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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

AUTOESTIMA - O Brasil do 7x1 pode reagir nas urnas com o 5x4 das pesquisas

Cláudio Messias*

Nesse semestre letivo 2018.2 estou orientando um trabalho de conclusão de curso em que uma estudante aborda, de forma muito competente, o empoderamento feminino decorrente de ações comunicativas de autoestima. E na ciência é assim, conforme a perspectiva do paradigma educomunicativo: a parte que ensina é, em via recíproca, também, a que aprende. E como aprendemos com nossos alunos!

Eis que nessa quinta-feira, 25, fizemos mais uma reunião de orientação de TCC, na universidade. Rotina normal, não fosse um detalhe: o clima de medo que pairou no campus, resultado de uma ação da Polícia Federal, que cumpria mandado de busca e apreensão por parte da Justiça Eleitoral. Alunos e professores confirmando aquilo que foi pauta dos estudos, em reflexão crítica da realidade, nos últimos meses: vivemos sob um estado democrático de direito que tentam transformar em extrato antidemocrático da direita. Momento ímpar de testemunhar, na prática, in loco, aquilo que os livros registram e teorizam como sendo capítulo negro de uma história não muito distante.

Distante das redes sociais e mesmo cá, do território do Blog, desde 2015, por motivos já expostos, tenho evitado entrar na zona de conflito da polarizada discussão que envolve uma pseudo esquerda, que mais mostra-se centrão, e uma direita que cada vez mais pende para a extrema direita. No entanto, quando o cotidiano das atrocidades sai do território virtual das plataformas digitais e atinge a porta de seu local de trabalho, o silêncio faz ecoar um grunhido do consentimento. E é hora de falar através das linhas, para evitar as entrelinhas.

De 2014 pra cá o Brasil testemunhou episódios não tão bons no sinuoso coletivo da cultura de massas. Aquele 7x1 para a seleção da Alemanha, na Copa realizada aqui, afetou a indústria do consumo de maneira díspar, a considerar que a hegemonia, na representação da maior economia da Europa, saiu ganhando, e a contra-hegemonia, na perspectiva de uma comunidade latino-americana de resistência, entendeu, por vez, que futebol, corrupção na gestão e alienação são tipos de farináceos empacotados em embalagens distintas a partir de uma mesma matéria-prima.

Se hegemonia, pois, está formulada no pretenso domínio das forças de produção e circulação de mercadorias, ideias e cultura, o eixo geopolítico brasileiro que quer deter o controle do capital nacional, qual seja, Sul-Sudeste-Centro/Oeste, passou por nova decepção apenas 3 meses após o Brasil ser eliminado, como anfitrião, na Copa que organizou. Em mapa ilustrativo, apesar de o azul de direita predominar nessas três regiões, foram o Norte e o Nordeste, vermelhos, que deram resultado final às eleições presidenciais cujo vigor, queiram ou não os polarizados debatedores, esgota-se nesse 31 de dezembro de 2018.

O futebol brasileiro experimentou um baixo-astral nacional demonstrado, agora, em 2018, em mais uma decepcionante eliminação em Copa do Mundo, na Rússia. Na perspectiva da gestão da comunicação, os admiradores do futebol canarinho confiaram sobremaneira que um técnico salvaria a Nação de mais um desgosto. O mais badalado treinador desde Telê Santana tinha em mãos parte dos milionários atletas pagos no mundo, em uma campanha pré-Copa que tornava o elenco candidato primaz ao título. Só que não. Vimos, no hegemônico cenário do futebol internacional, que um comandante e seus súditos diretos pouco ou nada podem fazer se a força contrária não o quiserem no topo.

Nesses últimos quatro anos o interesse da cultura de massas pelo futebol, no Brasil, declinou com o prestígio daqueles que, na hegemonia, administram essa indústria do consumo. Demonstração disso é que se Tite tivesse obtido êxito contra-hegemônico e seus comandados erguessem a taça na Rússia, o troféu seria recebido das mãos da Fifa por alguém que não seja o presidente da CBF. Sim, o mais alto comando do futebol brasileiro cumpre prisão domiciliar territorialmente interna, sob risco de sair de nossas fronteiras e cumprir prisão nos Estados Unidos. Por acusações de corrupção. Iria para a cadeia fazer companhia aos dois mais recentes presidentes da mesma CBF.

Os estádios de futebol, sejam eles construídos ou não para a Copa de 2014, acumulam sucessivos fracassos de bilheteria. O tal legado da Copa não serviu a nada. Ou, melhor, contribuiu para manifestações homofóbicas saídas das arquibancadas, como nos gritos "bicha", quando o goleiro adversário cobra lances como tiro de meta. Clubes que aceitaram mediar bilionárias construções de estádio hoje estão quebrados e com as receitas geradas pelos minguados públicos não honrando com o pagamento de obras imersas a um limbo de corrupção.

O esvaziamento das arquibancadas no pós-Copa reflete, igualmente, nas salas de TC das residências. Os canais abertos protagonizaram a debandada do clube da falcatrua. Com faturamento em queda tão vertiginosa quanto os índices de audiência do meio televisão, ninguém quer pagar o alto preço dos pacotes de transmissão. Se a UEFA Champions League é o terreiro do que há de melhor no futebol mundial, a própria Globo declina de pagar por suas transmissões. A mesma Globo que perdeu a parceria da Band nessas transmissões e ficou sozinha, inclusive, para mostrar os jogos do Brasileirão.

Na Tv paga o cenário é ainda pior. A hegemonia por trás do Esporte Interativo, que esbanjava na cara de pau ser contra-hegemônico, não aguentou o próprio faraônico e misterioso projeto e declinou da articulação que previa retirar clubes do feudo da Globo, almejando para 2019 democratizar as transmissões do Campeonato Brasileiro. De múltiplos canais próprios o EI resumiu-se a partes isoladas de programação de canais pagos que já exibiam algumas transmissões esportivas, como o são Space e TNT. Se aconteceu a anunciada revolução nas transmissões, ela ocorreu na forma de hidden news (Messias, 2018), ou seja, as notícias ocultas, não informadas, em que há o fato, mas não a notícia.

