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domingo, 16 de agosto de 2015

ANÁLISE - Atlético Assisense escapa do Grupo da Morte

Cláudio Messias*

Os mais tradicionais, donos de discursos de que 'quem quer chegar ao acesso não pode escolher adversários', que desculpem o blogueiro, mas esse tema cheira à hipocrisia. Se para ficar com duas das vagas da chave na Série A-3 do ano que vem seria melhor cair no Grupo 5, na Segunda Fase da Segundona, então, nesse aspecto, o Atlético Assisense já começa bem.

Nessa manhã de domingo foram realizados 14 jogos no desfecho da Primeira Fase da Segundona (o jogo Bandeirante 1x1 José Bonifácio já havia sido realizado na semana passada). Havia somente 4 vagas em aberto, para completar as 12 agremiações que continuam na disputa. Seis clubes em duas chaves, sendo que líder e vice-líder, ao final, carimbam passaporte para a Série A-3. Os dois melhores classificados disputam o título em jogos de ida e volta.

Conselho técnico a ser realizado na tarde dessa segunda-feira, na sede da Federação Paulista de Futebol, em São Paulo, confirmará a tabela da Segunda Fase. Cada um dos 12 clubes classificados saberá quem enfrentará, quando jogará e se decidirá a classificação, nas últimas rodadas, jogando em casa ou figurando na condição de visitantes. É certo, apenas, que exatamente daqui a uma semana haverá bola rolando novamente, na mais decisiva das etapas da temporada 2015.

Assis começou a Segundona 2015 representada por Vocem e Atlético Assisense. O primeiro ficou pelo caminho nesse domingo, perdendo, em casa, para o Fernandópolis (1x0). Já o Falcão do Vale garantiu vaga na Segunda Fase com antecedência de três rodadas, mas ainda assim fechou o returno da Primeira Fase vencendo fora de casa o América (1x0). Importante resultado, do ponto de vista técnico.

Acontece que o Falcão do Vale, caso empatasse o jogo em Rio Preto, somaria 31 pontos e veria o Fernandópolis, com a vitória sobre o Vocem, chegar aos 32 pontos. Atlético Assisense em quarto, Fernandópolis em terceiro. E isso significaria o time de Assis cair no Grupo 4, que tem as perigosas peças chamadas São Bernardo, Noroeste e Inter de Bebedouro.

Melhor, portanto, para o Atlético Assisense, ter caído no Grupo 5. Nessa chave, o Falcão do Vale medirá, teoricamente, forças com equipes mais equilibradas em poder de fogo. Tudo bem, lá tem o melhor time do campeonato até aqui, o Olímpia, que soma os impressionantes 42 pontos, resultantes de 13 vitórias em 18 jogos disputados. Sim, o Olímpia só perdeu dois jogos no certame.

Afora o Olímpia o adversário a ser batido no Grupo 5 é o Grêmio Prudente, rival a quem o Atlético Assisense conhece bem nessa temporada. Irregular, o time de Presidente Prudente fechou a participação no Grupo 1, na Primeira Fase, atrás, em produção, na comparação com o time de Assis. Dá, pois, para medir forças em condições mais igualitárias.

O fator que mais dá confiança no trajeto do Atlético Assisense vem do banco de reservas. No comando da comissão técnica está Carlos Alberto Seixas, treinador que sabe articular o time de comandados, não se envolve em polêmicas, tira seus atletas da alça de mira de confusões e em questão de minutos consegue resultados inesperados. Basta ver que nesse domingo, em Rio Preto, o melhor time em campo era o América, e mesmo tendo apenas uma opção de banco para fazer alterações, Seixas reestruturou taticamente o time e aos 44 minutos do segundo tempo fez o gol da vitória que devolveu a terceira colocação a chave a seu time.

Seixas é sabedor de que a partir da Segunda Fase a Segundona exige estratégias mais cautelosas. Não basta, apenas, fazer investimentos em contratações, muito menos viajar para jogos fora com um dia de antecedência. E não é, absolutamente, jantar ou almoço em churrascaria de beira de estrada que faz os 3 pontos virem de volta na bagagem. Nessa fase é imprescindível voltar ao menos com 1 ponto nos jogos fora e, claro, somar 3 pontos nos confrontos realizados no Tonicão.

