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quinta-feira, 6 de março de 2014

MEDIDA INCERTA - Baixando a casa dos 93 kg

Cláudio Messias*

A rotina voltou ao normal no pós-festas de fim/início de ano e, com ela, o sacrifício a alguns vícios e costumes típicos de férias. Por exemplo, os praticamente diários reparos na casa (dentre e fora) foram reduzidos a aventuras apenas esporádicas na função de pedreiro/marceneiro/eletricista/hidráulico do lar. Se antes essas atividades diárias 'exigiam' o refrescar do calor com latinhas de cerveja gelada, agora o consumo desse calórico líquido é feito somente aos finais de semana e para regar a torcida nos jogos de futebol de quartas ou quintas-feiras à noite, dependendo se haverá ou não partida do meu Corinthians na TV.

Em final de janeiro e início de fevereiro tive o que defino como 'ideia de jerico'. Reativando um Pálio que estava abandonado na garagem havia dois anos, desde a reforma da casa, decidi fazer uma lavagem completa no interior do veículo. É que o automóvel ficou alguns meses exposto ao tempo, na rua, e com o ressecamento das borrachas de vedação entrou e acumulou água no piso, no assoalho. Carpetes encharcados, sem ventilação, todos sabem, implicam em um fedor do fim do mundo. Daí a conclusão de que, molhado por molhado, que a última lavagem fosse de higienização. A 'brilhante' ideia a que refiro é o uso de ácido de limpeza, que pode normalmente ser aplicado nos carpetes. O problema é que esse que vos escreve ficou com os pés submersos naquela água ácida durante uma tarde inteira, enquanto limpava detalhadamente o interior do Pálio. O resultado disso foram rachaduras no solado dos pés. Elas apareceram menos de uma semana depois da faxina no carro.

Com os pés rachados tive de interromper as caminhadas/corridas matinais. E não eram quaisquer rachaduras. Principalmente nos calcanhares, chegaram a sangrar. Sem exageros, teve dia em que mal consegui pisar no chão, tamanha era a dor daquilo que àquela altura já eram feridas. Muita sauna, hidratação à base de cremes próprios e agora, mais de um mês depois, começo a ter condições de colocar tênis e retomar as atividades físicas. Tudo isso para dizer que nesse primeiro bimestre de 2014 passei 50% do prazo com as atividades físicas de rotina e outros 50% encostado. Nada, felizmente, que comprometesse a trajetória de redução de peso e da extensão abdominal. Poderia estar melhor, claro, mas o resultado continua satisfatório e animador.

Na pesagem ontem, na sauna do clube, vi a balança marcar 92,8 kg. É a primeira vez que vejo o marcador abaixo dos 93 kg desde 2001, quando fiz minha primeira reeducação alimentar. Ou seja, são 12 kg eliminados desde abril de 2012, período em que iniciei esse desafio de reencontrar o equilíbrio em prol de minha saúde. As oscilações de peso têm, sim, ocorrido, principalmente nos dois períodos de cada ano em que necessariamente dou uma pausa na rotina, ou seja, julho e dezembro/janeiro. E de tudo o que tem ocorrido o que mais impressiona é o controle desenvolvido sobre (i) o que como, (ii) o quanto como e (iii) em que horário/ocasião como. Exceto em ocasiões em que é servido o que mais gosto, mantenho a determinação por comer praticamente tudo, mas em porções reduzidas e com o equilíbrio de baixar ao mínimo os valores em sal, gordura animal e açúcar.

Uma das ações que deram, e muito, certo foi a troca do pão francês pela torrada nos cafés da manhã. Se antes eu comia dois pãezinhos para começar o dia, agora consumo dois pacotes de torradas Magic Toast, da Marilan. Segundo a fabricante, cada pacote com 7 unidades tem 92 calorias, o que somado ao requeijão que passo totaliza algo em torno de 220 calorias, afora o café preto de acompanhamento (preparado com açúcar light). Além de ricas em fibras as torradas são melhor processadas pelo organismo em relação ao pão francês, que tem o triplo em calorias. Essa digestão mais fácil faz com que eu antecipe a refeição intermediária antes do almoço, consumindo três laranjas ali por volta das 10h00 ou 10h30 (meu café é tomado entre 7h20 e 8h00 e o almoço, servido às 12h40).

