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segunda-feira, 21 de abril de 2014

EU, DA ARQUIBANCADA - Vocem 0x2 Atlético Assisense

ESQUEMA PERFEITO
A chegada ao estádio Tonicão, nesse domingo de derby, foi tranquila. O assisense já está acostumando-se com a ideia de comprar o ingresso antecipadamente e, assim, as filas ficam cada vez mais diminutas. Fila, mesmo, somente para entrar, o que remete a um problema antigo de planejamento do sistema de portaria do Tonicão, que afunila a passagem dos torcedores e dificulta o trabalho de revista dos policiais em serviço.

CARTÃO POSTAL QUEIMA-FILME
Os torcedores visitantes chegam ao Tonicão com a pior das imagens da cidade de Assis. Com o esquema de segurança estabelecido pela Polícia Militar, nesse domingo, a torcida do Atlético Assisense entrou pelo portão de emergência do setor B. Pisou em barro e viu o quão alto está o mato que caracteriza a atual gestão do prefeito dos 15 mil votos. Não por acaso, torcedores do Água Santa, que vieram a Assis na fase final da Segundona de 2013, postaram nas redes sociais que o estádio Tonicão fica no meio da floresta. Mal sabiam eles a variedade de bichos escrotos que predomina nos arredores políticos que têm total responsabilidade sobre essa lamentável situação de abandono das praças esportivas.

FRENTE E VERSO
Assistir partidas dos times de Assis no estádio Tonicão proporciona sensações fortes e distintas. Quem vê jogos no setor B sente a força do sol na nuca e nas costas. Já quem assiste aos jogos no setor A, das cabines de imprensa, queima a cara. E depois eu é que sou chato de cobrar a cobertura do Tonicão, tipo de serviço que deveria ter sido entregue já na inauguração, duas décadas atrás, mas que nenhum prefeito teve, até agora, suficiência administrativa e peito para cumprir. Isso, claro, somado a um digno serviço de iluminação, pois apenas colocar refletores não resolve o problema.

NÚMEROS
Busquei, sem sucesso, informações sobre o número de ingressos recolhidos na improvisada portaria do setor B, onde estava a torcida do Assisense. Na ditadura do controle total de informações relacionadas ao Vocem ninguém tem autorização para falar. Nessas horas, ninguém melhor do que a Polícia Militar para dar um prognóstico, uma vez que a instituição usa o método de concentração de pessoas por metro quadrado para prenunciar público. Algo, pois, em torno de 400 pessoas do lado que torcia pelo Falcão do Vale e que saiu com o sorriso de satisfação pelo excelente Domingo de Páscoa que se iniciava.

DECLÍNIO
Não atendi convite de minha amiga e 'quase' sobrinha Bruna Fernandes para compartilhar a transmissão de Vocem 0x2 Atlético Assisense nas cabines de imprensa do estádio Tonicão. Por conhecer o sistema atual do clube mandante e ter assistido a lamentáveis episódios de tentativa de controle total da informação, nos últimos dias, eu prenunciava que tipos de barreira haveria naquele setor A do estádio. A experiência de alguns anos no jornalismo faz-me, também, antecipar-me na precaução a circunstâncias constrangedoras e acusações de provocador de confusões. Um torcedor do Atlético Assisense ir ao setor reservado ao Vocem não competiria, mesmo, e, assim, declinei do convite de mais uma vez estar, na condição de colaborador, ao lado de Augusto César e Carlos Perandré, companheiros de longa e delongadas jornadas esportivas Brasil afora em décadas passadas.

QUEM AVISA...
Tinha e tenho convicção de que seria impedido de subir às cabines de imprensa. E sem esse acesso estaria armada a confusão, uma vez que na visão dos mais limitados, blogueiro é armador de confusão, escreve mentiras e promove a desordem. Fiquei, e bem, no setor B, onde conheci parte de meus leitores que procuraram e, em muitos casos elogiaram o perfil do Blog. Infelizmente, não consegui conectar a Rádio Assiscity Online no meu celular (culpa da Vivo), mas depois, à noite, interagindo com Edmar Frutuoso e Augusto César vi que compactuamos da mesma conclusão sobre o derby, que foi jogo de um time só, ou seja, do Atlético Assisense.