Se essa lógica de não perder pontos preciosos for cumprida no primeiro turno, a gestão do returno torna-se mais tranquila. E a matemática é simples. De 10 jogos a serem disputados, em cinco deles o Atlético Assisense precisa, dependendo da composição da tabela, somar ou 11 pontos (caso seja mandante em três jogos) ou 9 pontos (em eventual mando de dois confrontos). 

Melhor seria, nesse ínterim, estrear jogando fora, de maneira que a decisão, na última rodada do returno, ocorreria no Tonicão. Mas, se a estreia, domingo que vem, for em Assis, necessariamente o Falcão do Vale deverá fazer três jogos em casa no primeiro turno, o que daria fôlego, ou seja, permitiria a formação de gordura a ser queimada no returno, quando os clubes mais desesperados partem para o tudo ou nada. Essa lógica, contudo, é perigosa, uma vez que em eventuais resultados adversos nos primeiros jogos haverá maior prevalência de jogos fora no returno, dificultando a reversão de eventuais cenários adversos.

O raro e exceto leitor pode, com toda razão, dizer que os investimentos feitos por outros clubes mudam, desde já, o favoritismo para a próxima fase. Claro, tudo é suposição nessas análises do Blog. Inegável, porém, que no Grupo 4, considerando-se o contexto dos reforços (máximo de 4, desde que haja 4 baixas no elenco atual) que os clubes podem fazer visando à Segunda Fase, essas articulações estão mais sólidas.

O Noroeste é uma das agremiações que, juntamente com o São Bernardo, têm parcerias em condições de garantir a necessária qualidade de elenco para brigar não só por vaga, mas pelo título da Segundona 2015. O time de Bauru com costurada parceria com a Ferroviária, de Araraquara, já recebeu os reforços há quase um mês, enquanto o São Bernardo desfruta de parcerias com clubes grandes como o Palmeiras. Devem, assim, duelar também com a estruturada Inter de Bebedouro pela seleta composição do G-2. Correriam por fora Lemense, Fernandópolis e Manthiqueira.

Se no Grupo 4 prevalecem as parcerias, que podem ser diferencial na decisão pelas duas vagas da chave, no Grupo 5 é a solidez de trabalho ao longo dos últimos anos que caracteriza o favoritismo de Olímpia e Grêmio Prudente. O primeiro demonstra profissionalismo desde 2013, quando cá esteve, contra o mesmo Atlético Assisense, disputando vaga na reta final da Segundona. Diretoria com política de pés no chão, Prefeitura afinada com o projeto do clube e, agora, um futebol digno de elogios. 

Do lado do Grêmio Prudente o 'quase' tem caracterizado o trabalho, ano a ano, também desde 2013. Investe alto, porém tropeça principalmente na contratação de treinadores. Ano passado, começou bem com o técnico China, mas confusões de bastidores derrubaram a comissão técnica, culminando em tropeços que, não consertados, custaram a eliminação na penúltima fase. Nesse ano, ainda mais estruturado, o clube prudentino planejou o ano com Tupãzinho no comando. Repetindo 2014, treinador demitido, queda de produção e uma inevitável suspeição quanto ao que vem pela frente.

Os demais clubes que correm por fora no Grupo 5 caracterizam-se pela irregularidade na Primeira Fase. O São Carlos só se classificou, hoje, mediante cruzamento de resultados no Grupo 2, enquanto o Taboão da Serra só engrenou, mesmo, na segunda metade do returno. Osso duro de roer, mesmo, será o Jabaquara, que também classificou-se com antecedência e é conhecido por impor dificuldades aos adversários quando manda seus jogos na cidade de São Paulo.

Enfim, no universo das suposições é fato que ao menos 10 dos 12 clubes classificados para a Segunda Fase estão em chance de brigar por vaga na Série A-3. Pela regularidade até aqui o blogueiro arrisca indicar Olímpia, Noroeste, São Bernardo e Grêmio Prudente como estando um passo à frente em relação aos demais concorrentes e figurando como candidatos à briga pelo título. E, em um bloco intermediário, Inter de Bebedouro, Atlético Assisense, Jabaquara e Fernandópolis esboçando, em ordem crescente, chances de duelar pela segunda vaga de cada chave.

* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

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