando do rateio das despesas.

AMNÉSIA IV
Sim, havia pago. E, inclusive, tinha ido embora. Isso mesmo, Fernando não se recordava sequer de como havia indo embora às 2h30 da madrugada de sábado, horário em que a pizzada foi encerrada.

MARCA REGISTRADA
Há meses o Grupo TG 1989 busca uma identidade visual para registro de suas atividades, digamos, gastronômicas. Várias foram as ideias, mas, como são muitas as cabeças pensantes - e não pensantes -, difícil um consenso.

MARCA REGISTRADA II
Blogueiro, ao editar as fotos para esta postagem, resolveu criar uma marca d´água, ou seja, um selo de identidade. A alusão a TG como sendo sigla, em vez de Tiro de Guerra, Tudo Gordo, é inspirada numa brincadeira que o ex-atirador Volpini faz desde o início. Sempre que entra no grupo de Whatsapp Volpini, que está em Vilhena, Rondônia, solta um "Tudo Gay".

MARCA REGISTRADA III
Um ex-atirador chamou o blogueiro no reservado e perguntou de que se tratava o tal "1989 kcal/h". Ouviu que a brincadeira é uma alusão à quantia de calorias que o grupo consome por hora a cada reencontro, arredondando para o ano de 1989. O amigo encerrou a conversa com um "tá certo", que deu a sensação de que continuou não entendo a piada...

BATISMO
Igors Janson não fez Tiro de Guerra com a Primeira Turma. Mas é primo de Ferraz, a lenda, e desde o segundo semestre do ano passado tem participado das nossas comilanças. Sexta passada, claro, foi convidado e lá esteve, levando o primo e acompanhado da simpática esposa.

BATISMO II
Entre as intermináveis histórias contadas por Vandão, o Vamp, Igors encanou com as tais mordidas no couro cabeludo de que, por diversas vezes, em vários encontros, os ex-atiradores reclamavam. Vandão, então, disfarçando, fez que iria simular e vapt! Lascou a famosa mordida na farta cabelereira de Igors. A diferença é que dessa vez não arrancou sangue.

SAIDEIRA
Engana-se quem pensa que o blogueiro despediu-se do "Grupo Tudo Gordo, Menos o Cláudio" com a pizzada. Como ninguém é de ferro, a saideira está marcada para essa quarta-feira, à tarde, no Bar do Seo Luiz, na Vila Ribeiro. Esposas já combinaram de levar os maridos, para evitar que, ao final, motoristas fiquem perdidos perto da linha férrea ou em vez de vir para a Santa Cecília sigam para Cândido Mota.

AUSÊNCIAS
Não puderam comparecer à pizzada os ex-atiradores César, Penachini e Palma. O primeiro resolvia questões familiares e o outro honrava um compromisso sério: o aniversário da esposa. E Palma tinha compromissos familiares. São esperados, juntamente com demais que não puderam comparecer ou não souberam do reencontro, em ocasião futura. Que pode ser uma comideira no rancho de Ciciliato Paul Catella.


