Jovem Pan Online - RSS

domingo, 2 de agosto de 2015

FIM DE JOGO - Atlético Assisense elimina o freguês Tanabi e fica a 1 ponto da classificação

Cláudio Messias*

O Tanabi despediu-se da temporada 2015 da Segundona Paulista sem conseguir reverter o tabu de freguês histórico do Atlético Assisense. Nessa manhã de domingo o Falcão do Vale eliminou as chances, que já eram matemáticas, de o rival avançar para a Segunda Fase. A vitória foi magra, por 1x0, mas suficiente para cumprir o dever de casa e confirmar a excelente fase do time de Assis.

O gol do Atlético Assisense foi marcado no segundo tempo. Logo a 28 segundos de bola rolando Léo recebeu pela direita, invadiu a grande área e, com um toque, tirou a marcação para, com o pé esquerdo, fazer jus à condição de ambidestro e, de três dedos, colocar no canto direito do gol adversário. Gol de quem entende de bola, tem futuro promissor e haverá, muito, de colaborar com o time comandado por Carlos Alberto Seixas na Segunda Fase do certame.

No saldo, os 90 minutos em que a bola rolou no estádio Tonicão foram marcados, mais uma vez, por circunstâncias duvidosas relacionadas à arbitragem. Ainda soa estranho a alteração de escala feita pela comissão de arbitragem da Federação, que trocou Edson Júnior por Eduardo Pereira de Araújo sem nenhum tipo de justificativa. Vale ressaltar que o sorteio da escala de arbitragem é feito às quartas-feiras, na sede da FPF, com o testemunho formal. Naquele sorteio de quarta passada deu Edson Júnior na escala. Um dia depois já aparecia o nome de Eduardo Araújo, que substituiria o antecessor por problemas físicos. Estranho, muito estranho.

Diferentemente do empate (1x1) entre Atlético Assisense x Fernandópolis, quinze dias atrás, hoje o senhor Eduardo Araújo não interferiu diretamente no resultado. Mas, igualmente inverteu marcações de falta, aplicou cartões amarelos sem o mínimo critério e, o que era temido, permitiu que o Tanabi descesse o sarrafo, repetindo o comportamento violento que o caracteriza como Rei das Faltas da Segundona 2015. Até aí, porém, novidade nenhuma, pois o nível da arbitragem da Federação Paulista de Futebol tem esse perfil ridículo mesmo, condizente ao próprio Regulamento do Campeonato Paulista dessa temporada.

Enfim, voltando ao que é digno, ou seja, o esforço de cada uma das duas equipes que entraram em campo nessa ensolarada e quente manhã de domingo, no Tonicão, os fluídos positivos prevalecem para os lados do Atlético Assisense. O time comandado por Seixas não sabe o que é perder desde a abertura do returno, quando sofreu 3x2 do Noroeste, em Bauru. De lá pra cá tem a segunda melhor campanha do Grupo 1 e engrenou campanha que o deixa praticamente classificado para a Segunda Fase.

Mérito, mais uma vez, de Carlos Alberto Seixas. O treinador não precipitou quando o Tanabi teve, no segundo tempo, um jogador expulso. Recuou os dois volantes e passou a administrar a posse de bola, esperando o adversário. Quando contra-atacava, via de regra do Falcão do Vale levava perigo ao gol do Tanabi. Padecia, claro, de sustos, uma vez que, mais recuado, tinha a área sob constantes bombardeios aéreos, a maioria sem sucesso. Postura tática criticada pela torcida, mas, mais uma vez, efetivamente reconhecida, pois os aplausos reinaram, vindo da arquibancada, ao final do jogo.

Dois fatores positivos podem ser apontados nesse Atlético Assisense 1x0 Tanabi. Além da eliminação do rival histórico o Falcão do Vale voltou a registrar aumento de público e, ainda, instalou as primeiras placas de publicidade às margens do gramado do Tonicão. Reconhecimento empresarial para o projeto do time e um apoio que, passando pela bilheteria, entra diretamente na forma de investimento para que na Segunda Fase o sonho do acesso à Série A-3 seja ainda mais sólido do que já é.

Na tábua de classificação o Atlético Assisense agora soma 30 pontos e mantém os 2 pontos de distância em relação aos líderes Noroeste e Grêmio Prudente. Falcão do Vale garante virtualmente vaga na Segunda Fase, mas, para não passar sufoco na última rodada, precisaria de um simples empate no derby com o Vocem, domingo que vem, adversário que o time já derrotou no primeiro turno (2x0). Assim, iria para a última rodada apenas para cumprir tabela com o América, em Rio Preto, circunstância em que o mandante tende estar vivo na briga pela quarta vaga da chave.

Com os 30 pontos somados o Atlético Assisense totaliza 9 vitórias, contabilizando 32 gols marcados e saldo de 17 tentos. Abre 3 pontos em relação ao Vocem e quatro sobre o quinto colocado Fernandópolis. Por mais que seja derrotado duas vezes nas rodadas restantes, o Falcão do Vale assistiria Vocem e Fernandópolis em confronto direto na última rodada, de maneira que um tire pontos do outro e, assim, somente um avance. Ou seja, na pior das hipóteses, o time comandado por Seixas já é o quarto colocado do Grupo 1 e não seria ultrapassado, mais, em número de vitórias pelos dois rivais que hoje brigam para entrar no G-4. 