... AMIGO É.
Cícero da Mota, o Cicinho, tentou desempenhar seu papel de jornalista esportivo naquele setor A, onde estão as cabines de imprensa. Foi vítima da ditadura do controle da informação e não pode exercer a função de jornalista, diplomado ou não, de ocupar o espaço mais democrático de qualquer praça esportiva, o campo, sem poder gravar com os jogadofres do Vocem. Também passou para o setor B, onde trabalhou dignamente no meio da Torcida Jovem do Falcão do Vale. E sem contra-luz.

JUSTIÇA DOS HOMENS
O episódio desse domingo fez lembrar o final da década de 1990, quando o então presidente do Vocem, Mauro dos Santos, anunciou o fechamento do acesso às cabines de imprensa à equipe de esportes da Rádio Cultura e ao jornal Voz da Terra para o jogo Vocem x Primavera, pela antiga Série B-2. Ação conjunta de Toninho Camargo, da Cultura, e Eli Elias, de Voz da Terra, conseguiu, via judicial, garantir o democrático acesso ao espaço da informação e do trabalho. Policiais militares cumpriram ao que determinara a juíza Regina Caro, da 3.a Vara Cível da Comarca de Assis.

JUSTIÇA DA BOLA
Naquela ocasião, o Vocem vinha de série invicta no campeonato, mas já atrasava salários, uma vez que a cidade de Assis não o apoiava. Perdeu o jogo por 2x0. Período de dificuldades extremas, em que Mauro dos Santos tirava do próprio bolso para manter o sonho de levar o Vocem e a cidade à Série A-3. E, no ímpeto, Maurão outorgou por conta própria o título de "persona non grata" a mim, a Augusto César e a Carlos Perandré. Hoje, amigos que continuamos sendo, eu e Mauro rimos desse passado recente, uma vez que soubemos e sabemos que, ali, prevaleceram duas partes que queriam ajuda o Vocem. Uma pena que a cidade tenha dado as costas ao clube naquela ocasião.

FALHA
Por mais que tudo seja visto e revisto, sempre um detalhe foge ao controle do sistema de segurança. Nesse domingo, torcedores que não queriam queimar a cara no sol saíram do setor de torcida do Vocem e foram para o lado do Atlético Assisense. Isso ocorreu no intervalo do jogo. Um lado mais baixo do alambrado, rente ao barranco abaixo do setor de entrada do estádio, permitia que, sem esforço, família inteiras trocassem de lado. Visivelmente, torcedores neutros, que não queriam briga e estavam, mesmo, interessados em contemplar o belo jogo de futebol que foi Vocem 0x2 Atlético Assisense. Rapidamente, porém, três policiais militares dirigiam-se para aquele espaço e, corretamente, impediram a troca do setor do Vocem pelo do Falcão do Vale.

ERRO
O árbitro Raphael Alves fez vista grossa ao episódio em que torcedores do Vocem lançaram uma garrafa no banco de reservas do Atlético Assisense, onde jogadores fazia a reidratação permitida pela parada técnica no segundo tempo do jogo. Os atletas do Falcão do Vale levaram o objeto ao árbitro,na presença do quarto árbitro, mas o mesmo não recolheu, o que consumaria a infração. A garrafa foi, então, lançada na pista de atletismo que margeia o gramado, sob revolta. Depois, na súmula, nada foi registrado sobre o episódio, o que contraria norma estabelecia pela CBF.

