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sábado, 12 de setembro de 2015

SEGUNDONA BRAVA - Atlético Assisense empata nos acréscimos, no Prudentão, e mantém sonho

Cláudio Messias*

Por motivos de saúde e, simultaneamente, de dedicação à pesquisa de doutorado, o blogueiro ficou dez dias fora da cobertura da Segunda Divisão do Campeonato Paulista. Apenas monitoramento de resultados por esses dias, mas um cenário pouco diferente daquele vislumbrado duas semanas atrás. E o que é melhor, com prognóstico de que dá, sim, para o Atlético Assisense continuar sonhando com a vaga na Série A-3 de 2016.

Nesse sábado o Falcão do Vale deu importante passo para manter a sobrevida na Segunda Fase da Segundona 2015. Arrancou empate de 1x1 do Grêmio Prudente, em pleno estádio Prudentão, e continua a respirar, mesmo que por aparelhos, no sonho de chegar à Série A-3. A lógica diz que ainda é possível reverter o cenário desfavorável, no primeiro turno, e buscar uma arrancada que, milagrosa, levaria à segunda colocação do Grupo 5. Difícil, há de se reconhecer, mas não impossível.

O jogo no Prudentão teve gols no primeiro e no segundo tempo. O mandante Grêmio Prudente, de acordo com o placar online da Federação Paulista de Futebol - até as 21h33 desse sábado a súmula do jogo não havia sido postada no site da instituição -, saiu logo a 22 segundos de bola rolando, com Eliel. Se o gol do time da casa foi relâmpago, o empate do Atlético Assisense aconteceu no crepúsculo, a 48 minutos do segundo tempo, com Beiço.

O resultado, por um lado, manteve acesa a chama da esperança de o Atlético Assisense ainda planejar o acesso, e, por outro, freou o projeto do Grêmio Prudente de encostar no G-2. No universo do futebol, o time de Assis somou um ponto, enquanto o rival prudentino perdeu dois pontos na corrida em busca da classificação. O que isso traz de positivo para o Falcão do Vale? A resposta é: fôlego. Afinal, mesmo somando 2 pontos e na lanterna da chave o time de Assis encontra-se, hoje, a 5 pontos do vice-líder Olímpia, que ainda joga nesse domingo, recebendo o Taboão da Serra. O empate nesse confronto é o resultado mais aguardado.

Para o Atlético Assisense restam, agora, 6 jogos até o encerramento da Segunda Fase. O próximo jogo será no estádio Tonicão, daqui a uma semana, recebendo o Jabaquara. Se realmente quer fazer uso das chances, remotas, que lhe restam, o Falcão do Vale precisa começar matando um leão por rodada. E se tem de vencer o Jabaquara, que seja por pelo menos 3 gols de diferença, de maneira a zerar o saldo de gols, quesito de desempate no final da fase. Feito isso, o que resta é planejar o returno, com reação que, histórica, representaria algo já feito pelos comandados de Carlos Alberto Seixas nesse mesmo campeonato, uma vez que reagiu no final do primeiro turno, na Primeira Fase, e carimbou passagem para a Segunda Fase.

Agora, depois de perder dois dos três jogos como mandante nesse primeiro turno, resta ao Atlético Assisense devolver as derrotas para São Carlos e Olímpia, fora de casa, no returno. Pode parecer impossível para quem tem olhar cético, mas tem de ser factível para quem quer chegar à Série A-3. E a lógica dessas duas vitórias sobre os algozes desse primeiro turno está centrada no fato de os dois confrontos representarem, isoladamente, duelos que valem 6 pontos. Muito mais que somar 3 pontos - seis no total -, o Falcão do Vale estará tirando 3 pontos daqueles com quem quer duelar na hoje equilibrada briga pelas duas vagas do Grupo 5 na temporada 2016 da Série A-3.

Com o sonho ainda em pé o Atlético Assisense precisaria sair dos atuais 2 pontos e chegar, daqui a seis rodadas, a no mínimo 17 pontos para, ainda assim, comparar suas contas e ver, com outras agremiações, quem tem mais garrafas vazias para vender. Ideal, mesmo, é somar 18 pontos, mas para isso o time de Assis precisaria abandonar a irregularidade e não mais sofrer derrota no trajeto. Na ordem sucessiva de resultados seriam necessários os resultados: vitórias sobre Jabaquara, São Carlos, Taboão da Serra, Olímpia e Grêmio Prudente. Dependendo da confirmação dessa milagrosa combinação de resultados os 18 pontos seriam obtidos mediante troca, de maneira a vencer o Jabaquara, fora, na última rodada, e trabalhar com a hipótese de, visitante, o Falcão do Vale empatar em Olímpia ou São Carlos.

Há, ainda, muita água a passar por debaixo da ponte. Um mês atrás todos os olhares ficavam voltados para Olímpia e Grêmio Prudente, nesse Grupo 5, e hoje o São Carlos, com 100% de aproveitamento, tende a ser um dos finalistas da Segundona. Essa mesma chave tem desempenhos polarizados nas atuações de São Carlos e Olímpia, de maneira que em eventual tropeço simultâneo dessas duas equipes e êxito dos demais colocados da chave, tudo ficaria embolado. Momento exato para, então, o Atlético Assisense, à peculiar maneira de Carlos Alberto Seixas trabalhar, vencer seus confrontos, resgatar o futebol-força do returno da Primeira Fase e assumir, sim, a condição de patinho feio da Segunda Fase. Melhor ser patinho feio e chegar à Série A-3 do que chorar altos investimentos, trocar de técnico três vezes e soltar palavrões por tomar gol aos 48 minutos do segundo tempo.

Segundona, meu amigo, é divisão de terra-de-ninguém. No fundo do poço do futebol paulista você prepara a cama querendo sonhar com o acesso, dorme achando que já está na A-3 e acorda amargando mais um planejamento para o ano seguinte, ou seja, à volta à estaca zero.

* Professor universitário, historiador e jornalista, é mestre e doutorando em Ciências da Comunicação pela ECA-USP.

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