Futebol e eleições, vemos, estão estritamente ligados enquanto pauta do agendamento de consumo. As eleições norte-americanas acontecem no mesmo momento em que, no Brasil, elegemos prefeitos e vereadores. Ficamos focando os olhos àquilo que acontece no limite de nossas cercas e não mensuramos os reflexos vindouros de processos eleitorais manifestados na América do Norte e na Europa. E foi assim que a insurgência de um manifesto oculto de extrema direita enraigou em nossa democracia, sem que nos déssemos conta. Uma cegueira branca protagonizada pelo discurso de que a seleção nacional, composta pelas cinco regiões administrativas, estivesse desordenada o suficiente para que um salvador da pátria reaparecesse, tal qual em 1989.

Desgostamos do futebol e da política ao ponto de não enxergarmos a realidade. Éramos a sexta economia do mundo dias atrás, integramos o bloco denominado BRICS, com Rússia, África do Sul, China e Índia, e experimentamos respeitados avanços na educação, mas o que nos convence, dentro do que ouvimos, é que o país lidera rankings contestáveis disso ou daquilo. Somos quem mais joga canudos de plástico nos rios, produzimos o maior número de lixo eletrônico do planeta e pirateamos marcas como ninguém. Se antes havia pesquisa de tudo, agora há ranking de tudo. Parâmetros advindos de pesquisas feitas em outros países, cuja confiabilidade, por mais que seja contestada, é apresentada nas elas das TV e nos sites de notícias como sendo verdade absoluta. Basta uma pauta de redação e o parâmetro será um desses rankings que rebaixam o Brasil.

A tentativa estratégica da hegemonia de mostrar o Brasil como um território de risco foi iniciada, de maneira mais escandalosa, em 2002, quando, nessa mesma época de eleições, surgiu, no Exterior, o Risco Brasil. Aquilo que o mundo entendia como possibilidade de catástrofe latino-americana confirmou-se como projeto socioeconômico sólido o suficiente para fazer emergir a tal da Nova Classe C, cujo poder de consumo salvou indústria, comércio e a própria mídia hegemônica que mediava o caos não fundamentado.

Assistir ao cenário em que a hegemonia tenta rebaixar a autoestima do Brasil é, na forma figurada, semelhante à imagética cena em que o marido machista tenta controlar a independência da esposa xingando-a à base do assédio moral. Somos a Nação das belezas naturais, porém nada podemos fazer além de cuidar dessa beleza e servir à hegemonia com um modo controlado de produção, sem autonomia de reflexão. Nessa perspectiva, somos lindos, porém burros e incapazes de mudar sozinhos nosso destino. Se fazemos algo nobre, é ação de exceção à regra. E quando nos comparam com os outros, somos sempre a parte que leva menos vantagem.

É com esse discurso eleitoral que chegamos ao pleito para escolher quem nos governará a partir de 2019. Não somos mais a 6.a economia do planeta, tudo bem. Mas, somos a 8.a economia. Caímos duas posições nesse ranking ridículo de comparação. Só que nos acostumamos historicamente mal com o futebol, de maneira a não aceitar colocação que não seja a primeira. Basta recordar que um goleiro brasileiro esnobou a medalha de vice-campeão em torneio de futebol, forma arrogante de não aceitar a vitória do adversário.

Em 2014 a culpa pelo resultado das eleições presidenciais foi do Nordeste. Veículos estamparam nas ruas o adesivo com os dizeres "A culpa não é minha. Votei no Aécio". Nas redes sociais o nordestino ganhou estereótipo de culpa por tudo  que de pior ocorreu nesses últimos quatro anos, como se a eleição fosse distrital e o peso das urnas do Nordeste e do Norte fosse maior que o das demais regiões. O Brasil reelegeu Dilma, e não somente duas regiões. Mas, no oportunismo, valeu ignorar o horário de verão, a disparidade de fuso horário de um país com dimensões continentais, e demonizar o não real. Bastaram dois anos para, depois, os adesivos de não culpabilidade desaparecessem, assim como os 'aecistas' ofuscados pela JBS.

O fundo do poço da auto-estima, porém, atingiu o limite. O brasileiro está se dando conta de que não, não é por acaso que o país seja a oitava economia do planeta. Nosso PIB está crescendo entre 1% e 1,5% ao ano, mas está crescendo. Na retórica capitalista, não importa que entrem centavos ou reais, importa é estar entrando dinheiro. Melhor ter a receber do que a pagar. Ora, se é isso que reina, então não somos o país do caos. De Risco Brasil passamos a ser objeto de Economia Emergente. Isso, sem fazer qualquer menção a legenda ou coligação política.

A inércia advinda de decepções coletivas nos últimos anos fez assustar quem monitora o cenário político vindouro. Não se entendia, até poucos dias atrás, como um meme virtual, saído do estereótipo daquilo que pode ser considerado pior na política do país, poderia estar ganhando a força que ganhou após passada a Copa da Rússia. O pesadelo do 7x1, somado a um discurso hegemônico que rebaixamento da auto-estima nacional, produziu uma sensação de viralatismo de que qualquer coiso resolve os problemas nacionais. Mas, os milhões de Maria da Penha parecem ter dado um basta nessa forma domiciliar, nacional, de prática da violência verbal de rebaixamento da identidade nacional.

Saímos de um primeiro turno das eleições presidenciais com a hegemonia quebrando a cara com o fiasco, nas urnas, de um PSDB que dessa vez não só perdeu a final da copa eleitoral, mas, foi descartado já nas eliminatórias. Nem na final os neoliberais chegaram, para desespero de um mercado ávido pela retomada absoluta do controle de um país que em uma década e meia esteve sob gestão da força popular de produção.

A auto-estima do brasileiro foi tocada, começando pelo Nordeste, que permaneceu vermelho no mapa ilustrativo da divisão de interesses desse país. O discurso de ódio que anunciava exterminar o vermelho do país à base da bala não foi aceito por aqueles que votaram verde no mesmo mapa geopolítico do primeiro turno. E esse verde foi, aos poucos, ganhando tom avermelhado com a fuga do debate acerca da fórmula secreta que tiraria a Nação do caos em que nunca esteve, assim como ante a um discurso arbitrário de ataque ao estado democrático de direito na forma de suas instituições mais sólidas.