Em casa mantivemos a estratégia de reduzir, nesse início de ano, a incidência de carne vermelha em nosso cardápio. Nesse ínterim, praticamente eliminados a carne suína de nossa lista de compras. A tentativa vem sendo colocar peixe uma vez por mês, mas como o preparo requer tempo maior, às vezes é a rotina diária que impede que isso ocorra. É nesses momentos que entra o plano B, como preparar atum e/ou sardinha em lata, preparados com salada acebolada de tomate e mediante esgotamento total do óleo comestível de conserva. Sem porco e com menos boi à mesa o frango tem reinado à nossa mesa, preparado em arroz-com-frango, refogado ou, esporadicamente, frito para consumo com mel e pimenta na forma de aperitivo.

Nesses dois meses levei Vítor, o filho mais velho, à endocrinologista. Acompanhando a consulta, ouvi as orientações para um jovem de 17 anos que concilia a rotina de estudar e praticar academia, não querendo exatamente ficar marombado, mas, sim, saudável. Com uma tabela em mãos, há quatro semanas ele sabe o que tem de comer pela manhã, à tarde e à noite, assim como as quantidades recomendadas para cada item. Não tem, pois, peso a perder, mas precisa equilibrar a alimentação com a demanda de exercícios que faz nos aparelhos da academia.

Fiz essa referência à consulta com a endocrinologista porque, em suma, o que ouvi de recomendações médicas para meu filho condiz, em parte, com o que já pratico (é bom ressaltar que quando iniciei essa maratona de busca pelo equilíbrio da saúde, em 2012, tinha como referência entrevista que fiz com duas profissionais médicas, em Marília). O que continuo reconhecendo como problema, na minha iniciativa, é não conseguir encaixar mais saladas e maior variedade de frutas em meu cardápio diário, resultado de minha teimosa restrição desde a infância.

Algumas coisas que ouvi da endocrinologista, dessa vez, procurei adotar. Por exemplo, em vez de cessar minhas refeições no café do final da tarde/início da noite, ainda como ali por volta das 21 horas. Assim, reduzi a porção do que coloco no café vespertino e acrescentei um belisque, por exemplo, em um pedaço de frango que via de regra sobrou do almoço. Mas, só o frango, sem acompanhamentos como o arroz e o feijão. E se tem jogo de futebol à noite, em vez de churrasco ou aperitivos gordurosos, opto pelo tradicional amendoim.

Em suma, cumpridos 2/3 da trajetória que tracei em 2012, sob acompanhamento do cardiologista Marcos Elias Nicolau, posso dizer que sinto-me muito melhor. Durmo, sim, mais confortável quando faço alguma atividade física durante o dia, nem que seja em forma de hidroginástica no clube. Na falta desses exercícios, devido às rachaduras nos pés, ainda assim dormi muito melhor, nos últimos 40 dias, se comparado ao sono interrompido que tinha dois anos atrás.

Ultrapassei a casa dos 44 anos nesse período e, repetindo o que faço anualmente, terei, nas próximas semanas, reencontro com o cardiologista e a bateria de exames. A expectativa é que fatores sanguíneos como triglicérides, colesterol bom, colesterol ruim, diabetes e a própria pressão arterial estejam como um ano atrás, totalmente sob controle.

Fisicamente, o impacto maior fica com o afinamento do rosto e a redução da gordura abdominal. Refiz totalmente o guarda-roupas e entendo perfeitamente o que ex-gordos dizem, principalmente em programas de TV, o quão desconhecem ou não reconhecem as roupas que usavam. Tenho uma bermuda número 50 que, espero, ficará somente na forma de uma lembrança material dos meus 104 quilos. Hoje, a cintura é de 104 centímetros e essa medida tem caído, mesmo que lentamente. De acordo com a endocrinologista, além das atividades físicas praticadas, com a ausência de alimentos gordos as células de gordura tendem a encolher (infelizmente, não as eliminamos depois que desenvolvemos), gerando essa situação de redução das medidas de cintura e do diâmetro das coxas.

Na média, perdi em torno de 500 gramas de peso a cada quinzena, resultado que geralmente frustra aos mais apressados. Logo, nesses dois anos a perda de 500 gramas ocorreu, em média, a cada 30 dias, ou seja, vi a balança baixar a marca de 1 kg a cada dois meses. Jamais, contudo, desanimei ou tirei isso como frustração. E sei, claro, que retomada das minhas caminhadas e das corridas fará com que na próxima postagem aqui, nessa seção do Blog, eu apresente resultado pouco diferente na minha pesagem, uma vez que a tendência é que ocorra ganho de massa muscular. O mais importante, eu sei, estará feito, ou seja, o esforço para reconquistar o tão necessário equilíbrio corpo/alma.



*Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

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