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quarta-feira, 22 de abril de 2015

BAIXARIA - Bastidores de Osvaldo Cruz 1x0 Bandeirante viram caso de polícia e vão parar no TJD

Cláudio Messias*

O Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol tem em mãos um caso complicado para avaliar até a sessão de trabalhos do dia 27 de abril. O confronto Osvaldo Cruz 1x0 Bandeirante, que fechou, na tarde de domingo, a primeira rodada da Segunda Divisão do Campeonato Paulista, teve muita polêmica. De um lado estão acusações feitas pelo árbitro da partida, Ederson Martins Deodato. Do outro, supostos dirigentes relacionados ao Bandeirante Esporte Clube, visitante, na ocasião, no estádio municipal Breno Ribeiro do Val.

A Citação 11/2015 do TJD, data dessa quarta-feira, faz aditamento de notificação do dirigente Hélio Eustáquio Geraldo, na Federação Paulista de Futebol identificado formalmente como diretor do Bandeirante Esporte Clube. O dirigente está duplamente enquadrado nos artigos 258-B, 243-F e 258, parágrafo 2.o, Inciso II.

O caso teve início nos relatos, em súmula, do árbitro Ederson Deodato. Segundo ele, antes mesmo do início da partida "um senhor que se dizia presidente da equipe do Bandeirante Esporte Clube veio (foi) até o vestiário da equipe de arbitragem e tentou falar com a equipe de árbitros, sem sucesso, pois eram 14h40 e finalizavam-se os trabalhos para a partida". Ainda de acordo com o árbitro, no intervalo da partida (o jogo já estava Osvaldo Cruz 1x0 Bandeirante, resultado final do confronto) um membro da diretoria do Bandeirante, usando uniforme da agremiação, se dirigiu à equipe de arbitragem com os seguintes dizeres: "Árbitro filho da puta, apita direito essa porra. Vai tomar no cú. Sou amigo do coronel Marinho (presidente da comissão de arbitragem da Federação) e vou mandar o DVD do jogo pra ele e vocÊ vai se foder". E continuou dizendo: "relata essa merda na súmula que vou foder você. Ligo na polícia e digo que você fez ofensas racistas contra a minha pessoa e acabo com você e sua carreira".

Ao final da partida, ainda segundo a versão do árbitro Ederson Deodato, o mesmo diretor que dirigiu-se à equipe de arbitragem no intervalo, acompanhado do que podem ser torcedores, invadiu o espaço destinado ao vestiário dos árbitros e fez ameaças diretas a ele, "alegando que caso eu o relatasse, o mesmo chamaria a polícia e abriria um BO (boletim de ocorrência) contra a minha pessoa por racismo". O árbitro principal do jogo continuou o relato dizendo que "ao fecharmos a porta do vestiário essas mesmas pessoas chutaram e bateram, dizendo 'você vai na casa do Bandeirante e corto o seu pescoço lá ou de qualquer árbitro que for lá".

A polêmica não terminou no estádio. De acordo com a súmula assinada por Ederson Deodato e seus auxiliares, o mesmo diretor do Bandeirante, "após algum tempo, chamou o policiamento e emitiu um BO contra mim". Com isso, o árbitro teve de dirigir até o plantão policial, em Osvaldo Cruz, "onde os fatos foram relatados e resolvidos". Na frente do delegado, de acordo com o árbitro, o dirigente do Bandeirante disse ter se equivocado com a acusação de racismo, não querendo mais registrar a ocorrência.

Ederson Martins Deodato foi a Osvaldo Cruz auxiliado por Thiago Henrique Aleida Alborgheti e João Guilherme Lopes, tendo como quarto árbitro Carlos Eduardo Gomes, suas testemunhas diretas nesse processo, no TJD, contra o dirigente do Bandeirante. Árbitro desde 2005 e professor como profissão, Ederson faz parte do primeiro escalão de arbitragem da Federação Paulista de Futebol, tendo atuado, nesse ano, em jogos da Série A-3. Aos 33 anos de idade, ele apitou o jogo Tanabi 1x0 Vocem, em setembro do ano passado, pelo torneio sub-20 do Campeonato Paulista da Segunda Divisão.


* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

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