Se iniciamos esse trajeto político atual com um 7x1 no feudo do futebol, passamos para um cercamento eleitoral contemporâneo em que o país da educação e da revolução social silenciosa venceu, na prorrogação, por 5x4, em 2014. Esse placar, três semanas atrás, mostrava uma derrota, nas urnas, por 4x2, goleada que fez ecoar pelo território nacional o brado temeroso da ditadura. O marido violento voltou a falar mais alto e causou estranheza às Marias da Penha, que despertaram ante a um discurso galante de quem, na prática, doutrina o domínio à base da força, em detrimento da liberdade individual de buscar a autonomia.

Em três semanas esse placar eleitoral mostrou a goleada ser ampliada para 6x3. Mas, a Maria da Penha nacional temeu, e não tremeu. A reação, dentro do tempo normal de jogo, está mostrando que antes de chegar aos 40 minutos do segundo tempo já temos um 5x4, com o time que está perdendo jogando muito melhor. Os comentaristas do jogo, sentados nas confortáveis cabines da hegemonia, desmerecem a auto-estima nacional, dizendo que a essa altura a reação da parte supostamente derrotada é tardia, devendo prevalecer o favoritismo de quem tem o domínio do placar.

De hoje até domingo há muita bola para rolar no país. A tela da hegemonia não consegue mensurar o cotidiano que desenrola dentro dos lares das Marias da Penha nacionais. Isso exposto, o placar de 5x4 não está correspondendo ao que citam os olhos filtrados dos críticos que são pagos para dar recorte da realidade a partir de edição própria de visão de mundo. O maior colégio eleitoral do país já deu sinais de que esse jogo não só já empatou, como virou, mas os comentaristas ainda se sustentam em sistemas táticos de 4-4-2 ou 3-5-2 para justificar o injustificável.

No domingo à noite, se a zebra for confirmada, os maridos violentos vão culpar a vítima pela punição coletiva que sofreram, como é prática das sociedades dominadoras. Pesquisas terão falhado no resultado final, mas herdarão o mérito por terem sinalizado para uma possível virada, mesmo que essa possibilidade fosse rotulada como sendo a mais improvável.

O 5x4 das Marias da Penha Nacionais pode vir trazendo consigo a consolidação do Vox Populi, em meio ao sepultamento definitivo de Datafolha e Ibope, que já há muito tempo mais erram do que acertam, no limite da margem de erro de credibilidade da desesperada hegemonia direitista.

* Professor universitário, historiador e jornalista, é doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

UM BRASIL QUALQUER? - Carta aberta a Haddad, para mudar meu voto

Cláudio Messias*

Fernando Haddad, ontem foi dia de votar para presidente. E, pela primeira vez em 48 anos, não o fiz em primeiro turno. Professor do magistério público superior aqui em Campina Grande, no Brejo paraibano, desde 2014 tenho de deslocar 3 mil quilômetros para o exercício de minha cidadania na não menos direitista Assis, no dito pujante interior paulista, onde nasci e tenho minha família.

O que me fez não ir a Assis votar não está relacionado a distância. Ontem, justifiquei meu (não) voto em João Pessoa, na escola onde meu amigo João Neto vota. Fui acompanhando João e seu companheiro Augusto. Um trio de professores do magistério público superior, cada qual cumprindo com o protocolo que o tal do estado democrático de direito estabelece.

Decidi não votar em primeiro turno, em 2018, porque meu candidato a presidente, Boulos, estava significando um fomento à polarização que caracteriza as eleições gerais no Brasil desde 2014. Preteri ir a Assis votar em Boulos para não correr o risco de ver o candidato primeiro colocado nas pesquisas vencendo já no primeiro turno. Sim, Boulos teria muito mais do que meio milhão de votos caso não houvesse essa bendita polarização.

Minha decisão por não votar em você, Haddad, não tem cunho pessoal. Em meu discurso, que é público, e, por opção pessoal, não chega ao espaço da sala de aula na universidade, você, Fernando Haddad é e, pelo jeito, por muito tempo será o melhor ministro da Educação que esse país já teve. Palavra de um cidadão, aqui, que jamais foi petista, lulista. Apenas, sou alimentador da chama de uma utopia que prenuncia o dia em que esse país será governado, legitimamente, por uma esquerda que não ceda aos privilégios. Daí, óbvio, minha confiança em Boulos.

O que atrai meu voto, pois, não são as legendas, mas, as pessoas. E você, Haddad, está muito acima da legenda que representa ou, em vice-versa, em que é representado. Foram as políticas públicas de educação de sua época de ministério que fizeram gerar dados estatísticos atuais que, na boca suja da direita incubada em parte da tradicional sociedade brasileira, mostram aumento do desemprego entre jovens, atualmente, no país, ao passo em que, na realidade, se o jovem brasileiro em idade escolar regular não está trabalhando, é porque está na escola, fazendo aquilo que os governos coronelistas dessa nação nunca primaram, por mais letrados e multilingues tenham sido seus comandantes: formar-se nas escolas públicas e garantir, via inclusão social, vaga no ensino superior, seja via Sisu, seja via programas de demanda via rede privada.

Nesse domingo, 7 de outubro, não fui atraído às urnas. Não votei em Boulos, nem em você, Haddad. Justifiquei meu (não) voto. Optei por permanecer em Campina Grande, coordenador que estou em um curso de Educomunicação que é fruto, senhor candidato, das políticas públicas daquele presidente que, rotulado de não ter estudado, foi o responsável pela mais silenciosa das revoluções que um país pode ter. Uma revolução que acontece a cada dia, no território da sala de aula. Uma revolução que está preconizada nos pressupostos da Educomunicação, curso superior criado em 2009 na demanda do Reuni, cuja dimensão histórica mostra um nunca visto programa de ampliação do ensino superior no país.

