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domingo, 7 de junho de 2015

ANÁLISE - América vira pra cima do Fefecê e garante Atlético Assisense no G-4

Cláudio Messias*

O desfecho da oitava rodada da Segundona 2015 comprova que o momento, agora, é de todos terem a cabeça no lugar. À exceção do Grêmio Prudente, incontestavelmente o melhor time do certame até aqui, mais da metade dos 30 clubes em disputa tem condições reais de brigar por uma das quatro vagas na Série A-3 de 2016. Sofrer uma ou duas derrotas, atualmente, não representa absolutamente nada. Ninguém, pois, mostra que está sem condições de brigar pelo acesso.

Faço esse enunciado com base no que acompanhei sobre o jogo realizado no estádio Teixeirão, em Rio Preto, na manhã desse domingo. O Fernandópolis, que não me agradou quando o vi jogar, foi muito melhor que o América, mandante, mas não soube transformar esse domínio em placar definitivo. Abriu o placar aos 36 minutos do primeiro tempo, com Jean Pierre, porém cedeu no final do segundo tempo. Aos 36 minutos finais Geninho empatou para o América e oito minutos depois saiu a virada com Sidney. Placar final: América 2x1 Fernandópolis.

Na transmissão da rádio Difusora 1160 AM, de Fernandópolis, o jogo foi do visitante Fefecê. No primeiro tempo o América chegou a acertar a trave duas vezes, mas aquilo não resumiu a realidade do jogo. Na etapa complementar o domínio dos visitantes foi ainda maior, desperdiçando ao menos duas oportunidades reais. Até que, depois de ocorrer o empate, em falha individual na zaga do Fernandópolis, o América mudou a própria trajetória no certame e voltou a respirar oportunidade para sonhar com uma das 4 vagas na Segunda Fase, às véspera do fechamento do Primeiro Turno.

Convido o raro e exceto leitor para voltar à realidade do Grupo 1 três rodadas atrás. Ou seja, na quinta rodada o panorama da chave mostrava Fernandópolis e Atlético Assisense compondo a terceira e a quarta colocações, tendo o América em sexto e o Noroeste na vice-lanterna com apenas 4 pontos. Passadas três rodadas o Fernandópolis está fora do G-4, o Noroeste pulou para a terceira colocação e o Atlético Assisense continua na quarta posição. Regularidade, pois, no trabalho do Falcão do Vale e atenção merecida no trabalho do Noroeste, que anunciou parceria com a Ferroviária, de Araraquara, e parece trilhar caminho dentro de campo e nas políticas da Federação Paulista de Futebol para chegar à Série A-3.

A necessária tranquilidade a que me refiro, agora, condiz aos caminhos que o Regulamento da Segundona delineia. Até terça-feira, ou seja, depois de amanhã, os clubes podem, ainda, inscrever jogadores, dentro da limitação de 28 contratações. É o momento em que os clubes em melhores condições de projeto podem proceder alterações no elenco, consolidar reforços e, definitivamente, fechar o elenco que conduzirá à concretização do que foi planejado. Não é hora, pois, de mexer em comando técnico, mas, sim, de ajustar as peças com as quais cada treinador mexe o tabuleiro. Eu, de minha parte, não acredito em coincidências, sorte ou azar. Há trinta anos vejo a competência gladiando, sim, com as interferências políticas advindas da Federação Paulista de Futebol.

Os dois clubes de Assis entram na última rodada do Primeiro Turno compondo o G-4 do Grupo 1. Aponto a irregularidade do Fernandópolis desde o início do campeonato e vejo o Vocem reabilitando o trabalho com sua marca nessa temporada: vencendo o Fefecê no estádio Claudio Rodante, em Fernandópolis, na noite da próxima sexta-feira. O momento exige parar de olhar para o Grêmio Prudente e mirar tão somente a própria produção, deixando para a Segunda Fase a circunstância em que cada um mostrará quantas garrafas vazias tem para vender.

Já o Atlético Assisense precisa manter a regularidade mostrada em oito rodadas. É, sim, capaz de vencer fora de casa, pois os dois últimos confrontos assim mostraram (vitórias frente aos mandantes Tanabi e Vocem). Mas, em contrapartida, o Falcão do Vale também precisa parar de perder como mandante, já que foi derrotado duas vezes consecutivas no Tonicão e, assim, viu distanciar sua classificação perante ao G-4. Os investimentos financeiros, todos sabem, não é dos melhores, mas, com certeza, é um parâmetro mais sólido se comparado a outras temporadas. Com pés no chão, dá, sim, para acreditar na classificação para a Segunda Fase, mas, ainda é cedo para confiar que esse trabalho colocará o Falcão do Vale na Terceira Fase, que dá a vaga na A-3

Olhando para os demais clubes que disputam a Segundona meu centro das atenções é mantido em três agremiações: Olímpia e Inter de Bebedouro, no Grupo 2, e no São Bernardo, no Grupo 3. Os dois primeiros têm tradição de consolidar trabalhos que os coloquem na Segunda Fase a cada temporada, enquanto o São Bernardo é um projeto estruturado a partir de 2014, com fortes laços políticos com a Federação Paulista de Futebol. Não leva torcedores a estádios, mas recebe jogadores da base, por exemplo, do Palmeiras. Só nessa semana, três reforços serão inscritos nos setores de defesa, meio-campo e ataque do time do ABC.

Há, nesse cenário, clubes que correm por fora e que precisam ser analisados desde já pelos demais grupos, uma vez que daqui a dez rodadas haverá cruzamento entre as chaves. Diadema e Jabaquara são dessas agremiações que mesclam amadorismo e profissionalismo. Ambas as equipes perderam pontos no TJD por irregularidades administrativas, mas nem por isso estão fora da briga. O Jabaquara, mesmo perdendo 3 pontos, é o terceiro melhor time do campeonato, à frente, inclusive, do Vocem. Já o Diadema sofreu punição mais severa, perdeu 6 pontos e mesmo assim está a 5 pontos da campanha dos 12 clubes cujos números mostram condições de classificação para a Segunda Fase entre os 30 times em disputa.

Equilíbrio, agora, talvez seja a palavra-chave para todos os trabalhos. Com o desfecho de torneios como a Série A-3 os clubes da Segundona com projetos mais sólidos e políticas mais afinadas com a Federação começam a receber reforços, fazendo uso das cartas que guardavam por debaixo das mangas, cenário típico do Regulamento de uma cada vez mais questionável Federação Paulista de Futebol, braço direito da CBF que hoje tem Marco Pólo Del Nero e berço revelador do hoje presidiário José Maria Marin, por sua vez sucessor do réu Ricardo Teixeira.

A Segundona caminha, de maneira que quem organiza os jogos e quem os disputa fazem de conta que são sérios, e nós, apaixonados pelo futebol, fingimos que acreditamos.

Crédito - Acompanhei o desfecho da oitava rodada da Segundona na transmissão da Rádio Difusora 1160 AM, de Fernandópolis, que esteve em São José do Rio Preto para a cobertura de América 2x1 Fernandópolis, no estádio Teixeirão.



* Professor universitário, historiado e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

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