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terça-feira, 9 de junho de 2015

SEGUNDONA BRAVA - Quase metade dos clubes estoura limite de contratações

Cláudio Messias*

Pela primeira vez terei parâmetros para medir o grau de seriedade da Federação Paulista de Futebol no quesito 'gestão da informação'. Esperei passar o limite das 23 horas para iniciar essa postagem. Explico.

Nessa terça-feira, 9 de junho, esgotou o prazo para que os 30 clubes inscritos para a disputa da Segunda Divisão do Campeonato Paulista inscrevessem jogadores para concluir a Primeira Fase do torneio. E pelo Regulamento cada agremiação poderia, no máximo, inscrever 28 atletas, sendo que 25 deles têm que ter no máximo 23 anos de idade e outros três, facultativamente, idade acima desse limite. É permitido, somente, trocar de goleiro, desde que haja lesão comprovada em perícia médica realizada sob a égide da Federação.

No período da tarde acessei o site da Federação e entrei no status de cada um dos 30 clubes em disputa. Verifiquei um a um os jogadores listados como inscritos, de maneira a conferir, fechado o prazo legal de vínculo lançado pelo BID, da CBF, o que cada clube buscou de contratações ou de rescisão contratual. Fiquei, pois, impressionado com o fato de um número considerável de clubes ter contrato formal ativo com quantia de jogadores acima do estabelecido pelo Regulamento. Admito, pois, ser desconhecedor dos trâmites reais, que podem estar nas entrelinhas, mas coloco-me na condição essencialmente de torcedor para cobrar esclarecimentos da Federação Paulista de Futebol. Afinal, é ao torcedor que as competições devem atender, e não a jornalistas metidos a besta, como parte de mim responde.

Falo e escrevo como torcedor porque no levantamento que, sei, fiz com seriedade e lisura, conferindo sob rigorosa revisão, os dois times de minha cidade, quais sejam, Atlético Assisense e Vocem, não usaram todas as 28 contratações desde já, guardando munição para o desenrolar do campeonato. Logo, são diretamente prejudicadas quando vejo que nada menos que 13 (T-R-E-Z-E) agremiações ultrapassaram as contratações e algumas delas, inclusive, têm no elenco mais de 3 jogadores com idade acima de 23 anos. Tudo como se o campeonato tivesse de ser levado a sério por alguns e fosse motivo de piada (de mau gosto) para os demais. Serei, a partir de agora, marcador dos passos dados pelos clubes que não souberam levar a sério a Segundona até aqui e desde já externalizo ausência de surpresa futura se algum deles for, deslealmente, dono de uma das vagas de acesso para a Série A-3 de 2016.

O Atlético Assisense estourou o limite de 3 jogadores com idade acima de 23 anos. Inscreveu quatro, totalizando 22 atletas no total e podendo, ainda, efetuar duas novas contratações para fechar o que está previsto pelo Regulamento. Já o Vocem apresenta 20 jogadores, sendo 17 dentro do limite de 23 anos e 3 mais velhos. O Esquadrão da Fé pode, ainda, apresentar oito novos reforços, dependendo do lançamento dos contratos efetivados pela Federação. Nada, porém, se comparado ao que fez o Amparo, que tem 17 contratações de atletas abaixo de 23 anos, sendo 3 jogadores mais experientes, e pode reforçar o elenco com um time inteiro de 11 atletas.

A maior bizarrice de número de contratações lançado no site da Federação mostra duas coisas: primeiro, o Desportivo Brasil passa por cima de tudo e de todos quando lança 40 contratações, estourando em 12 o número de jogadores previsto no Regulamento. Além disso, volume de contratações pouco ou nada pode estar relacionado a bom desempenho, uma vez que o Desportivo Brasil, que não tem atletas acima de 23 anos, é um dos piores times da Segundona até aqui.

Quatro clubes administraram exatamente o limite estabelecido pelo Regulamento. Noroeste, Mauaense, Grêmio Prudente e Diadema registraram, até ontem, 28 atletas. Em pontas extremas estão Noroeste e Mauaense. O primeiro, por ter registrado 4 jogadores com idade acima de 23 anos, enquanto o outro registrou apenas um. Grêmio Prudente registrou exatamente 3 atletas mais experientes e o Diadema, dois.

Nessa quarta-feira, com a atualização das contratações pela Federação Paulista de Futebol, será possível ter dimensão sobre o que cada clube poderá manter nesse restante de disputa da Segundona. Farei novo monitoramento no site e não deixarei de recorrer à Ouvidoria na tentativa de saber por que há clubes com número de jogadores inscritos acima do previsto pelo Regulamento. Imagino, pois, que deva haver uma explicação plausível e que, seja ela qual for, os demais clubes que estão administrando seus orçamentos e seus quadros de funcionários no limite da regra, possam saber que enquanto prezam pela seriedade, há espertos que ou vão se dar bem ou, se houver realmente justiça nesse futebol paulista plenamente questionável, o TJD terá de tirar clubes antes mesmo da virada de turno da Primeira Fase.

Em tempo - Faço essa postagem à 0h42 e tenho, aberto, o BID, da CBF, mostrando contratações de  Suzano (4), Manthiqueira (3), Jabaquara (3), Tanabi (2) e Noroeste (1). O time de Bauru ainda aparece com uma rescisão contratual.

Atualização - 10JUN2015, 15h10 - Um profissional que atua no agenciamento de jogadores e detém minha confiança manteve contato nessa quarta-feira e informou que o empresário J. Háwilla não detém mais cota societária junto ao clube Desportivo Brasil, de Porto Feliz. As ações totalitárias do clube, que apresenta 40 jogadores contratados para a disputa da Segundona em 2015 - todos abaixo do limite de 23 anos de idade -, são respondidas pelo chinês Shandown Luguen, proprietário das instalações, desde as categorias de base. 





* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

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