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domingo, 16 de março de 2014

Gestor do Vocem afirma que Assisense tentou impedir participação na Segundona

Cláudio Messias*

Uma enquete colocada no ar na versão online do periódico Jornal da Segunda, de Assis, deve acirrar de vez a rivalidade entre Vocem e Atlético Assisense nessa temporada de 2014 da Segunda Divisão do Campeonato Paulista. O denominado JSOL (Acesse a enquete aqui) pergunta a seus leitores se os mesmos "acham que o Atlético Assisense acertou ao tentar impedir a participação do Vocem  no Campeonato Paulista". Da forma como foi elaborado o enunciado, é clara e direta a afirmação de que o Falcão do Vale seja o responsável por manobras que, dentro ou fora da Federação Paulista de Futebol, colocam o Vocem sob suspeição.

A elaboração da enquete é feita pelo jornalista e vereador Reinaldo Nunes, o Português do PT. Radialista e político, ele aparece à frente da administração provisória do Vocem, tendo, inclusive, assinado convocação de assembleia geral para eventuais conselheiros do clube, durante o Carnaval. Ao contrário do que fez em fevereiro, quando divulgou na versão online do Jornal da Segunda a constituição de conselho e diretoria do Vocem, dando nomes a cada um dos membros, dessa vez Português não publicou uma linha sequer no JSOL sobre o assunto. Mesmo na fase de ápice do imbróglio envolvendo a misteriosa filiação/inscrição do Esquadrão da Fé, quando todos e principalmente os torcedores aguardavam uma informação de fonte primária, igualmente nada foi publicado.

Na ausência de contato com aqueles que imagino estarem por trás do projeto do Vocem procurei, por essas semanas, o outro lado envolvido na disputa da Segundona. Sempre digo que sobra hipocrisia nesse universo do futebol, mas mesmo assim ainda insisto em acreditar nas pessoas. E o que ouvi de gestores do Atlético Assisense foi que, além de igualmente desconhecerem a real situação cadastral do Vocem, havia garantia de não participação nos trâmites que eventualmente dificultaram a situação do clube rival. Em alguns momentos, inclusive, eu é que era consultado sobre as informações que tinha sobre o assunto, uma vez que havia acionado amigos jornalistas da capital para buscar posicionamentos oficias da Federação.

Prevalece, contudo, a máxima popular de que para bom entendedor, pingo é letra. O Vocem, que jamais admitiu ou tornou público a existência de trâmites que colocassem em xeque sua inscrição/filiação, assume, na enquete elaborada por seu gestor, que houve, sim, problemas burocráticos nessas últimas semanas. Da mesma forma, dá a entender que esse imbróglio esteja resolvido. E, o que é lamentável, cria um clima ainda maior de acirramento e rivalidade com o Atlético Assisense, uma vez que atribui a esse a exclusiva culpa por tudo o que pode ter ocorrido mas que foi escondido debaixo do tapete.

De minha parte, como cronista esportivo e acima de tudo torcedor, mantenho o que afirmei na postagem anterior, sobre os parâmetros da situação do Vocem na Federação. Condeno qualquer tipo de ação que envolva manobras ilícitas e anti-éticas e sou a favor da transparência plena, seja no momento em que se está pior cima, seja na fase de baixa. Igualmente, compreendo que o jornalismo sério, realmente investigativo, contemple a informação precisa e, respeitando exclusivamente a audiência, mostre dois ou mais lados envolvidos, assim como prevaleça o cumprimento da pauta independentemente dos interesses pessoais envolvidos. Nesse contexto, afirmo não existir, hoje, em Assis, um jornal ou veículo de comunicação com essas características. Nossa cidade, portanto, deixou de ser exceção, pois tinha (na flexão do passado, mesmo, no verbo 'ter') esse veículo popular que por vezes afrontou a hegemonia, uma vez que passou a fazer parte dela quando comportou-se assim nas últimas semanas.

Na postagem anterior eu também me posicionei sobre eventual articulação ou manobra do Atlético Assisense que tentasse prejudicar a inscrição/filiação do Vocem. Com a acusação direta do Jornal da Segunda Online, na palavra enunciada por seu gestor Reinaldo Nunes, agora é a hora de o presidente Carlos Antunes Boi, do Atlético Assisense, vir a público e sustentar aquilo que defendeu, ou seja, neutralidade nesse caso que envolve contato com a Federação Paulista de Futebol. Até porque, para acusar o rival de tentar impedir sua participação, o Vocem tem, esperamos, de dotar de elementos formais da Federação Paulista de Futebol para tal, uma vez que envolve diretamente a instituição que, convenhamos, há tempo vem desagradando com igual falta de transparência quando o assunto é acesso à informação.

