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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Torcida do Assisense fica atrás de Tupã e Jaú na Segundona

Cláudio Messias*

Ouvindo à transmissão da partida Olímpia 1x1 Assisense, ontem, pelas rádios Menina AM e Difusora AM, ambas de Olímpia, fiquei curioso com um comentário. Dizia o cronista esportivo da Difusora de Olímpia que o time não conseguia empolgar a torcida o suficiente para ultrapassar, como nos velhos tempos, os mais de mil torcedores que iam ao estádio municipal "Maria Tereza Breda" nos áureos anos de A-2.

No final do jogo o repórter de campo entra com a estatística oficial fornecida pela Federação Paulista de Futebol. Havia, no estádio, 453 torcedores com ingressos comprados a R$ 12 e a R$ 20. Lá o estádio é coberto e, portanto, justifica cobrar R$ 20 por esse setor. Mas nem é a cobertura que chama atenção. Se os cronistas esportivos olimpienses entendem como pouco o número de 453 torcedores, então o que podemos dizer da média de público que tem comparecido aos jogos do Assisense no Tonicão nessa temporada da Segundona do Campeonato Paulista?

Levei certo tempo mas consultei a súmula online disponibilizada pela Federação para cada jogo realizado este ano nas até aqui 19 rodadas da Segundona. Considerei, apenas, os 16 clubes que encontram-se em disputa na terceira fase da competição. Recorro, pois, às minhas trajetórias por todas essas regiões do Estado de São Paulo afora, ora cobrindo o Vocem, ora cobrindo o próprio Assisense em outras temporadas, ocasiões em que aprendi a desconfiar de alguns números que vêm das bilheterias. Histórias de outrora que agora não convém entrar. Mas, prometo voltar ao assunto em breve.

Recordo-me de um Tonicão com o setor das cabines de imprensa quase lotado no confronto Assisense x Tanabi, em 2004, quando quase 2 mil pessoas pagaram ingresso para rever o clássico regional que remonta à época do Vocem nas décadas de 1980 e 1990. Afora isso, só no jogo de inauguração Vocem x Corinthians e no jogo beneficente que trouxe o cantor Daniel, debaixo de chuva, a Assis em 2005. Eventos em que a entrada ao estádio era condicionada.

O melhor público do Assisense em 2013 foi registrado justamente no último jogo, duas semanas atrás, nos 2 a 0 sobre o União Suzano. Naquela ocasião, 874 pessoas pagaram para entrar no estádio. O pior público foi registrado na rodada 15, uma quarta-feira, no confronto Assisense 2x1 Taboão da Serra, quando 482 testemunhas pagaram ingresso.

E se você, raro e exceto leitor, perguntar o por quê de eu ter citado minha desconfiança sobre bilheteria, eu explico desde já. Não, não tem nada relacionado ao trabalho da diretoria do Assisense. Minha desconfiança vem dos números que os clubes com maior bilheteria na Segundona até agora formalizam nas súmulas, também conhecidas como boletins financeiros. O Água Santa, por exemplo, coloca 32 mil torcedores em 10 jogos realizados em Diadema. Nas rodadas 2 e 5 foram vendidos, cravados, 5 mil ingressos, segundo formalizado nos boletins. Nas rodadas finais e mais importantes, contudo, em vez de o público aumentar ou manter-se estável, cai. No jogo da última quarta-feira, por exemplo, foram 2.412 ingressos vendidos. É o primeiro caso que vejo de torcida que lota o estádio quando tudo é incerto, no começo, e desparece quando o time mais precisa de apoio para chegar à reta final.

A Matonense também protagoniza números 'surpreendentes'. Famosa pelos bingos da década de 1990, começa o campeonato de 2013 com 1.500 torcedores, vai a 4.843 pessoas na rodada 6, mas na segunda fase e início da terceira cai para a média de 600 torcedores. Só voltou a ter bom público ontem, quando 1661 pessoas pagaram ingresso para entrar no estádio municipal "Dr. Hudson Buck Ferreira", em Matão, bem abaixo dos 4 mil torcedores do início.

Nesse universo das somas o Assisense totaliza 5134 ingressos vendidos no campeonato. É preciso fazer a ressalta de que o time de Assis caiu, na primeira fase, em um grupo com número ímpar de equipes e, assim, fez um jogo a menos por turno, dois no total. Tem, portanto, 8 jogos na contabilidade da bilheteria do Tonicão, enquanto os demais clubes têm nove jogos em casa.

Igual situação tem o Tupã, mas só no número de jogos. O time da cidade vizinha levou, em 8 jogos, 9.844 torcedores ao estádio municipal "Alonso Carvalho Braga" nessa temporada. É a terceira melhor média de público do campeonato, considerando que temos as incógnitas do que fazem Água Santa e Matonense com os seus ingressos. Vale ressaltar que o Tupã é presidido por uma mulher. Na gestão, pois, está Fabiane Bizo Menezes.

O Cotia é o time com pior público. Mas, não é descrédito do torcedor. Em 19 rodadas disputadas o time teve 8 jogos em casa até agora, mas somente um, domingo passado, com portões abertos. O estádio municipal "Euclides de Almeida" ficou quase todo o campeonato interditado. Quando foi liberado, recebeu, ontem, 155 torcedores pagantes.

Força da casa - Foi iniciado, hoje, um movimento para que o prefeito de Assis, Ricardo Pinheiro, considere ponto facultativo o período da tarde da quarta-feira, dia 11, nas repartições públicas do município. O objetivo é criar um incentivo para que a torcida compareça ao Tonicão e prestigie a segunda partida do Assisense no returno, contra o Paulistinha, às 15 horas.

De minha parte, infelizmente, não poderei contribuir, pois quis o destino que na semana mais decisiva para o Assisense na terceira fase eu esteja fora da cidade, já no dia 6. Tenho compromissos em Campina Grande, na Paraíba, e cá retorno somente no dia 13 de setembro, quando, espero, o time estará viajando já classificado para Suzano, depois de somar 6 pontos contra Olímpia e Paulistinha.




*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

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