CAUSO - O reencontro da Primeira Turma do TG 1989, ano passado, no Tênis Clube, deu combustível para a organização de um evento maior, ainda em 2016. Ficou, então, decidido que todos, com as respectivas famílias, participariam de uma grande festa no dia 30 de dezembro. Seria, primeiramente, um jantar dançante no próprio Tênis, cujos custos, rateados, começariam a ser cobertos com arrecadação iniciada ali por volta de setembro. Motivos diversos levaram ao esfriamento da ideia e, por fim, o dia 30 de dezembro passou sem que a grande festa fosse realizada. Acontece que em dois dos reencontros de comilança o chefe da turma, Barcarolo, foi convidado e lá esteve. Um encontro no Tênis, em maio, e outro na chácara de Fernando, com a costelada, em setembro. Nesse último Barcarolo foi informado de que haveria um jantar dançante em dezembro e, em seu discurso (blogueiro o tem gravado em video, mas precisa de um tempo para editá-lo e, assim, postá-lo cá nesse espaço) enfatizou a importância de, apesar do tempo, o clima de família que reina no grupo fazer-nos tão unidos. O tempo, então, passou e alguns reencontros do grupo aconteceram. Mas um, justamente em dezembro, antes do Natal, chegou a ser marcado, ocorreria na casa do blogueiro, mas de última hora, pelos velhos motivos de uma cabeça nem sempre pensar igual à outra ou às demais, foi cancelado mais em cima da hora ainda. E naquela manhã de quinta-feira anterior ao Natal o blogueiro, aproveitando que a casa havia sido preparada para a festa que não mais ocorreria, foi ao açougue Bom de Carnes e buscou pequenas porções de carne e linguiça para assar só com a família mesmo. E no açougue reencontrou com Barcarolo, que com seu jeito sereno, sábio, cumprimentou e, não obstante, perguntou: não é por esses dias que aquele maravilhoso grupo de vocês se reunirá, com a vinda do pessoal que está longe? (tio Barca, como diz Ferraz, referia-se a Volpini, que está em Rondônia, programou a viagem de vinda, mas, por investimentos feitos na clínica da esposa, que é fonoaudióloga, adiou a viagem para 2017). Blogueiro deu sorriso amarelo, desconversou e disse que, sim, a grande maioria estava vindo para Assis passar as festas de fim de ano com as respectivas famílias, mas nada comentou sobre a festa do dia 30 de dezembro, cancelada. Na continuidade da conversa, então, Barcarolo ratificou o quão bonito acha que esse Grupo TG 1989 é e que sempre que for convidado para as nossas festanças, irá. Mal sabia ele que horas antes uma dessas festanças havia sido cancelada, sem que, contudo, que a beleza do grupo a que se referia e refere perca em legitimidade. Isso porque o blogueiro, depois, chegou em casa, foi para a churrasqueira e, apesar de a estrutura para receber 30 a 35 pessoas, iniciou os preparos para um almoço simples, só com a esposa e os filhos. É justamente aí que encontra-se a beleza do grupo a que Barcarolo se referia. Um recado no Whatsapp e Cláudio, o xará, Nugget, disse que antes de ir embora daria uma passada para um abraço de final de ano. O chamei, então, para almoçar conosco. Minutos depois Silveira também diz que dá uma passada, para desejar boas festas. Em seguida, Ciciliato faz o mesmo. Blogueiro, então, sugere que cada um traga cerveja e um quilo de carne. Antes das 15h00 a churrasqueira assava carne e a geladeira servia cerveja para quase a totalidade do grupo que antes havia especulado fazer a despedida de 2016 naquele mesmo dia. São circunstâncias como essa que fazem esse grupo tão especial. Circunstâncias que fazem valer a pena cada esforço, nosso, aqui em casa, para receber os amigos. Circunstância como a que mobiliza esposa e filhos, que quando ajudam na faxina anterior e posterior a cada festança, sempre dizem, de coração: "meu, vale muito a pena fazer tudo isso!". Eis, pois, o sentido pleno da nossa Família TG 1989.


FOTOS GERAIS DOS REENCONTROS



Urso, no inverno, hiberna com reserva de gordura. Esse time aí de
cima tinha exemplares que resistiam ao frio de 12 graus. E
tomando algumas geladas. E sem blusa!

Ciciliato Paul Catella não resistiu e pegou a espingarda
de matar veado. Apenas perdeu-se com tantos
alvos à sua frente, saltitantes.


Um brinde à safra de jabuticabas temporanas
que chegaram em janeiro.

Igors no comando da foto e a filhinha de Vandão Vamp imaginando o que esses caras
falam tanto e de que riem tanto!

Cláudio Xará Nugget com a massa de pizza à mão e os demais com seus respectivos
adereços de alumínio igualmente às mãos!

Reencontro emocionante com Barcarolo, o homem que nos ensinava que
havia perigo eminente de guerra.

Camisa do Timão que Silveira presenteou o anfitrião blogueiro,
vinda diretamente de uma loja infantil, com tamanho P.
Assinaturas dos amigos mais importantes e quadro sendo
confeccionado.

Silveira e suas selfs, que tanto nos ajudam! Ele e seus óculos Umber Vision.

Primeiro reencontro da turma, no Tênis Clube. Tempo bom, sem intrigas.

Blogueiro ao lado de um cara muito especial, xará: Cláudio
Ferraz, uma figuraça que tem a consideração unânime do grupo.

Alegria total, especialmente com a presença de Charlão, cara 100%
que nos alegra com suas tiradas inteligentes.

Registro da presença de Penachini, em dezembro de 2017, momento
ímpar que rendeu até biquinho de Silveira.

Aí o blogueiro anfitrião cuida da churrasqueira, bebe mais que as visitas e
dorme. Não sem ser tirado por Ferraz, a lenda.


Blogueiro anfitrião no churrasco que, reunindo esporadicamente
ex-atiradores em dezembro de 2017, encerrou
o ano em alto astral.