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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Palmital registra maior índice de chuvas no fim de semana

Cláudio Messias*

As trovoadas e o granizo não vieram. Mas, também não fizeram falta, uma vez que implicariam em perdas ainda maiores para a agricultura regional. O mais importante desse final de semana é praticamente imperceptível aos olhos humanos, mas tem impacto direto na mudança gradativa de um preocupante cenário de estiagem que somente animais e plantas vinham sentindo diretamente. Estamos com a temperatura pelo menos um ou dois graus mais amena desde sábado e já há umidade no ar suficiente para que ocorram as legítimas chuvas de verão, que não caem com frequência suficiente desde o dia 27 de janeiro.

Na sexta-feira passada houve alerta para a possibilidade de chuva forte, seguida de queda de granizo, em parte dos estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste do país. A região de Assis estava no meio do cruzamento entre massar de ar quente e seco, quente e úmido e frio e úmido. A primeira já estava sobre essa macrorregião, enquanto a segunda veio da Amazônia e a terceira, do Atlântico Sul. Todos sabemos que tempo seco e chegada de chuva de verão nunca prestam. E era esse o risco que corríamos, ou seja, de trovoadas. Sem muita chuva, é verdade, mas com alta incidência de raios e ventania.

Na estação meteorológica mantida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado em cidades da região houve diversos tipos de registro da passagem dessas três massas de ar. Poucas pessoas perceberam a chuva que caiu em Assis por volta das 4 horas da manhã de sábado para domingo. Uma garoa, na realidade, pois não atingiu sequer 1 milímetro (o pluviômetro marcou 0,8mm). Fosse durante o  dia e o máximo que produziria seria um mormaço.

Em Palmital a estação experimental registrou o maior índice de chuvas do final de semana. Lá, o pluviômetro marcou 8,4 milímetros de uma boa pancada de chuva, também nas primeiras horas do domingo, 9. Sem o mormaço do sol do dia a precipitação pluviométrica provocou, também, queda na temperatura, pois Palmital registrou, nas duas últimas madrugadas, as mais baixas temperaturas de janeiro, chegando ao piso de 18 graus (a média anterior era de 19/20 graus). Mais frio talvez não seja o termo correto, mas, sim, menos calor na noite palmitalense.


Pedrinhas Paulista, Tarumã e Cândido Mota, que igualmente mantêm estação experimental da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado, não registraram chuva no final de semana. O destaque continua sendo Pedrinhas, onde são registradas as mais altas temperaturas do Médio Vale nesse verão. Lá, por cinco dias consecutivos os termômetros marcaram 38 graus, no período de 5 a 9 de fevereiro. `
Às 15 horas, uma seja, uma hora atrás, o termômetro da estação experimental registrava 37 graus naquela colônia italiana. Na mesma hora Cândido Mota e Palmital marcavam 35 graus e Assis, 34 graus.


A umidade relativa do ar está sensivelmente melhor na comparação com as últimas três semanas. Uma hora trás a estação experimental de Assis registrava 33% de umidade relativa, ante 26 de sábado e domingo. Apenas o índice de radiação solar continua igualmente perigoso, chegando à casa de fator 990 às 15 horas dessa segunda-feira.

Prognóstico - A passagem das massas de ar úmido frio e quente pela região não chegou a formar a esperada zona de convergência, ou seja, um corredor de umidade que liga a umidade da Amazônia com a umidade vinda do Atlântico Sul. Foi suficiente, sim, para findar a camada de ar seco que bloqueava a chegada de outras massas de ar. Com isso, tendo em vista a presença de ar úmido sobre a região, podem ocorrer pancadas isoladas de chuva no final dessa segunda-feira. Isso se estenderia até o final de semana, para quando estão lançadas novas possibilidade de trovoadas em parte do Sul e do Centro-Oeste e por todo o Sudeste.

A tendência, como já dito, é de redução gradativa da temperatura. Nada significativo, mas com a certeza de que as tardes com termômetros acima dos 35 graus não mais se repetirão com a frequência que caracterizou os últimos 30 dias. Principalmente as madrugadas tendem a ficar menos abafadas, com aumento, a partir de hoje, na velocidade dos ventos vindos do Sul. As análises mais otimistas mostram que daqui a exatamente um mês esse calorão de 24 horas será mera figura de lembrança. Tomara.

Já a chuva que vai colocar fim definitivo na estiagem desse inesquecível início de ano virá daqui exatamente a uma semana. Começará mudando o tempo na terça-feira, dia 18, e virá com força no dia seguinte, 19. Para esse período são esperados mais de 30 milímetros em Assis, o que equivale ao dobro do que choveu, em medição consolidada, em janeiro inteiro.


De hoje até sexta-feira a previsão é essa: sol durante 
o dia, pancadas de chuva no final da tarde


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.


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