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domingo, 19 de abril de 2015

SEGUNDONA BRAVA - Atlético Assisense vence Noroeste e lidera Grupo 1

Cláudio Messias *

O futebol confirma-se como uma das modalidades esportivas mais apaixonantes. Dentro do gramado, nem sempre o peso da camisa favorece, assim como as articulações políticas advindas dos sujos e escuros porões da Federação Paulista de Futebol acabam variavelmente contrariadas. Nesse domingo o Esporte Clube Noroeste trouxe, de Bauru, favoritismo, peso de camisa, força política e até mesmo duas torcidas organizadas. Tudo, porém, em vão no eternamente inacabado estádio Tonicão.

O Atlético Assisense aparenta ter um feitiço que atrai torcedores, dá forças extraordinárias a times cujos elencos nem são tão badalados e caros. Agora pela manhã o Falcão do Vale confirmou, novamente, estar no rumo certo. Não fez barulho na pré-temporada, montou um elenco com jogadores jovens, da própria cidade, e, surpreendentemente, tinha um banco de reservas composto por somente três atletas, sendo dois de linha e um goleiro. Machucassem três jogadores de linha e o goleiro reserva teria de colocar o uniforme de linha e entrar. Não foi preciso.

Com a bola rolando a torcida de Assis que compareceu ao Tonicão e tomou sol na moleira em qualquer dos setores da arquibancada em que sentasse, viu um Atlético Assisense batalhador, guerreiro e, principalmente, habilidoso. Tudo bem, foi somente a primeira rodada e ainda não dá para empolgar. Só que do outro lado tinha um Noroeste com marcas famosas estampadas no uniforme e um projeto de voltar a disputar as séries A-3, A-2 e a Primeirona. Projetos assim, que são mais políticos, de marketing, do que de qualidade na bola rolando, expiram respeito. O Falcão do Vale atropelou esse respeito.

Vi muita qualidade no Atlético Assisense de 2014, e deu no que deu. Agora, portanto, não vou empolgar. Só que não serei, aqui, hipócrita ou injusto de esconder minha opinião sobre a qualidade, excelente, do time que vi vencer o Noroeste por 2x0. E digo mais: foi pouco. O Falcão do Vale poderia ter aplicado uma goleada sobre o rival que veio de Bauru, não fosse o alto número de chances desperdiçadas. Uma organização tática que vem do banco de reservas fez o time de Assis ser dono do jogo nos 90 minutos. Pouco foi ameaçado e, a meu ver, todos os 13 jogadores que atuaram tiveram nota média acima de 6,5.

Poucos técnicos nessa Segundona se atrevem a adotar mais de um sistema tático nos 90 minutos de bola rolando. Afinal, trabalham com atletas com idade abaixo de 23 anos, ainda imaturos e sem saber lidar com a função de guardar posições. O treinador do Falcão do Vale fez isso nessa manhã de domingo e bagunçou a cabeça do treinador adversário. De diferente, na etapa complementar, o Noroeste só levou a campo o uniforme, trocando o predominante branco, da etapa inicial, pelo predominante vermelho nos 45 minutos finais. Em vão.

Receoso, o técnico Carlos Alberto Seixas, do Atlético Assisense, começou com uma formação que fechou o meio campo, no sistema 4-2-3-1. Não chegou a jogar recuado, mas fechava o suficiente para explorar com velocidade o contra-ataque. E que vigor físico tem esse time do Assisense! Diferente de temporadas anteriores, quando havia prevalência de atletas franzinos, dessa vez os que vestem a camisa azul e branco têm boa estatura, principalmente na zaga e no meio-campo. Boa estatura, também, para os jogadores de frente. Força, contudo, sem ser traduzida em violência. Pouco faltoso, o Falcão do Vale é mais habilidoso, técnico, do que necessariamente forte. Apanha, claro, mas, obviamente, também sabe bater. É o DNA da Segundona. E, sábio, fez na etapa complementar prevalecer a força do sistema 3-5-2, avançando a marcação e pressionando o Noroeste em seu campo de defesa, o que a meu ver rendeu ao treinador Seixas nota 9.

Quando a bola rolou, nos 90 minutos, a bela árbitra Katiucia Mota da Mota Lima foi centro das atenções. Firme, ela trabalhou bem e só foi comprometida pelo fraco trabalho de seus dois árbitros auxiliares, que se equivocaram em marcações de impedimentos e de arremessos laterais. A árbitra confirmou sua personalidade ao apontar, sem equívocos ou titubeios, as duas penalidades que no primeiro e no segundo tempo deram o placar final do jogo. Mostrou cartões amarelos justos e mereceu, a meu ver, nota 8,5.

O Atlético Assisense abriu o placar aos 24 minutos da etapa inicial. Aguiar chutou duas vezes, em cobrança de pênalti e na bola rebatida, para balançar a rede. Diego, aos 33 minutos do segundo tempo, bateu bem a segunda penalidade assinalada, e fez o placar do jogo.

O público total divulgado pela diretoria do Atlético Assisense surpreendeu: 78 pagantes. A renda, assim, foi de R$ 990. Não era essa, porém, a sensação de público nas arquibancadas. Vertigem, possivelmente, dado o sol escaldante que batia sobre a cabeça da aparente mais de uma centena de torcedores que postavam-se nos dois setores de arquibancadas do Tonicão.

Atlético Assisense e Noroeste voltam a campo no próximo final de semana. Peça segunda rodada da Segundona 2015 o Falcão do Vale vai a Birigui e enfrenta, na noite de sexta-feira, às 20h30, o Bandeirante, no estádio Pedro Marin Berbel. Já o Norusca receberá o Fernandópolis, no estádio Alfredo de Castilho, em Bauru, às 15h30 do próximo sábado.

Nos outros resultados do domingo o Vocem venceu o José Bonifácio, naquela cidade, por 1x0, gol de Samuel, nos acréscimos da segunda etapa. Já Tanabi e América ficaram no empate de 1 a 1, em Tanabi, gols de Rafael, para o time da casa, aos 36 minutos do primeiro tempo, e Cabral, para os visitantes, aos 44 minutos finais. Osvaldo Cruz x Bandeirante fazem o confronto das 15h00, no estádio Breno Ribeiro do Val, em Osvaldo Cruz.

Jogadores e arbitragem na execução dos hinos Nacional e de Assis

O Noroeste jogou de camisas brancas no primeiro tempo e vermelhas, no segundo

O quarteto de arbitragem foi comandado por Katiucia, árbitra desde 2006

O Atlético Assisense apresentou novo uniforme para a temporada 2015

Hino de Assis sendo executado e os jogadores fazendo os cumprimentos

Na cobrança de penalidade que deu origem ao primeiro gol do Assisense o goleiro do Noroeste defendeu parcialmente

Comemoração do segundo gol do Falcão do Vale, também em cobrança de penalidade

O público 'oficial' anunciado foi de 78 pagantes, mas parecia ter mais 
torcedores no Tonicão

Fim de jogo, 2x0 no placar e liderança do Grupo 1 garantida

O Noroeste perdeu apenas o jogo, e não a cabeça em Assis nesse domingo.




* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.


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