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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

SEGUNDONA BRAVA - O Esquadrão voltou. E eu, também


Cláudio Messias*

Em 2015 eu sou Vocem. Clube com planejamento, situação burocrática regularizada e esclarecida. E muita, mas muita vontade colocar Assis, definitivamente, na Série A-3.

Mantenho minha posição de não torcer contra times de Assis. Em 2014 declarei meu apoio ao Atlético Assisense, o Falcão do Vale. Ingressos falsificados, situações de gestão extremamente complicadas e, a meu ver, um amadorismo que desrespeitou diretamente a mim, torcedor, fizeram-me desacreditar do sonho.

Sonho, como assisense, ver minha cidade escalando as Séries A-3, A-2 e, enfim, chegando à A-1. Impossível? Creio que não. O Marília Atlético Clube é prova disso. Está na elite do futebol paulista em 2015, mesmo com dificuldades financeiras extremas. Lá, dificuldade não combinou com gestão não profissional. Foi, pois, o profissionalismo que devolveu o orgulho maquiano de figurar na Primeira Divisão.

Não presto contas nem esclareço nada a ninguém por minha mudança de opção para 2015. Não mudo nem apago uma linha do que escrevi em 2014. Jornalista que sou, fiz prevalecer fatos. Coloquei-me e continuo colocando-me à disposição de quem quer que seja para, via judicial, ser contestado em tudo o que escrevi sobre a Segundona 2014.

Não troco o Atlético Assisense pelo Vocem. Hoje, agora, neste exato momento, acredito no projeto que vejo. Talvez contrariando a vontade de muitos, meu reencontro com Edson Fiúza, o troglodita, transcorreu como sempre transcorreu. Com equilíbrio, esclarecimentos e um consenso: o futebol de Assis é mais importante do que as pessoas. Presidentes são anéis, Atlético Assisense e Vocem são dedos. As instituições têm história muito mais importante do que seus gestores. Afinal, foram e são os gestores que ora erguem, ora rebaixam a reputação das agremiações.

Sentados a uma mesa, no clube em que somos sócios em comum, eu e Fiúza dialogamos, sob o testemunho de membros da diretoria mariana. Naquela noite de novembro soube, da boca do presidente, sobre o estágio, à época, de 90% de chance de contratação daquele que, a meu ver, como cronista esportivo com três décadas de estrada, mas muita estrada, é o principal técnico a passar por Assis depois de Zaparolli: Sérgio Caetano. Zaparolli eu acompanhei como torcedor ainda jovem; Sérgio Caetano, cobri como jornalista esportivo. Um técnico que reverteu inúmeros resultados no intervalo, em 2004, mexendo em três peças principalmente no meio-campo. Somente Tite, em 2012, e Mano Menezes, em sua primeira passagem pelo Corinthians, mostraram essa suficiência, em patamares totalmente distintos.

Disse isso a Fiúza e seus parceiros de gestão. O Vocem colocou a primeira mão na taça da Segundona 2015 quando contrata Sérgio Caetano. Vejamos, pois, que não estou falando apenas em acesso, uma vez que sobem quatro agremiações. O novo treinador não vem barato, custa caro. Mas, o que vejo é um planejamento de futebol que jamais testemunhei em Assis desde que comecei a frequentar os jogos do time Mariano no estádio da Ferroviária, trinta anos atrás. Talvez, as gestões que tiveram figuras como Pedro Buzarosco e Paulinho Calçados possam equivaler ao que está sendo feito hoje. Vocem com o planejamento de Sérgio Caetano é candidato ao título.

Continuo aqui, em Campina Grande, na Paraíba, acompanhando o futebol de Assis a uma distância de 2.800 km. Sou atualizado por meus amigos e sei que o movimento rumo à Série A-3 é forte na cidade onde está minha família. Não estão esperando o ano começar para viabilizar os trabalhos. Pelo contrário, pelo jeito teremos jogadores e comissão técnica plenamente formados e comendo peru de Natal sabendo da seriedade do compromisso que é colocar o Vocem no lugar em que a injustiça histórica impediu que chegasse, qual seja, a elite do futebol paulista.

Sou de um tempo em que jogadores como Marco Brasil, narrador de rodeios que ficou mais famoso nas arenas de montaria do que nas defesas que fez como goleiro do Dracena na década de 1980, relataram para mim, anos depois, o temor que tinham de ir a Assis. Havia dois adversários: o time de jogadores e a torcida. "Vou a Cem Por Hora", entre outras organizadas, apoiavam o Esquadrão da Fé por muito mais do que 90 minutos. Não éramos o melhor time, mas, não tenho dúvidas, éramos o melhor conjunto na tríade time-torcida-inferno. Apavorávamos.

Encomendei minha camisa do Vocem e a pego dia 21, quando retorno, em férias, a Assis. Visto a camisa do clube que frequentei e defendi na adolescência. Não desfaço da camisa do Atlético Assisense, muito menos a deixo de vestir. Queria, e muito, sorrir por completo vendo Esquadrão da Fé e Falcão do Vale subindo para a Série A-3 no ano que vem. Não vendo, contudo, ilusões. Planejamento é tudo. E é planejando e jogando limpo que o Vocem trilhará esse caminho. Está trilhando.

Já há ecos sobre o trabalho antecipado que a diretoria do Vocem está fazendo. Meus contatos de imprensa esportiva e da política do futebol paulista mantêm contato perguntando se procede tamanha especulação de que tudo está se resolvendo com antecedência de pelo menos 40 dias na comparação com o que as demais 45 agremiações que pleitarão disputar a Segundona 2015 estão fazendo. Sim, eu desaponto alguns, mas agora digo que sim, o Vocem está 100% limpo em comparação à turbulenta fase do início de 2014. Tem uma diretoria plena constituída e, na contramão da realidade da maioria absoluta dos demais clubes, já não sabe onde colocar tantas marcas de empresas interessadas em, na forma de apoio, explorar o marketing daquela que é uma das mais fortes marcas da história do futebol do Brasil.

Dou meus pitacos e proponho aos amigos que estão na diretoria a ousadia de investir em ações como as que fazem dos clubes da elite grandes marcas esportivas. Sócio-torcedor é uma dessas ações. Há uma Nação Mariana no mundo, e não só em Assis. Comprovação disso são as encomendas de camisas oficiais feitas por assisenses que estão morando em outros países. Em uma semana esgotaram-se 80 unidades do manto mariano em um grupo criado pelo competente marketeiro Beto Credin, o palmeirense mais insuportável do chiqueiro. Tem muito clube que não vendeu isso no ano inteiro.

De minha parte, torço até o fim. Quero ver o Vocem na Série A-3 de 2016. Que ninguém se passe por enganado, desde já, pois agora há motivos de sobra para elogiar, e quando necessário for criticar, não tenha-se dúvida de que o farei. Torcedor é uma coisa, cronista esportivo é outra. Em Assis, a Sucupuira do Vale, tem muito ignorante que não sabe separar isso. O que, por sinal, em nada me preocupa.

2015, o Ano do Esquadrão.

*Professor universitário, historiador e jornalista, é doutorando em Ciências da Comunicação na ECA-USP.

3 comentários :

Anticorpus Assis disse...

Simplesmente DIVINA a matéria !!! Digna de um grande profissional como vc o é meu amigo. Parabéns !!!

Anticorpus Assis disse...

Simplesmente DIVINA a matéria !!! Digna de um grande profissional como vc o é meu amigo. Parabéns !!!

Luciano Toni disse...

Parabéns pela otima materia,Assis merece um time grande.