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domingo, 7 de junho de 2015

CLIMA - Campina Grande registra em uma semana 19% das chuvas médias de junho

Cláudio Messias*

O feriado prolongado de Corpus Christi foi chuvoso em Campina Grande e demais cidades situadas a um raio de até 150 quilômetros da costa litorânea do Nordeste, em especial nos estados da Paraíba, do Rio Grande do Norte e de Pernambuco. Ninguém, claro, reclamou. Afinal, o Nordeste volta a passar por um período de secas que só não é mais grave, ainda, do que o registrado no início da década de 1980.

Com população de 400 mil habitantes, Campina Grande é uma das localidades paraibanas que desde o final de 2014 passam por racionamento de água. Até semana passada a companhia de água e esgoto da Paraíba, a Cagepa, suspendia o fornecimento de água a residências e empresas a partir do meio-dia de sábado até a manhã das segundas-feiras. Nesse final de semana prolongado pelo feriado de Corpus Chirsti o racionamento aumentou em mais um dia, com a suspensão no fornecimento se estendendo até as terças-feiras. Não há previsão sobre quando esse controle de consumo irá terminar.

Campina Grande é abastecida por um sistema denominado Boqueirão. A Agência Executiva de Gestão da Água do Estado da Paraíba, responsável pelo monitoramento das precipitações pluviométricas, ou seja, pelas chuvas, indica que até o dia 5, sexta-feira, choveu mais na cidade de Campina Grande (23,6 milímetros) do que no sistema Boqueirão (6,3 milímetros). Não estão, ainda, calculadas as chuvas registradas desde a tarde desse sábado e durante todo o domingo. Só na cidade de Campina Grande, segundo o CPTEC-INPE, pode ter chovido o equivalente a 22 milímetros nesse domingo.

A média histórica de chuvas para junho em Campina Grande é de 110 milímetros acumulados. Em cinco dias monitorados o acumulado chega a 26 milímetros, o que permite prognóstico de que, mantida a média dos últimos dias, a cidade possa superar a casa dos 110 milímetros e, assim, atenuar a escassez de água.

Outras regiões - A chuva que molhou o solo de Campina Grande, porém, não chegou a todas as regiões da Paraíba. De acordo com a Agência Executiva de Águas, de 269 estações monitoradas no Estado, somente 58 registraram chuvas agora em junho. A maior precipitação foi verificada em Itaporanga, com 27,9 milímetros.

A situação continua crítica em praticamente todas as cidades que desde 2014 viram esgotadas as suas reservas. De 124 reservatórios monitorados, somente um, de Araçagi, está sangrando, ou seja, tem água transbordando, corrente. Outros 46 estão com média superior a 20% à capacidade de armazenamento. Ademais, são 39 açudes em observação, com capacidade abaixo dos 20%, e outros 39 açudes em situação crítica, abaixo de 5%. A situação é desesperadora em 10 açudes, que secaram completamente.




* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

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