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quarta-feira, 22 de abril de 2015

SEGUNDONA BRAVA - Média de público cai à metade na primeira rodada

Cláudio Messias*

Mais uma temporada da Segunda Divisão, o fundo do poço do Campeonato Paulista, e de novo preciso ressaltar que para ter parâmetros sobre a média de público dos jogos realizados tenho de recorrer a uma fonte nada confiável, ou seja, os boletins financeiros divulgados pela Federação Paulista de Futebol. Se o que não tem solução, solucionado está, vamos aos números tornados públicos somente hoje, quarta-feira, já que o expediente de trabalho na Federação foi emendado na segunda-feira, devido ao feriado, e desde domingo o site da instituição esteva fora do ar.

Faço o monitoramento das bilheterias da Segundona desde 2013. Tenho, portanto, motivos já divulgados e, hoje, acumulados para não confiar nesse tipo de controle financeiro. Para não ser repetitivo não entrarei, novamente, nos detalhes. O que posso citar, mais recente, é a disparidade existente entre o número de torcedores anunciado como pagantes, no Tonicão, domingo passado, na excelente vitória do Atlético Assisense sobre o Noroeste, e a quantidade de pessoas presente nas arquibancadas do estádio. Ilusão de ótica ou motivo de sobra para questionar a metodologia de cálculo de pagantes.

A quem não foi ao estádio ou não está a par do que ocorreu no Tonicão no domingo, dentro de campo havia, somados quem estava jogando, quem estava na arbitragem e quem estava nos bancos de reservas, 38 pessoas, não contando gandulas, policiais e equipes médica e de imprensa. Nos dois setores de arquibancada havia, segundo o boletim financeiro divulgado pela Federação Paulista de Futebol, sob gestão de bilheteria do Atlético Assisense, 80 pessoas (o serviço de som do estádio anunciou 78 pagantes). Ou seja, havia dentro de campo metade do número de pessoas que estava nas arquibancadas. É essa a vertigem a que me refiro, pois visivelmente essa relação público divulgado-público presente não batia.

Imagino que cada clube se vira como pode quando o assunto é gestão de bilheteria. Não culpo, pois, as agremiações. Incorreta é a Federação, que faz vistas grossas para essa realidade de pagantes de menos para lotação de mais nas arquibancadas, e trabalha com estatísticas que propiciam um efeito cascata de engodo. Desconfie, pois, raro e exceto leitor, de quaisquer balanços e números que a Federação Paulista de Futebol divulgue sobre as competições que realiza. São números lindos, que sustentam a condição de maior e melhor campeonato regional do mundo, mas que debaixo do tapete têm clubes com números vergonhosos, como o rebaixado MAC encerrando a competição somente com um jogador de linha o banco de reserva na Primeirona e o próprio Atlético Assisense com dois jogadores de linha à disposição domingo passado.

Segundona - A primeira rodada da Segundona de 2015 registrou quase metade do melhor público de 2014. Se no ano passado pagaram ingressos 5.962 torcedores, em 18 jogos, entre sexta-feira e domingo passados as bilheterias de 15 clubes somaram 2.988 ingressos comercializados. A média de público da primeira rodada do ano passado foi de 332,1 pagantes, ante 249 pagantes da atual temporada.

Um detalhe precisa ser registrado. Em 2014 disputaram a Segundona 39 clubes. Agora, estão em disputa 30 clubes.

Novamente, o Diadema figura como clube que menos público leva ao estádio Distrital de Inamar. Na primeira rodada pagaram ingressos 39 torcedores, sendo 27 inteiras, vendidas a R$ 20,  e 12 meia-entradas. O Diadema, que perdeu para a Portuguesa Santista (0x1), arrecadou R$ 660, com despesas de R$ 33,98. O que chama atenção é que o clube mandante pagou R$ 33 em impostos e declarou recolhimento de R$ 0,98 em seguro para a realização do jogo.

O melhor público da rodada compareceu ao estádio José de Araújo Cintra, em Amparo. O time da casa declarou venda de 897 ingressos, para faturamento de R$ 8.470,00 e despesas de R$ 445,93 (lá, o seguro recolhido declarado foi de R$ 22,43). O Amparo, que empatou em 1x1 com o São Carlos, vendeu ingressos a R$ 10, distribuídos em 797 entradas inteiras e 100 meia-entradas.

No caso específico do Tonicão, em Assis, o estádio recebeu, segundo o Atlético Assisense, 80 pagantes. A entrada inteira foi declarada como comercializada a R$ 15 e a meia, a R$ 7,50. Porém, testemunhas como esse blogueiro, que pagaram ingresso na bilheteria, pagaram R$ 5 para entrar. No bilhete entregue e destacado como comprovante o valor estampado é de R$ 15.

Quem continua sendo um nome forte na Segundona é o Vocem, de Assis. Como visitante, o Esquadrão da Fé foi assistido pelas 353 pessoas que pagaram ingresso e entraram no estádio Antonio Pereira Braga, em José Bonifácio. Lá, a entrada inteira foi vendida a R$ 10. Em 2014 o Vocem estreou na Segundona em casa, ocasião em que levou 1.188 pagantes ao Tonicão. 

O balanço da primeira rodada da Segundona fica comprometido pela não disponibilização, no site da Federação, de três boletins financeiros. Guarulhos, Osvaldo Cruz e Tanabi não têm tais informações publicadas, ao menos até as 16h50 dessa quarta-feira.



*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

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