O Tanabi está eliminado de chances porque continua com os mesmos 19 pontos, ante 27 que o Vocem, quarto colocado, soma no momento. Como faltam apenas duas rodadas, ou seja, há seis pontos em disputa, 8 pontos separam o time de Tanabi do rival de Assis e, assim, o Grupo 1 passa a ter quatro agremiações matematicamente eliminadas: Tanabi, José Bonifácio, Bandeirante e Osvaldo Cruz. Vocem, Fernandópolis e América travam um duelo pela quarta vaga da chave.

O América, que venceu o Bandeirante por 2x0, hoje, chegou aos 23 pontos e está na cola de Fernandópolis e Vocem. Precisará vencer o derby da próxima sexta-feira, contra o Fefecê, para definitivamente entrar na briga por vaga. Um empate o elimina. O time de Rio Preto, como afirmado nessa postagem, encerra a participação na Primeira Fase recebendo, no estádio Teixeirão, o Atlético Assisense. Caso vença, dependendo dos resultados da rodada do próximo final de semana, tenderá a torcer que haja vencedor no confronto Vocem x Fernandópolis.

Muita matemática para aqueles que perderam produção durante as 16 rodadas disputadas na Primeira Fase. Quem manteve a regularidade goza, agora, da tranquilidade de ter gordura para queimar. E, claro, planejar com calma e sapiência a Segunda Fase que, é conhecido, será uma verdadeira pedreira na definição dos 4 que farão parte da Série A-3 de 2016.


A entrada em campo é feita com fogos, aplausos e, sempre, clima harmonioso

Execução do Hino Nacional e a tradicional formação, característica do time nessa temporada

Primeiro, houve sorteio de um árbitro para o jogo de hoje. Depois, a Federação mudou a escala no site, dizendo que o primeiro sorteado, Edson Júnior, está com problema físico. Eduardo Araújo (com a bola na mão) inverteu faltas, enfim, manteve o padrão FPF de 'qualidade' de arbitragem: péssimo.

Os jogos do Atlético Assisense, no Tonicão, destacam-se pelo grande número de crianças que, acompanhadas dos pais ou de responsáveis, abrilhantam sobremaneira as arquibancadas.

O técnico Seixas e seu jeito "deixa-disso", nos intervalos. Aqui, não conseguiu evitar que seu preparador físico fosse expulso. Relatado em súmula, Aldo Cavalari vai parar no TJD. E aí fica a pergunta: é, afinal, justo que um árbitro registre somente sua versão e, assim, puna profissionais e clubes de forma deliberada? São,em 2015, raríssimas as exceções de árbitros que vieram a Assis e fizeram jus àquilo que teoricamente aprenderam nos cursos de arbitragem. Esse senhor Eduardo Araújo merecia, ele próprio, ser submetido a súmula, punição e afastamento das escalas de arbitragem. Mas, claro, a corda penderá para o lado mais fraco. Punição, no TJD, àquele que o contestou visivelmente de forma pacífica. E o futebol, cada vez mais, perde a graça.

A fraqueza da arbitragem é compensada exatamente com cenas como essa: comemoração do gol do Atlético Assisense, motivo de festa nas arquibancadas do Tonicão. E a sensação de que a arbitragem, por dentro, lamentava não ter encontardo motivos factuais para anular o que a habilidade de jovens atletas produziu.

O goleiro do Tanabi se destacou por ter sido o principal lançador de bolas para o ataque. Só por isso, pois se o destaque dependesse de beleza e aparência... Que cabelo é esse, rapaz?

Desde o primeiro turno o blogueiro tem destacado essa união que caracteriza os jogadores do Atlético Assisense: comprovação de que humildade e gestão privada de problemas leva um time ao cumprimento dos objetivos.

Cansado de lançar bolas, o goleiro do Tanabi fez, no final, as partes de atacante. Foi, nos acréscimo, à área do Atlético Assisense, em cobrança de escanteio. Cometeu falta, claro, não assinalada pelo senhor Eduardo Araújo.

De mediador do "deixa-disso" o técnico Seixas, conhecido pela tranquilidade com que se relaciona com a arbitragem, perdeu a paciência, no final do jogo. Tanabi batendo, Atlético Assisense sendo punido com marcação de faltas invertidas.

O goleiro do Tanabi foi ao ataque, mas certificou-se de que, além de a bola não ir até ele, o Atlético Assisense tem um excelente goleiro, Augusto.

Terminado o jogo, prevalência do profissionalismo. Todos cumprimentando-se, só que um lado virtualmente classificado, o outro, eliminado. E a vida segue.

Final de jogo do Falcão do Val tem essa cena: jogadores aplaudindo a torcida, em agradecimento. Abençoada seja a trajetória desse time, que soube separar homens de meninos.

* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

Nenhum comentário :