Na quinta-feira da semana passada saí da universidade, cujo espaço é utilizado pela Justiça Eleitoral como local de votação, temeroso. Jornalista que fui por duas décadas, aprendi a suspeitar das pesquisas de opinião em época de eleição. Basta ver casos isolados, hoje, do resultado das urnas no Rio de Janeiro, para ratificar meu discurso. Não muito distante, o desaparecido Aécio amanheceu no dia de votação do segundo turno de 2014 encomendando que alguém engomasse a faixa presidencial para uso ali pelas 21 horas daquele domingo. Ou seja, em um país complexo como o continental Brasil não dá para apostar em projeção daquilo que irão falar as urnas. No entanto, o que eu via na rua, nos bares e na própria universidade fazia temer (argh!) o pior para esse domingo. Isso, em um cenário aqui no Nordeste, reduto eleitoral que fez gerar a já referida polarização política no país.

Eu e parte de meus amigos do ensino superior, Haddad, não fizemos opção por votar em você no primeiro turno. Seria muito fácil chegar agora ao meu trabalho e confirmar aquilo que timidamente manifestávamos na quinta-feira, último dia de expediente antes de Justiça e Polícia Federal ocuparem os espaços de votação. Nossa expectativa, em meio a desolamento, era de que hoje a chama da utopia ainda estivesse reluzente. A aposta, contudo, era por um avançar de Ciro ao segundo turno, enquanto o sonho extremo era por Ciro e Haddad na decisão final.

Veja, Haddad, que em momento algum eu cito seu nome como opção de voto nessas polarizadas eleições. Ora, se o reconheço como o melhor ministro da Educação da história e não o associo a corrupção ou escândalos, então por que tenho preterimento? Minha resposta é: a desfragmentação do projeto chamado PT. Duas semanas atrás eu até sinalizava com a possibilidade de votar em você, como alternativa para evitar o caos já no primeiro turno. Vê-lo como extensão de Lula, pra mim, não é problema, pois tenho críticas ao ex-presidente mas, ainda mais severas são minhas críticas à Justiça e ao sistema que tornam preso político o maior líder social da América Latina pós-Guerra Fria. Seu problema, Haddad, está na associação de seu nome a figuras nefastas como Zé Dirceu, que anunciara publicamente a retomada do "nosso" poder, concomitante a seu crescimento nas pesquisas.

Nesse domingo à noite eu assistia seu discurso de passagem para o segundo turno e compartilhava com amigos a amargura por não ver o alavancar da candidatura de Ciro para o segundo turno, ao passo em que, não tem jeito, assumia a condição de, em segundo turno, votar em Haddad. E enquanto eu falava e ratificava que votarei em Haddad e, por tabela, no PT, meio que silenciava ao ver, a seu lado, figuras que me causam repugnância nesse que um dia foi, literalmente, o Partido dos Trabalhadores. Gleise Hoffman está no mesmo patamar de Zé Dirceu, Pallocci, João Paulo Cunha e outros figurões cujo passado tantos riscos causam a um projeto que, agora, pode voltar a ser sério. Ela estava ao seu lado na foto.

Daqui a pouco saem as primeiras pesquisas de opinião para o segundo turno. Em duas semanas, novas eleições. Muito pouco tempo para mudar uma tragédia anunciada, porém uma eternidade se mensurarmos a associação de sua candidatura, Haddad, a essas páginas que o seu PT precisa virar e colocar no passado. O pior pesadelo foi vencido ontem, com a confirmação de que teremos segundo turno. Você vem de uma candidatura com menos de um mês, contra um candidato que começou sendo voto de protesto e personagem cômico de programas de humor na televisão, exposto pela mídia há quatro anos. Quarenta e oito meses contra menos de um mês de exposição é sagaz injusto.

Todo discurso, Haddad, tem hospedeiros e parasitas. O dono do discurso competente hospeda o protagonismo, carregando no ombro os oportunistas. Já na primeira aparição pública sua como possível futuro presidente reapareceram zumbis da tragédia petista, colocando em xeque aquilo que você narra como proposta para um país voltar a fazer a diferença fazendo diferente. Aderir ou aceitar esses parasitas sobre seus ombros torna-se uma contradição entre aquilo que você fala e aquilo que você pode praticar.

Nosso desafio, na utopia de esquerda, é encarar a parte azul do mapa, relacionada à direita e à extrema direita, e avançar de maneira a mostrar ao país que o Nordeste não é, como seu adversário diz, uma região  que tem brasileiros como outro qualquer (sic). Não existe brasileiro como outro qualquer; existe candidato qualquer, especialmente aquele que não sabe responder a uma pergunta relacionada a projeto social que fundamente suas faraônicas e surreais promessas de combater a violência fomentando a violência e estabelecer a igualdade financiando o ódio.

De sua parte, Haddad, resta mostrar não a mim, mas à parte do eleitorado que igualmente tem suspeição sobre seu projeto via PT, que suas propostas não são quaisquer propostas e que seu discurso de fazer a diferença na polarizada disputa não se revele a mesmice que afundou seu partido em um caos que só a popularidade de Lula salvou.

Agora, Haddad, a associação de seu nome a Lula atingiu o limite, esgotou. Seu sucesso no segundo turno está centrado na suficiência de um discurso que expurgue parasitas e agregue forças novas, com a sua juventude. A sobrevivência das universidades públicas e de uma sociedade livre está nas suas mãos. Ou melhor, está na ordem do seu discurso, construído coletivamente com as forças com quem você vai alimentar seu trajeto daqui até 28 de novembro. Não jogue tudo abaixo.

#HaddadNele


* Professor do ensino público superior, jornalista e historiador, é mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

CAUSOS SURREAIS - A padaria do seo Saraiva, que fecha às 9h e reabre às 16h

Cláudio Messias*

Raros e excetos leitores, cá estou de volta. Espero, com mais assiduidade de postagens em comparação aos últimos 12 meses, período em que interrompi a hibernação de dois anos para concluir a tese de doutorado defendida na USP em fevereiro do ano passado. Sem espaço, nem tempo, muito menos paciência para discutir ideologia política, partidarismo ou qualquer coisa relacionada a esse poder hegemônico podre, nefasto, que faz amigos tornarem-se inimigos e donos de padaria espantarem clientes.