PÓS-JOGO NO HOSPITAL
O presidente do Atlético Assisense, Carlos Antunes Boi, não teve muito tempo para comemorar a mais importante vitória de seu Falcão do Vale nesses 11 anos de disputa das divisões inferiores do Campeonato Paulista. Do estádio Tonicão ele foi diretamente para o Hospital Regional, onde o zagueiro central Gago foi atendido para reimplante de um dente, perdido no choque com o goleiro Augusto, aos 31 minutos do primeiro tempo. Naquele lance, o goleiro recebeu 7 pontos no queixo. E o zagueiro, que teve o dente recolhido pela equipe médica do clube, ainda jogou o restante do primeiro tempo e toda a etapa complementar com a boca sangrando. Raça que, no fim, foi recompensada. E, na semana, o zagueiro continuará em observação, para ver se o organismo reage bem ao retorno do dente.

VIBRAÇÃO
Carlos Antunes Boi encontrou, no Hospital e Maternidade, a médica Lenilda Ramos, vice-prefeita. Torcedora do Atlético Assisense, ele vibrou com a vitória do Falcão do Vale.

IRONIAS
Duas faixas de torcidas foram afixadas nos alambrados dos setores A e B do estádio Tonicão. Uma dizia "Torcida Jovem do Vocem" e a outra "Torcida Jovem", do Atlético Assisense. Três empolgados torcedores da torcida do Falcão do Vale perguntavam, em voz alta, "como assim o Vocem tem torcida jovem?". A ironia incidia sobre o fato de o Vocem estar voltando agora, ter alto índice de torcedores com idade acima dos 25 anos e, em contrapartida, a Torcida Jovem do Atlético Assisense já existir desde a empolgada campanha de 2013.

EM DIA
Antes de chegar ao estádio Tonicão a comitiva do Atlético Assisense passou a noite em local ainda não revelado pela diretoria do clube. A estratégia de tirar os jogadores do clima do derby deu certo, pois rojões foram soltos a noite toda nos arredores de onde, na realidade, não tinha ninguém do elenco nem da comissão técnica do Falcão do Vale. Todos, por sinal, já haviam treinado, na sexta-feira, em Cândido Mota, o que deu um nó na cabeça os rivais e os fez cometer a gafe de divulgar que o treino coletivo apronto teria ocorrido no estádio Marcelino de Souza. Controlar, pois, a informação do Vocem é uma coisa, tentar entrar no controle de informações do rival já é outra coisa, e bem diferente.

CLIMA PESADO
A insegurança relacionada aos desfechos do derby inibiu alguns torcedores de ir ao estádio nesse domingo. Rivalidade acima do normal e, convenhamos, desnecessária, levou à sensação de inimizade entre quem torcia para o Vocem e quem iria para torcer pelo Atlético Assisense. Nesse ínterim, meu filho, de 18 anos, que sempre me acompanhou por todos os estádios, inclusive em Presidente Prudente, nos temidos clássicos entre Corinthians x Palmeiras, declinou do convite, uma vez que testemunhou, via redes sociais e mesmo cá, no Blog, a baixaria das provocações relacionadas à minha opção por torcer pelo Falcão do Vale. Somadas as presenças das namoradas dos dois filhos, havíamos programado de ir em 6 ao estádio. Mas, somente eu fui, pois os demais declinaram. Depois, se arrependeram, pois souberam que, o que não é nenhuma novidade, a Polícia Militar de Assis fez cumprir o perfeito sistema de segurança que arquitetou para o derby.

DESFECHO
Terminada a partida e feita a comemoração em campo e nos vestiários, os jogadores do Atlético Assisense fizeram churrasco na república onde estão alojados. Nas fotos postadas nas redes sociais, uma provocação cuja interpretação, traduzida, compete à parte adversária no derby. Salsichas assadas e latinhas vaziadas sendo recolhidas ao chão configuravam a bem humorada e regada a crítica brincadeira daqueles que não têm o mínimo constrangimento de assumir ser o primo pobre da história. E com o questionamento: dinheiro onde e com que placar no derby? E é vida que segue...

Um comentário :

Anônimo disse...

Não seria melhor o título de sua matéria:
"EU ESCONDIDO NA ARQUIBANCADA"
O "GRANDE" homem não se esconde!!