Mantenho minha posição, como fiz desde que a cisão de gestão do Atlético Assisense deu origem a essa acelerada e atropelada - para não dizer atrapalhada - iniciativa de reativar o Vocem. Relembrando, por não concordar com os motivos que levaram à saída do capitalista grupo gestor que auxiliou o Falcão do Vale no ano passado, mantive a aposta no trabalho do Assisense em 2014, não significando que torceria contra o Vocem. Futebolista que sou, torço pela vitória do meu time, em detrimento do que ocorre com os rivais. Essa condição, no entanto, mudou de sexta-feira para cá. Com a especulação de que haveria pressão do Atlético Assisense para que a Federação inscrevesse somente um time de Assis, ressaltei e ressalto que se comprovado isso nas petições feitas na FPF, abandono meu interesse pelo futebol de Assis em 2014.

Tenho o meu direito de cidadão, blogueiro e torcedor de não concordar com a forma nebulosa com que o Vocem ressurgiu em 2014. Nem tudo que nós, jornalistas, sabemos pode ser publicado, carecendo de provas formais. Mas, o que vi e sei, desde a realização do conselho técnico da Segunda Divisão, mostra uma situação de bastidores, envolvendo a cisão na gestão do Atlético Assisense, que me dá nojo. Como não sou amigo - e nem faço a mínima questão de sê-lo - do homem do dinheiro, que a tudo acha que pode comprar, descarto qualquer possibilidade de vestir essa camisa do Vocem em sua versão como se encontra. Fico com a camisa do Vocem do passado, que tinha grupo seleto de empresas que o apoiavam e um conjunto de gestores que amavam o Esquadrão da Fé, e não o projeto. O Vocem sempre foi mais importante que qualquer dinheiro envolvido. Teve um dia que ouvi, de um dos envolvidos nesse projeto, que "se não for o Vocem, vamos atrás do Paraguaçuense". Pasmem.

Sou de uma época em que a imprensa, cujas empresas jornalísticas já não apoiavam mais o futebol (como ocorre até hoje), viajava no mesmo ônibus da J.F. Garcia com comissão técnica e jogadores, e antes de sair de Assis a comitiva passava no Hotel Santa Rosa para pegar pão francês, presunto e mussarela como refeição anterior aos jogos do Vocem realizados fora. Os atores envolvidos no Vocem do passado até tinham o nome questionado na cidade, mas jamais eram questionados por suas paixões pelo clube, pela entrega. Não sobrava dinheiro, mas também não faltava ajuda de coração. Uma agremiação que nos últimos anos de atividade, em 2000 e 2001, chegou a levar menos de 10 torcedores ao Tonicão, ou seja, um time que jogava e não tinha nas arquibancadas esses efêmeros manifestadores de opinião da atualidade que dizem que o Vocem tem, sim, de voltar. Ora, que paixão é essa que leva a torcida, hoje, a querer o retorno do Vocem mas não a levou ao estádio na época das vacas magras? E esses gestores todos, estavam entre os pouco mais de 10 torcedores que perdiam-se na vista da vazia arquibancada do eternamente inacabado Tonicão? Não me recordo de tê-los visto lá.

Enfim, que o atual administrador do Vocem esteja certo na sua acusação e aproveite essa quebra de exceção e, voltando a divulgar assuntos relacionados ao clube que emprestou aos gestores do dinheiro, comece a divulgar o que se passou nesse período de silêncio. Afinal, uma acusação já está feita, mas a construção enunciativa de uma oração, um tópico frasal, nada revela dos porquês necessários ao bom jornalismo. Há, ainda, uma pauta a ser esclarecida envolvendo lisura na constituição do conselho deliberativo desse Vocem, o que incide em clareza no lidar lícito com a coisa que, mesmo não sendo pública, envolve diretamente o público ora representado na figura do torcedor.

Feitos esses esclarecimentos e mudado muita coisa no bojo, retiro minha bandeira de campo e passo a ser mero espectador do futebol de Assis, pois nem com o Atlético Assisense quero graça. Sou audiência, sou público e não deixarei de ir ao Tonicão nas ocasiões em que, estando em Assis, houver jogo de Vocem ou Assisense, caso a cidade realmente tenha os dois times em disputa. Para o Vocem, ratifico, não torço enquanto essas figuras que aí estão encontrarem-se envolvidas. Para o Atlético Assisense eu torço até que o contrário venha.


Imagem: Reprodução/JSOL

Enquete do Jornal da Segunda Online acusa diretamente 
o Assisense de tentar impedir a participação do Vocem na Segundona


*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

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