O que tem a ver dono de padaria com tudo isso? Explico.

Como é do conhecimento de meus seguidores cá no Blog, ou nas redes sociais, sou um paulista de Assis que desde 2010 vem a Campina Grande, na Paraíba, em um desafio acadêmico materializado em compromisso formal, via concurso público, em 2014. Tenho imensa paixão por essa terra, a que denomino, nessas páginas do Blog, como Campina (meu) Grande (amor).

Estou, hoje, residindo no quinto imóvel, alugado, desde que para cá mudei meu endereço profissional. Um apartamento situado em térreo, por recomendação médica após o coração velho de guerra, mesmo com a cirurgia que lhe aplicou quatro safenas e uma mamária, ter dado sinal, no Dia dos Pais do ano passado, de que nem tudo deu certo naquele procedimento cirúrgico de fevereiro de 2015.

Estou em um condomínio que tem dois prédios, no bairro Catolé. Muito, mas muito distante mesmo da universidade pública onde leciono, pesquiso e estendo minhas atividades acadêmicas para a comunidade. Só que, em contrapartida, tenho o sossego para a realidade de uma cidade com anunciados 440 mil habitantes, no Brejo paraibano. Em postagens vindouras vou mostrar que esse sossego não é bem um sossego, mas, está valendo.

Aquele dono de padaria, a quem denomino seo Saraiva, em alusão ao saudoso personagem do Zorra Total, interpretado por Francisco Milani, tem ponto comercial quase em frente ao condomínio. E quando para cá mudei, em fevereiro último, lamentei com o porteiro o fato de haver uma porta comercial de padaria, porém fechada. E, então, fui informado de que aquela padaria funcionava, sim. Mas em horário especial.

O tal do horário especial eu não sei quando começa, pela manhã, nem quando termina, à noite. É certo, apenas, que as portas são baixadas às 9 horas e a padaria só reabre às 16 horas. Estranho isso. Confesso nunca ter visto algo parecido pelos tantos territórios por onde passei nesse planeta, dentro ou fora do Brasil. Na Europa, tudo bem, é parte da cultura de alguns países a sesta do almoço, com o comércio fechando por volta de meio-dia e reabrindo no meio da tarde.

Situação semelhante, mesmo, eu vi em Assis, a nossa Sucupira do Vale, num açougue que funcionou, sob arrendamento, na rua André Perini, ali por volta de 2006/7. O dono fechava o açougue às 13 horas. Ora, quem chega em casa a essa hora e quer comer um bife rápido, fica só na vontade? Sempre achei estranho aquilo. Só que uma coisa é brigar com padeiro. Outra, mais séria, é discutir com açougueiro...

Fiquemos no assunto de pães... 

Em questão de duas semanas vivenciei, em primeira pessoa, três circunstâncias que considero interessantes de ser relatadas na condição de causo. Na primeira delas, fui à padaria ali pelas 7h20, pois o café já estava passado, a manteiga e o queijo coalho estavam sobre a mesa e só faltava o pãozinho. Lá cheguei e seo Saraiva estava anotando algo naquilo que parecia uma caderneta. Havia outra pessoa do lado de cá do balcão e deduzi que fosse um cliente, comprando fiado (cliente parado, padeiro anotando...).

Esperei um pouco, mais um pouco, e a pressa me fez questionar seo Saraiva se poderia, ele, me vender dois reais em pães. Afinal, daqui até a universidade, em horário de rush, levo em torno de 20 a 25 minutos. Assim, para estar na sala de aula às 8 horas preciso sair com o carro do condomínio no máximo 7h35.

Seo Saraiva não me respondeu nada, mas continuou anotando sei lá o que naquela página de papel. Olhei delicadamente para o sujeito que estava ao lado, anterior à minha chegada, e ele fez como quem não sabia de nada do que ocorria. Daí percebi que ele trajava roupa semelhante à de quem trabalha no campo, especificamente com gado e mais precisamente na ordenha de vacas. Pronto. Era o entregador de leite. E como haver pão sem leite?

Claro, esperei mais um pouco. Só mais um pouco. E já pedi para ser atendido, pois realmente estava com pressa e ele, o padeiro, não estava vendendo pães àquele sujeito ao lado. A resposta veio curta, grossa e peluda: "se está com pressa, vá embora sem pão". Nesse exato momento uma senhora chamou lá de dentro, vendo a situação por um vidro e ouvindo a voz delicada daquele que parece ser seu marido, perguntou: "é pão que o senhor quer?". O marido tratou de responder por mim: "é, sim, mas ele vai esperar".

A senhorinha veio, perguntou quanto eu queria de pão, me deu os oito pães franceses que se compram com 2 reais, e eu, então, voltei correndo para o apartamento. Não para comer, mas, para pegar meus materiais e seguir para a universidade, pois os 10 minutos que consumo tomando café da manhã foram embora na conta de seo Saraiva.

Aí você, raro e exceto leitor, deve estar deduzindo: claro, Messias nunca mais pisou naquela padaria. Não é bem assim. É difícil, reconheço, conseguir comprar o pão do seo Saraiva. Mas, quando você consegue, compensa. Eita pãozinho bom! Minha norinha, Júlia Bastos, cuja família é proprietária de padaria em Tarumã, cá esteve dias atrás com meu filho, comeu desse pãozinho sofrido de se comprar e concordou: o danado é gostoso. E a padaria fica bem em frente de casa, do outro lado da rua.

Pois bem, voltei à padaria do seo Saraiva nessa segunda-feira. Mesma história: 7h25, horário apertado para tomar o café da manhã e seguir para a universidade, já encerrando o semestre letivo (por conta de greves em 2012 e 2015 o calendário acadêmico está, ainda, em adequação). Pedi os mesmos 2 reais em pães, o padeiro colocou-os na sacolinha plástica branca e eu dei uma cédula de 10 reais. Pra quê?

