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segunda-feira, 6 de julho de 2015

CLASSIFICAÇÃO GERAL - Quem começou bem, caiu; quem estava mal, subiu

Cláudio Messias*

Agora, podemos dizer, a Segundona 2015 é um campeonato com ida, sem volta. Passadas 12 rodadas, a Primeira Fase da competição atinge 2/3 de seus jogos realizados. Sim, faltam seis rodadas para que 12 dos 30 clubes em disputa definam, na Segunda Fase, quem chega à Série A-3 em 2016.

Bastaram três rodadas nesse returno da Primeira Fase para que máscaras caíssem. Clubes que vinham dominando o denominado G-12, ou seja, seleto grupo dos 12 melhores entre os três grupos em disputa, caíram assustadoramente de produção. E quem encontrava-se na zona intermediária de seus grupos alavancou sequência de resultados positivos.

A briga pelas quatro vagas de cada chave está acirrada. Cada um dos três primeiros colocados soma praticamente a mesma pontuação. Grêmio Prudente e São Carlos, respectivamente nos grupos 1 e 2, somam 26 pontos e as mesmas 8 vitórias. O São Bernardo, que por muitas rodadas figurou como o melhor time em desempenho, sustentou invencibilidade até o final de semana passado. Derrotado pelo recuperado Jabaquara (1x0), parou nos 25 pontos, mas ainda lidera o Grupo 3.

O Atlético Assisense é uma das boas surpresas dessa reta final da Primeira Fase. Saiu da zona intermediária, engrenou uma reação que coincide com a vitória no derby contra o Vocem, no primeiro turno (2x0) e, favorecido pela goleada histórica sobre o José Bonifácio (7x2), domingo, chega aos 22 pontos na condição de terceiro melhor ataque da Segundona, empatado com 23 gols marcados com São Carlos e Grêmio Prudente, líderes de suas chaves. O Falcão do Vale é vice-líder do Grupo 2, empatado com o Noroeste e favorecido pelo fator gols marcados.

Situação perigosa vive o Vocem. De líder do Grupo 1 no primeiro turno, agora é quarto colocado e tem a sombra do Fernandópolis, dois pontos atrás: 19. O Esquadrão da Fé queimou todas as boas gorduras que construiu em 12 rodadas. Agora, caso tropece, pode ser ultrapassado pelo Fefecê e ainda vê um América que, com 17 pontos, voltou à briga por vaga no G-4. O ataque do time de Assis parou nos 17 gols marcados, que rendem saldo de 8 tentos, ante 9 do Fernandópolis.

A chave mais equilibrada do certame passou a ser o Grupo 3. Há um verdadeiro congestionamento de clubes revezando-se, ali, no G-4. A disputa é tão acirrada que o líder São Bernardo soma 25 pontos, ante 24 do Jabaquara. Manthiqueira e Mauaense empatam, em seguida, com 16 pontos e completam o G-4. Mas, têm a sobra de Taboão da Serra e Portuguesa Santista, que têm a mesma pontuação e estão fora da zona de classificação prejudicados pelos critérios de desempate. Além deles, Guarulhos e Suzano somam 14 pontos e vêm em seguida. E, completando o bloco de clubes em condições de ficar com uma das 4 vagas, tem o Diadema, que com 12 pontos é vice-lanterna. Sim, somente o ECUS, com 2 pontos, está totalmente fora da briga, moralmente. Do terceiro ao nono colocado, somente 4 pontos separam quem está dentro do G-4 e quem pode entrar já daqui a duas rodadas.

No grupo de Atlético Assisense e Vocem há somente duas agremiações que brigam, realmente, por vaga no G-4. Fernandópolis e América têm 5 pontos de vantagem sobre Osvaldo Cruz e Tanabi. O primeiro, perdeu fôlego, jogadores e comissão técnica devido a uma crise tornada pública no final do primeiro turno. Já o segundo tem campanha inconstante e precisaria alavancar sequência de vitórias 3 vezes superior à média que apresentou até aqui e, assim, ter chance real de garantir-se no G-4.

No Grupo 2, a Inter de Bebedouro, que começou a reagir na metade do primeiro turno, consolidou-se no G-4 e lá se mantém. Vem de empate com o ex-líder Olímpia, soma 23 pontos e abre dois pontos em relação ao primeiro clube fora da zona de classificação, qual seja, o Elosport. O Olé Brasil completa a lista de clubes em condições de brigar moralmente por vaga na chave, somando 18 pontos, cinco a menos que a Inter.

Panorama - Na Classificação Geral organizada pelo Blog, resultado do cruzamento de todos os desempenhos entre os 30 participantes da Segundona, alguns detalhes chamam atenção. O Fernandópolis, por exemplo, que no Grupo 1 não aparece no G-4, é dono de uma das 12 melhores campanhas da temporada, Tem melhor campanha que Manthiqueira e Mauaense, do Grupo 3. Igualmente, o Elosport, que é quinto colocado no Grupo 2, tem a décima melhor campanha no geral e fica à frente, em produção, por exemplo, em relação ao Vocem.

O ECUS, ou seja, o União Suzano, ficou isolado na condição de pior time do campeonato. Soma apenas 2 pontos, sem uma vitória sequer. Empatou em dois confrontos e perdeu os demais 10 que disputou. Marcou 7 gols e sofreu 33, saldo negativo de 26 tentos. O Desportivo Brasil, apesar de toda a estrutura que mantém em Porto Feliz, amarga a vice-lanterna da Classificação Geral, com os mesmos 6 pontos de Bandeirante e Palmeirinha.

Um dos fatores que fará diferença, daqui por diante, condiz à fragilidade de determinadas agremiações, que praticamente jogaram a toalha na temporada. No Grupo 1, de Atlético Assisense e Vocem, há os casos de Osvaldo Cruz, Bandeirante e José Bonifácio, que amargam declaradas e públicas dificuldades financeiras e se esforçam para conseguir terminar o campeonato e evitar o abandono que os deixaria 5 anos fora de disputas oficiais. A tendência é que os adversários diretos desses clubes, nas 6 rodadas restantes, somem preciosos pontos que podem garantir permanência no G-4.

Seja como for, muita emoção deve marcar, novamente, o desfecho da Primeira Fase. Não há favoritos declarados, de maneira que 20 dos 30 clubes inscritos ainda mantêm viva a esperança de, na Segunda Fase, brigar por uma das 4 vagas na Série A-3. E esse é o único fator que faz a Segundona Brava ter graça, pois no que dependeu da organização formal da Federação Paulista de Futebol, com um Regulamento ridículo em 2015, o torneio perdeu seu brilho principal, que é a base reveladora de jogadores com idade abaixo dos 23 anos.



* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

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