Seo Saraiva puxou a sacolinha de volta e disse: "não tenho troco". E perguntou se eu não tinha trocado. Claro que não tinha trocado, pois para ir à padaria em frente de casa não levo carteira, só o dinheiro. E se tinha uma cédula de 10 reais, não tinha de 2 reais. Ele, então, me deu uma alternativa para não ficar sem pães: "o senhor ou leva dez reais em pães ou leva 5 reais em pães e os outros 5 reais em outra mercadoria que escolher".

Mais uma vez saí da padaria sem tomar café da manhã antes de ir para a universidade. Dessa vez, porém, em vez dos pães levei de volta, apenas, a nota de dez reais. Em 48 anos, cinco meses e 11 dias de vida eu nunca havia recebido a recusa de venda de algo a mim, com o dinheiro em mãos. E dessa vez nem a senhorinha veio interceder.

Minha teoria para a falta de troco: quem manda abrir sei lá que horas e fechar às 9? Claro, ponto comercial assim não tem circulação de dinheiro. Minha suspeita para a mesma situação de falta de troco: o leiteiro passou antes e zerou o caixa.

Por fim, hoje pela manhã uma equipe da prefeitura veio cortar uma árvore que fica no canteiro central, em frente à entrada do condomínio e, igualmente, quase em frente à padaria. Fui colocar o lixo na lixeira do prédio, na calçada, e deparei com a cena: homens e máquinas interditando a rua, pois as pedras (sim, aqui parte das ruas é pavimentada por pedras semelhantes a paralelepípedos) haviam sido retiradas para extração das raízes da árvore, que causavam estragos na via pública.

Fui até a lixeira e na volta eis que testemunho seo Saraiva discutindo com aquele que, parece-me, era o mestre de obras. Lamentava, o padeiro, que estava perto de fechar, ou seja, já era quase 9 horas, e havia sobrado muito pão, provavelmente porque seus clientes não conseguiam chegar até a padaria por causa da obra. 

O responsável pelo serviço da prefeitura tem lá seus hormônios com pelos de sobrancelhas de Saraiva e literalmente saraivou com palavras: "pois seus clientes vêm comprar pão de que jeito, voando?".

Ninguém riu. O silêncio pairou. Seo Saraiva virou a costas e voltou para a padaria, enquanto eu seguia meu caminho de volta. Entrei e flagrei o porteiro caindo no riso, por conta da situação. Imediatamente ouvi, em meio ao barulho de moto-serra e trator, o som da porta da padaria sendo baixada. 

Às quartas-feiras não dou aulas pela manhã e, portanto, faço minha tapioca com queijo coalho para o café matinal. Demorou, mas vi seo Saraiva perder uma. 

Amanhã, com certeza, vou lá, cedinho, comprar pão. Com moedas trocadas e aquele sorriso que você guarda por dentro da boca, quase gargalhando.

* Jornalista, historiador e professor universitário, é doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

quarta-feira, 21 de março de 2018

FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA - 21MAR

FIM
Uma faixa estampada na fachada de uma das mais tradicionais lojas de confecções da Sucupira do Vale anuncia o fechamento do estabelecimento. A Casa São Jorge está colocando artigos à venda por até 70% de desconto. Se não for jogada de marketing, com certeza e um triste desfecho para uma loja que consolidou-se, no tempo, como referência na revenda de marcas de vestuário hoje representadas em vitrines de lojas de shoppings.

REVIGORADO
A rede Walmart, especulada por publicações como a Exame acerca de uma possível saída do Brasil, surpreendeu o setor de varejo com uma reestruturação em nível nacional. Bom para Assis, que na mesma linha de especulações perderia a filial local.

REVIGORADO II
Quem, a exemplo do blogueiro, prefere compras no Walmart, tem notado, após o Carnaval, um ambiente mais revigorado. E, por consequência, estacionamento repleto de veículos. Além disso, número maior de caixas para efetivação das vendas.

REVIGORADO III
No Nordeste, onde o Walmart denomina suas lojas com a bandeira Bom Preço, algumas mudanças em 2018. No retorno a Assis, semana passada, por exemplo, o blogueiro notou que a loja Bom Preço nas proximidades do aeroporto internacional dos Guararapes está, agora, com a fachada característica do Walmart.

REVIGORADO IV
Em Campina Grande a bandeira Bom Preço tem três grandes lojas, duas delas com perfil de hipermercado. Ambas continuam com a mesma fachada, porém, conforme novo cronograma de gestão anunciado para esse ano, também passarão a ser bandeira Walmart.

CAUSA X CONSEQUÊNCIA
Nessa rotina de deslocamentos entre Assis e Campina Grande o blogueiro tem, desde 2010, testemunhado alguns eventos, digamos, interessantes, relacionados a tráfego por aeroportos. Nada pode ser comparável à inflação de preços das passagens pós-Copa 2014 (o pior 'legado' desse fatídico Mundial), mas um detalhe na legislação de despacho de bagagens, vigente desde 2017, merece um pitaco.

CAUSA X CONSEQUÊNCIA II
Tanto pela Azul quanto pela Gol, companhias aéreas que o blogueiro mais utiliza para ir a ou voltar de Campina Grande, o preço médio, a mais, para despachar mala de 23 quilos varia de R$ 30 a R$ 40 nesse trecho. Simplificando, algo em torno de 10% do preço da passagem multitrechos.

CAUSA X CONSEQUÊNCIA III
A legislação determina e as companhias aéreas especificam que a bagagem de mão tenha (i) tamanho limitado e (ii) peso determinado em 10 quilos. Acontece, porém, que os checkins são feitos online e, portanto, as empresas aéreas não têm como aferir tamanho e peso das bagagens que os passageiros levam para embarque.

CAUSA X CONSEQUÊNCIA IV
Aí é que começa o problema. Passageiros têm levado malas com tamanho que os compartimentos de bagagens internos das aeronaves não comportam. O resultado disso é que se antes você sentava abaixo ou a pouca distância do compartimento onde colocou a bagagem de mão, agora, de não pegar bom lugar na fila de embarque, certamente ficará a metros de sua posse. E isso, claro, atraso o desembarque e gera ainda mais confusão que o normal, considerando que o brasileiro é desesperado para desembarcar de circular, ônibus, trem, metrô, avião ou nave espacial.

CAUSA X CONSEQUÊNCIA V
Nessa mais recente viagem o blogueiro perguntou aos funcionários da Receita e da Polícia Federal que vistoriam bagagens de mão no acesso à área de embarque, em Recife, sobre a competência quanto à verificação de tamanho e peso das malas. A resposta veio em tom de boa ironia pernambucana, supondo que a legislação de despacho de bagagens possa ter sido elaborada por alguém que desconhece a rotina de embarque e desembarquem, sem, portanto, indicar como será feito para que cada passageiro transporte apenas 10 quilos. Faz sentido.

BOM GOSTO
A diretoria do Vocem está utilizando as redes sociais para divulgar os uniformes que o time vestirá em 2018 para a disputa do Campeonato Paulista, que começa em abril. A novidade é que podem ser comprados, pelos torcedores, três modelos de camisa. Além da tradicional vinho e branco, uniforme número 1, há opções com predomínio na cor branco, sendo uma com uma cruz estampada no peito e a outra com inversão de cores do uniforme 1, ou seja, branco com listras em vinho.

TUDO NORMAL
Blogueiro confessa ter prenunciado caos com a alteração de trânsito que devolveu mão dupla de direção à avenida Rui Barbosa, trecho entre a quadra da Prefeitura e o Ônix Hotel. Passados alguns meses, a tradicional caminhada de final de dia em que o comunicador faz esse trajeto confirmou, no rush das 18 horas, que não há nada de anormal no trânsito naquele trajeto.

TUDO NORMAL II
Aliás, cabe ressaltar, aqui, algo que os moradores da cidade, habituados na correria do dia a dia, talvez não percebam: ao menos na região central, Assis está uma cidade bem cuidada, se comparada a outros centros de porte semelhante. Projetos urbanísticos iniciados na gestão Ezio Spera, mantidos por Ricardo Pinheiro e hoje continuados pela atual gestão fazem de Assis uma bela cidade.

CONTRAPONTO
Nada que justifique, por exemplo, o recapeamento asfáltico na rua em três quadras que circundam a casa do prefeito, enquanto a cidade por completo padece com uma buraqueira vergonhosa.

CIDADE 'GRANDE'
Blogueiro retorna à Sucupira do Vale e depara com outra empresa prestando serviços de transporte 'público'. E lê, no site de notícias oficial do município, que a Brambilla socorreu a prefeitura, após quebra de contrato com a empresa anterior. O que surpreende é a contrapartida do município a essa ajuda, pois o preço de R$ 4,00 pela passagem é um dos maiores absurdos da história do setor nessa cidade.

CIDADE 'GRANDE' II
Na mesma semana da chegada do blogueiro o Não Tem Notícias 1.a Edição mostra que em Botucatu a prefeitura irá subsidiar parte do preço da passagem no transporte público. E lá, que é maior do que aqui, o preço do bilhete é de R$ 3,80.

TEM NADA NÃO
E por falar em TV Tem, o jornalismo da afiliada regional da Globo continua o mesmo. Ou seja, muito ruim. Preparar almoço ou fazer refeições ao meio-dia assistindo ao canal é de tirar a fome de qualquer um. Apresentador é um misto de pastor, padre e palestrante de auto-ajuda, e as edições fogem da normalidade. Ao ponto de, nessa quarta, reportagem sobre confusão envolvendo o Marília Atlético Clube afirmar que determinado atleta, que pediu rescisão contratual com o clube, ter sido agredido por jogadores, quando, na realidade, as imagens mostraram eventual desentendimento com torcedores. Que coisa!


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA - 02JAN2018

AGUACEIRO
Demorou para começar a chover, mas quando as torneiras foram abertas... Desde 18 de dezembro Assis não ficou um dia sem chuva. Mais impressionante do que isso é o volume de água, pois do dia 26 de dezembro até a manhã dessa terça-feira, 2, choveu o acumulado de 81,3 milímetros na Sucupira do Vale.

AGUACEIRO II
Segundo números do Ciiagro, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, dezembro foi, também, um dos meses de temperatura média mais amena das últimas décadas. A madrugada do dia 27 de dezembro, por exemplo, registrou 18,9 graus, com sensação térmica de 16 graus, devido à umidade. Muita gente, pois, pegando cobertor para dormir.

AGUACEIRO III
Se o cobertor saiu dos roupeiros, teve muitos pães e panetones que emboloraram por esses dias de festas. Até porque, desde o dia 26 de dezembro a umidade relativa do ar ficou na casa dos 99%. somente no dia 30 de dezembro ela baixou para 98,7% em Assis.

TIRO NO PÉ
Quanto maior o movimento de consumidores, maior a probabilidade de um estabelecimento comercial registrar reclamações por insatisfação, principalmente no que diz respeito a atendimento. Fim de ano, portanto, os índices de reclamação batem recorde nos setores de atendimento dos supermercados. Aqueles que levam a sério o negócio fazem dessas reclamações a pauta de mudanças que podem implicar em melhor satisfação do bem mais precioso, ou seja, aquele que tem dinheiro no bolso e escolhe determinado ponto comercial para gastar.

TIRO NO PÉ II
Blogueiro não usa declarações de outrem para registrar situações de reclamação de estabelecimentos comerciais cá nesse espaço virtual. E nem precisa, pois, consumidor que é, depara-se com bizarrices e, outrossim, as traz para cá, para compartilhamento de angústias. Nesse período recente de festas, claro, os desaforos para com os consumidores excederam a cota.

TIRO NO PÉ III
Tendência desde que redes como Carrefour, Pão de Açúcar e Walmart expandiram suas redes além das capitais, chegando ao interior, as marcas-próprias começaram a ganhar força entre as redes nanicas. É nesse contexto que a marca Nida, da Rede Avenida, proliferou por prateleiras da empresa da família Binato, muitas vezes ocupando lugar de marcas consagradas e/ou tradicionais.

TIRO NO PÉ IV
A Rede Avenida, no entanto, misturou um pouco as coisas quando lançou o refrigerante de sua marca-própria. Pode ser coincidência, mas depois que o tal refrigerante, fabricado pela Casa di Conti, de Cândido Mota, entrou nas geladeiras das lojas Avenida, o tradicional refrigerante Cristalina desapareceu na opção climatizada, sendo encontrado somente "quente" e ainda assim alguns centavos mais caro do que o Nida.

TIRO NO PÉ V
Nesse fim de ano o blogueiro deparou com problema idêntico verificado no feriado de 12 de outubro. Ao tentar comprar uma caixa de litrões de cerveja SubZero, a informação, no balcão de vasilhames, de que havia, somente, litrões da cerveja Conti. Ou seja, você se dá ao trabalho de carregar o peso da caixa de litrões até o interior do supermercado para, então, ser informado de que as cervejas Skol, Brahma e Subzero não estão sendo vendidas naquela versão de vasilhame. Detalhe: o vasilhame da Ambev não serve na compra de litrões da Conti.

TIRO NO PÉ VI
A informação, no setor de vasilhames, era de que a Ambev, fabricante das marcas Skol, Antártica, Subzero e Brahma, não deu conta de atender à demanda de fim de ano da Rede Avenida. Leia-se, pois, que o apreciador de boa cerveja consome produtos da Ambev, e se está sobrando Conti é porque essa vende menos. Nessa lógica comercial argumentada pelos funcionários dos Binato's, refrigerante Cristalina vende mais que Nida porque, apesar de ser mais caro, tem mais saída.

ENFIM...
... blogueiro comprou litrões de SubZero na loja local do Amigão. No Natal e no Ano Novo. Na primeira ocasião foi necessário reabastecer a caixa de litrões, o que foi feito na conveniência instalada no pátio do Posto Park Buracão. Local, pois, onde a Ambev abastece com regularidade, apesar da demanda, acima da média.

TILT
Assinantes da Cabonnet estão reclamando publicamente do serviço de internet banda larga. E não é somente em Assis, não. No site www.reclameaqui.com.br a empresa aparece com 805 reclamações,  sendo a totalidade 'respondida', ou seja, tendo sido dado o feed back ao cliente insatisfeito. Só em 2017 foram feitas 320 reclamações acerca de algum tipo de problema entre assinantes e Cabonnet.

TILT II
No geral, a Cabonnet solucionou os problemas para 72,5% dos reclamantes. Em 2017, no entanto, esse índice de solução caiu para 69,4%. A nota geral da empresa caiu para 4,96 no ano passado, ante a média geral de 4,97. Mas, já foi pior: 4,85 em 2016.

TILT III
De cada 100 reclamantes da Cabonnet, 57,1 argumentam ao ReclameAqui que voltariam a fazer negócio com a empresa.

NOVELA
A histórica é cíclica, e o futebol comprova isso. Comum ver um prefeito que assume o cargo jogando a culpa no antecessor pela interdição de determinado estádio de futebol. Em Assis, isso se repete desde que a bola de jogo é redonda.

NOVELA II
Um ano atrás, assim como em temporadas anteriores, o site Assiscity divulgava que o estádio Tonicão estava interditado pela Federação Paulista de Futebol, cutucando a culpabilidade, para tal irresponsabilidade, ao ex-prefeito Ricardo Pinheiro. Esse, por sua vez, quando assumiu, teve de apelar ao apoio empresarial local para adequar o eternamente inacabado Tonicão, herança anunciada à época como vindo do ex-prefeito Ezio Spera, daí por diante...

NOVELA III
Chegamos aos primeiros dias de 2018 e eis que o inacabado Tonicão está interditado desde o dia 20 de novembro de 2017. Um ano atrás a incompetência era de Ricardo Pinheiro, Ezio Spera, Carlos Nóbile, Romeu Bolfarini, Zeca Santilli, até chegar ao Capitão Francisco de Assis Nogueira e seus cavalos. Agora, no segundo ano de mandato, a quem a culpa será atribuída?

NOVELA IV
De 27 estádios pré-listados pela Federação para a disputa da Segundona Brava em 2018, 11 estão interditados, ou seja, vetados para a disputa de jogos oficiais enquanto as instalações não estiverem em condições mínimas (e olha que essas condições mínimas são o mínimo do mínimo!). Do Oeste Paulista, somente Assis e Jaú estão em situação irregular. Osvaldo Cruz e Presidente Prudente estão com os respectivos estádios liberados para a Segundona.

NOVELA V
De novo, o inacabado Tonicão, que não tem cobertura de arquibancada, encontra-se vetado pelo laudo de prevenção e combate a incêndios, emitido pelo Corpo de Bombeiros no dia 28 de novembro do ano passado, também conhecido como pouco mais de um mês atrás. Como há, na política da cidade, a cultura das medidas paliativas, de novo, no fechar das cortinas, o 'jeitinho brasileiro' será aplicado e o estádio será liberado para, novamente, em novembro próximo, voltar a ser interditado.

NOVELA VI
A vergonha não para aí. De cinco laudos de vistoria necessários para seu funcionamento, o Tonicão tem 4 'aprovados com restrição'. O quinto, como já citado, encontra-se reprovado. Isso demonstra, e bem, o quão 'valorizado' é o esporte na cidade que por mais de uma vez já foi sede dos Jogos Regionais nos últimos vinte anos Belo legado!

HAJA 'ENSES'
No segundo semestre de 2017 houve uma série de especulações sobre a reativação de clubes tradicionais da região, que fizeram história nas divisões inferiores do Campeonato Paulista a partir dos anos 1980. Os Clubes Atléticos Candidomotense e Paraguaçuense, bem como o Palmital Atlético Clube devem continuar 2018 da mesma forma como encerraram suas participações me torneios oficiais.

 CÁ ENTRE NÓS... 
... e a situação do contrato entre o município de Assis e a Sabesp, como fica?